[poesia/terror] Ao Diabo de mim mesma

Por Bruna Modesto.

Nota da Edição: já conhecia Bruna pelos seus versos em outras publicações, mas nesse, ela me surpreendeu, mostrando uma poesia com tema de terror. Inovou mesmo e adorei! (S.P.)

Estou seduzida pela loucura
e condenada à morte!
Ou à matança?

Não há cura, macumba ou ouvidos
ninguém acredita
subestimam-me!

Se existe um Deus,
por que me fez alma perdida?
errante, ignóbil, vazia…

Ambígua persona, vil
o reflexo que não condiz
com a conduta, hostil

Duas faces em conflito
onde já fora nomeado o campeão

Onde esconde-se, ó Diabinho?
apresenta-me teu perdão!

Ajoelha-te à mim
implore minhas lágrimas
implore minha benção!

Quantas vezes dissemos mentiras
para manter o controle
e a boa aparência?

Ninguém tê vê, Diabinho!
Eu carrego teu fardo maquiavélico
eu escondo teus atos imundos

Eu choro o sangue que tuas mãos dilaceraram
eu limpo as facas que beijastes com tesão
Eu, Diabinho, EU!

Tu não sabes como é sofrido
como me dói não ser quem és
como os humanos não me dão a mão!

Ninguém nos entende, Diabinho.
Matemos todos, então.


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