Um breve resumo da IoTWeek 2017

Nos dias 6 a 9 de maio participei de uma conferência internacional sobre Internet das Coisas, a IoT Week, e gostaria de compartilhar algumas impressões sobre o evento e para onde a discussão de Internet das Coisas vai caminhando.
Tive a oportunidade de acompanhar diversos painéis relacionados a cidades inteligentes. Vários representantes apresentaram suas iniciativas para melhorar a vida do cidadão, desde sensores conectados a redes de saneamento para evitar desperdício de água até controles de trânsito.
Até ai, nada de mais. A questão importante nesse cenário é juntar representantes de diversas cidades e países, dentre eles o Brasil, para apresentar soluções que cada um está fazendo e trocar experiência e expertise na Internet das Coisas.
Deu para perceber que estamos caminhando para outro patamar na discussão da Internet das Coisas. O exemplo da “geladeira conectada” que te avisa quando acabou o leite já não faz mais parte da discussão. Alguns pensam até que saímos da era da “Internet das Coisas que nossas mães não fazem mais por nós”, fazendo referência a aplicações para acender a luz ou avisar quando seu copo está vazio. Já superamos essa fase.
Internet das Coisas não serve só para resolver problemas gourmet. Ele pode ser uma ferramenta poderosíssima para melhorar a qualidade de vida da população.
Esse foi o ponto principal das discussões do evento. Por isso mesmo a quantidade de pessoas de terno era grande, já que se trata de um negócio muito promissor para os próximos anos.

Mas as discussões mais importantes da Internet das Coisas tocaram em coisas que já fazem parte das discussões do nosso dia a dia, especialmente para os que estão nesse universo do desenvolvimento web.
Interoperabilidade, Segurança e Privacidade
Esses três tópicos foram muito abordados durante o evento, especvialmente pelo fato da Internet das Coisas ser um gigantesco ecossistema de tecnologias e instituições de padrões. Na imagem abaixo, de 2015 (que fez parte de diversas apresentações no evento) dá para ter uma ideia da quantidade de empresas que fazem parte desse ecossistema de IoT.

Por isso a interoperabilidade é importante. Fazer com que tecnologias, dados e protocolos se comuniquem é um ponto chave para que a Internet das Coisas não seja um ecossistema de ilhas que não se comunicam entre si. A palestra de Robert Kham, um dos pais de Internet (inventou o protocolo TCP/IP junto com Vint Cerf), foi especificamente sobre a importância da Interoperabilidade na Internet das Coisas, além de diversos painéis que discutiram o tema no evento.
Quando falamos de padrões para a Internet das Coisas, existe um consenso de que padrões são fundamentais, mas que precisam ser desenvolvidos com mais agilidade, pois o mercado corre o risco de criar seu próprio padrão que não vai se conectar com nada.

Os tópicos relacionados a segurança e privacidade também transitaram por diversos painéis do evento: Como garantir que os sensores de baixa engenharia sejam seguros a ponto de não serem vulneráveis a ataques e que as aplicações não exponham o cidadão. É um longo debate que ainda deve ir longe e que deve contar com a nossa participação.
Mais uma vez vem a tona a questão da participação de consórcios e da sociedade na padronização da Internet das Coisas. Precisamos acompanhar os fóruns de padronização para que questões relacionadas a segurança e privacidade sejam contempladas de forma adequada. Os riscos de um mundo cheio de dispositivos inseguros e que coletam dados de forma abusiva são enormes.
A Web das Coisas no evento
O uso de tecnologias Web foi abordado com bastante destaque no evento. Além da participação do W3C, outras instituições estavam lá para apontar a Web como uma boa solução para a fragmentação da Internet das Coisas. A Web também tem um enorme ecossistema padronizado e em estudo.
Dave Haggett do W3C falou sobre o papel da Web das Coisas no ecossistema dos objetos conectados. É nela que os serviços vão trocar informações e interoperar. As palestras da Web das coisas focaram bastante no potencial que a Web tem e da facilidade de desenvolvimento considerando o uso de uma tecnologia consolidada como a Web.
Isso faz todo sentido quando você tem um ecossistema já consolidado, que troca dados com outras aplicações e que pode conectar serviços já existentes em uma nova rede de dispositivos conectados. Por que o sensor de umidade das plantas do jardim não se conecta a um sistema de previsão do tempo? Isso pode ser feito com APIs e tecnologias consolidadas em aplicações que já rodam na Web.
O evento também ofereceu um workshop de Web das Coisas com o pessoal da Evrything, mais especificamente com Vlad M. Trifa e Dominique D. Guinard, autores do livro “Building the Web of Things”. Apesar de um rápido workshop de duas horas, foi possível para a audiência entender como é fácil conectar dispositivos na rede utilizando tecnologias do nosso dia a dia no desenvolvimento Web, como Node.js. Os slides do workshop estão disponíveis em https://www.slideshare.net/misterdom/lecture-on-the-web-of-things
A Web tem um papel importante na interoperabilidade de sistemas e serviços conectando dispositivos na Internet das Coisas. Foi essa a principal mensagem que as atividades de Web das Coisas do evento passaram.
Conclusão
Já era de se esperar que o tema da Internet das Coisas fosse chamar a atenção de diversos setores, inclusive do mercado e setor privado. Estudos e novos casos de uso vem surgindo de forma exponencial e é inevitável que novas tecnologias surjam a partir desse cenário.
Por isso mesmo a Web das Coisas tem um papel fundamental, não só para conectar dispositivos utilizando tecnologias Web, mas para conectar serviços a esses objetos conectados. São esses serviços que farão com que a Internet das Coisas deixe de ser apenas uma Internet dos Sensores e realmente funcionem para a melhoria da qualidade de vida do ser humano.

