A influência externa já existe

Depois da polêmica do jogo entre Santos e Flamengo, podemos até nos esquecer que a influência de fora de campo já existe na arbitragem

Leandro Pedro Vuaden (à esquerda) conversa com o quarto árbitro Flavio Rodrigues de Souza sobre o lance de pênalti no jogo entre Santos e Flamengo pela Copa do Brasil em 26/7 (foto: UOL Esporte)

Depois do jogo de última quarta-feira pela Copa do Brasil entre Santos e Flamengo, o assunto da influência externa dentro das arbitragens foi levado ao extremo da discussão. O time da Vila Belmiro venceu por 4x2, mas mesmo assim foi eliminado na competição nacional. Porém o lance de um pênalti no atacante santista Bruno Henrique ganhou muito mais repercussão do que o próprio jogo em si.

O fato do árbitro Leandro Pedro Vuaden ter voltado atrás em sua decisão de ter marcado a penalidade a favor do Santos causou uma intensa reação de todos os lados, principalmente para quem viu que a interferência do quarto árbitro, Flavio Rodrigues de Souza, foi aumentada pela presença do repórter Eric Faria da TV Globo. Não estou aqui para defender o repórter, mas isso ainda não ficou provado e o próprio Santos, que acusou o profissional de forma apressada, não conseguiu mostrar que isto aconteceu claramente.

Mas o que me chama a atenção é ver que a tão falada interferência externa em arbitragens já acontece normalmente no futebol de hoje em dia. Não dá para desassociar a influência que já existe a partir de um estilo de arbitragem cobrado por quem comenta os jogos. O próprio Vuaden, juiz em questão neste caso específico, era considerado um árbitro de estilo mais solto e que “deixava o jogo correr” muito mais do que deixa hoje em dia. Depois de seu início em jogos de série A, ele mudou em parte o seu jeito de atuar e se transformou em um juiz como os outros que normalmente atuam no país; travando o jogo além do necessário, algo extremamente comum no futebol disputado no Brasil.

Além disso o excesso de polêmica por qualquer decisão da arbitragem foi abordada inclusive em uma entrevista do técnico Abel Braga do Fluminense, na sexta-feira após a polêmica. Muito se fala de tudo e de qualquer erro de quem apita, sendo que isso normalmente é usado para mascarar um mau resultado, no caso de quem fala por algum time, e para ocupar o espaço dos muitos (e exagerados) programas de esporte que são usados para tapar buraco nas programações esportivas.

Antes de responder a alguma pergunta neste vídeo, Abel Braga fala sobre a questão da arbitragem e o excesso de reclamações no futebol (fonte: FLU TV).

Sobre o uso da tecnologia em si: O recurso do árbitro de vídeo, em seus testes que já começaram a ser feitos no ano passado, está sendo permitido somente em quatro ocasiões: para determinar se um gol foi marcado, em casos de expulsão, marcações de pênalti e para identificar um determinado jogador, caso haja suspeita de punição equivocada a um atleta. A tecnologia não está sendo considerada, até o momento, para lances de impedimento.

O auxílio do quarto árbitro em situações de dúvida do juiz principal é interessante porque ele faz parte do conjunto da equipe de arbitragem. Porém ainda ele é feito de forma não clara em alguns momentos, pois a comunicação entre os membros do comando da partida não é liberado após situações de dúvida. Ainda existe uma demora que incomoda para quem está vendo a partida e, no caso de clubes, causa certa estranheza ou, no caso brasileiro, certa suspeitas de favorecimento para A ou B.

No entanto, este texto não pretende reforçar isso. A influência de fora de campo existe e é inegável que forças políticas de clubes são presentes no futebol. Porém o que penso ser complicado são as coisas serem jogadas sem provas e de forma a apenas tumultuar uma situação que já causa muita confusão por si só, que é a arbitragem de uma partida.

O que deveria acontecer é uma maior conscientização de todos para que as novas orientações e regras para a arbitragem sejam mais claras e que a transparência seja total. Mas não é jogando algo no ar, sem ter provas para que isso seja real, que vamos melhorar algo que já é tão difícil. Enquanto os clubes pensarem apenas nos seus interesses e o jornalistas estiverem mais preocupados em criar polêmicas por audiência, nada vai melhorar.

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