Vamos falar sobre as masculinidades possíveis?

Gillete

A palavra “tóxico” foi eleita a palavra do ano de 2018 pelo dicionário Oxford. Essa escolha diz muito sobre o ano que passou, principalmente aqui no Brasil com o aumento de um viés conservador na esfera privada e também na esfera pública. Essa mesma palavra é sempre associada a masculinidade, dizemos que a masculinidade é tóxica quase que de forma biológica, entretanto, acompanhado pelos estudos de gênero de Judith Butler, entendemos que não apenas a categoria social “mulher” é construída, mas a categoria “homem” também faz parte dessa construção.

O primeiro passo para a desconstrução de um conceito tradicional é a crítica, chamamos de “tóxica” toda masculinidade para desmistificá-la como algo intocável e para chamar atenção de pesquisadores, curiosos e demais sobre o tema. O segundo passo, que é o que acredito que estamos, é o passo de propor soluções, ou seja, já passamos pelo passo da crítica e dessacralização da masculinidade, agora precisamos propor novas masculinidades que sejam sadias e se afastem de comportamentos tóxicos.

A masculinidade não é tóxica, ela possui comportamentos tóxicos que são estimulados pelas instituições. Esses comportamentos surgem desde o “Homem não chora” até os sentimentos ideais que são estimulados no campo do trabalho e também dentro das famílias.

Os estudos de gênero sobre masculinidade não acompanharam as recentes mudanças conjunturais pelas quais passamos, diferente dos estudos sobre feminilidade que desde a década de 70 se posicionam de maneira firme dentro da academia e demais espaços importantes.

Entendendo a necessidade de propor novas masculinidades e também de fazer com que os estudos de gênero sobre masculinidade acompanhem a conjuntura política e histórica, eu, Lucas Machado, e Yann Rodrigues decidimos criar um podcast focado na(s) masculinidade(s), o “Homem também chora”.

Sabemos que existem propostas na internet que buscam entender sobre o tema, entretanto, algumas delas não possuem uma continuidade ou são até mesmo apenas um episódio especial sobre o tema. Dois projetos que discutem o tema e que são vistos como inspiração para nós são o Papo de Homem e o Prazer Ele, o primeiro é um portal sobre masculinidade e o segundo é um Instagram. Assim, somos o primeiro podcast focado no tema das masculinidades, o que acreditamos ser um marco importante.

Se são várias masculinidades, não podemos deixar de ter um conteúdo que dê conta de toda essa subjetividade.

Se você quer conhecer melhor o nosso projeto, você pode ouvir o episódio 1, sobre choro, e o episódio 0, que é o piloto. Além disso, você também pode acompanhar nosso Twitter, Instagram e nosso site para saber em quais outras plataformas estamos (posso adiantar que também estamos no Google Podcasts, além do Spotify).