Vamos falar sobre as masculinidades possíveis?

Lucas Machado
Jan 21, 2019 · 2 min read
Gillete

A palavra “tóxico” foi eleita a palavra do ano de 2018 pelo dicionário Oxford. Essa escolha diz muito sobre o ano que passou, principalmente aqui no Brasil com o aumento de um viés conservador na esfera privada e também na esfera pública. Essa mesma palavra é sempre associada a masculinidade, dizemos que a masculinidade é tóxica quase que de forma biológica, entretanto, acompanhado pelos estudos de gênero de Judith Butler, entendemos que não apenas a categoria social “mulher” é construída, mas a categoria “homem” também faz parte dessa construção.

O primeiro passo para a desconstrução de um conceito tradicional é a crítica, chamamos de “tóxica” toda masculinidade para desmistificá-la como algo intocável e para chamar atenção de pesquisadores, curiosos e demais sobre o tema. O segundo passo, que é o que acredito que estamos, é o passo de propor soluções, ou seja, já passamos pelo passo da crítica e dessacralização da masculinidade, agora precisamos propor novas masculinidades que sejam sadias e se afastem de comportamentos tóxicos.

A masculinidade não é tóxica, ela possui comportamentos tóxicos que são estimulados pelas instituições. Esses comportamentos surgem desde o “Homem não chora” até os sentimentos ideais que são estimulados no campo do trabalho e também dentro das famílias.

Os estudos de gênero sobre masculinidade não acompanharam as recentes mudanças conjunturais pelas quais passamos, diferente dos estudos sobre feminilidade que desde a década de 70 se posicionam de maneira firme dentro da academia e demais espaços importantes.

Entendendo a necessidade de propor novas masculinidades e também de fazer com que os estudos de gênero sobre masculinidade acompanhem a conjuntura política e histórica, eu, Lucas Machado, e Yann Rodrigues decidimos criar um podcast focado na(s) masculinidade(s), o “Homem também chora”.

Sabemos que existem propostas na internet que buscam entender sobre o tema, entretanto, algumas delas não possuem uma continuidade ou são até mesmo apenas um episódio especial sobre o tema. Dois projetos que discutem o tema e que são vistos como inspiração para nós são o Papo de Homem e o Prazer Ele, o primeiro é um portal sobre masculinidade e o segundo é um Instagram. Assim, somos o primeiro podcast focado no tema das masculinidades, o que acreditamos ser um marco importante.

Se são várias masculinidades, não podemos deixar de ter um conteúdo que dê conta de toda essa subjetividade.

Se você quer conhecer melhor o nosso projeto, você pode ouvir o episódio 1, sobre choro, e o episódio 0, que é o piloto. Além disso, você também pode acompanhar nosso Twitter, Instagram e nosso site para saber em quais outras plataformas estamos (posso adiantar que também estamos no Google Podcasts, além do Spotify).

Revista Subjetiva

Lucas Machado

Written by

Cientista social, professor de Sociologia, criador da Revista Subjetiva e debatendo sobre masculinidades no podcast Homem Também Chora.

Revista Subjetiva

Tudo aquilo que você não encontra na grande mídia.

Lucas Machado

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Cientista social, professor de Sociologia, criador da Revista Subjetiva e debatendo sobre masculinidades no podcast Homem Também Chora.

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