Evo Morales, o camisa 10

A história do Sport Boys da Bolívia, adversário do Atlético-MG na Libertadores deste ano, passa pela insólita “contratação” do presidente do país.

Evo Morales, presidente da Bolívia, quando foi “contratado” pelo Sport Boys em 2014. (foto: site Trivela)

O Sport Boys da Bolívia joga a Taça Libertadores pela primeira vez em sua história e está no grupo do Atlético-MG, time que enfrenta na próxima quinta-feira (13/4). É um clube relativamente pequeno, mas que tem em sua história um fato, no mínimo, curioso; ele teve por um curto período um grande camisa 10 em seus quadros e que deu certa notoriedade ao seu nome, mesmo sem ter entrado em campo para jogar: Evo Morales, nada mais nada menos que o presidente do país!

O Club Deportivo y Cultural Sport Boys foi fundado oficialmente em 17 de agosto de 1954, na cidade de Warnes, localidade com cerca de 96 mil habitantes, capital da província de Ignacio Warnes, no departamento (subdivisão do país, equivalente aos nossos estados) de Santa Cruz de la Sierra. Warnes fica a 30 km da cidade de Santa Cruz e a 900 km da capital, La Paz.

Em 2012, após passar muitos anos disputando apenas torneios amadores bolivianos, o “ Touro” (apelido do Sport Boys), conseguiu se qualificar para a Copa Bolivia, torneio oficial organizado pela Associação Nacional de Futebol boliviana e que classificava três equipes para a Nacional B 2012/13, espécie de segunda divisão do país. Ao conseguir a vaga na terceira posição na Copa, disputou a segundona no mesmo ano e, em um play-off contra o Petrolero que estava na primeira divisão, conseguiu o acesso ao principal campeonato boliviano.

Porém, após disputar a primeira temporada na elite (2013/2014), a equipe resolveu fazer um golpe midiático e de marketing. À época, o presidente da Bolívia, Evo Morales, foi contratado para defender o clube em campo por um mês pela quantia simbólica de US$ 200. Com a assinatura do contrato, Evo, então com 54 anos, tornou-se então o jogador mais velho a defender um clube de futebol profissional.

O convite ao presidente do país foi feito pelo então presidente do clube, Mario Cronenbold, que era amigo pessoal de Evo. Na ocasião, o dirigente do Sport Boys inclusive deu carta branca à Evo para escolher quais partidas e quando ele queria jogar. Porém, tempo depois, Cronenbold reconheceu que as razões para essa decisão não foram nada futebolísticas.

- É uma questão de marketing. Uma empresa se comprometeu a nos dar apoio se o presidente jogasse pela equipe — confessou .

No entanto, Evo Morales, após dois meses do anúncio e da “apresentação oficial”, descartou defender o clube porque “não se sentia bem fisicamente para entrar em campo”.

- Não quero prejudicar, não estamos à altura de um esportista. Tentei intensificar a minha preparação física, mas creio que não estamos à altura. Só prejudicaria (a equipe) — afirmou Evo, após a “rescisão”.
Festa do título do Sport Boys no Torneio Apertura de 2015 (foto - site: O Curioso do Futebol)

Após este episódio porém, o clube não se apequenou. Pelo contrário. Ganhou o Torneio Apertura (um dos turnos do campeonato boliviano) no fim de 2015, com uma campanha de 14 vitórias em 22 partidas. E assim, se firmando na elite do futebol local, chegou para disputar a sua primeira Libertadores da América. Estreou empatando em casa por 3x3 contra o Libertad do Paraguai e também enfrentará o Atlético-MG e o Godoy Cruz da Argentina. Mas mesmo com o novo status será sempre lembrado como o time que contratou o presidente do país.

(Texto usado como fonte da história: Os times desconhecidos da Libertadores-2017 (texto de Marcelo Alves, Jornal O Globo OnLine, 19/12/2016. http://blogs.oglobo.globo.com/planeta-que-rola/post/os-times-desconhecidos-da-libertadores-2017.html).

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