Martin Luther King e os Esportes

Martin Luther King jogando sinuca em uma vista à Chicago em 1966. (Foto: AP Photo)

Em 4 de Abril de 1968 a trajetória do pastor protestante e ativista político Martin Luther King foi brutalmente interrompida quando ele foi assassinado a tiros por um opositor, num hotel na cidade de Memphis, onde estava em apoio a uma greve de coletores de lixo. Sua cruzada pela igualdade de direitos dos negros e pelo fim da segregação racial, porém, não foi em vão.

Em relação ao tema principal desta revista — o esporte, podemos dizer que, mesmo não sendo alguém ligado à ele, Luther King também teve participação em momentos importantes de alguns dos maiores atletas dos Estados Unidos.

Jackie Robinson foi o primeiro negro a entrar na liga principal do beisebol americano e teve a camisa 42 retirada em TODOS OS TIMES após sua aposentadoria. (Foto: AP Photo)

Ainda como um adolescente em 1947, ele assistiu com atenção a entrada de Jackie Robinson nos Brooklyn Dodgers, sendo assim o primeiro negro a atuar na liga principal do beisebol americano, fato que quebrou a barreira racial em um esporte tão popular no país. Uma década mais tarde, já em fim de carreira, Robinson começou a falar em defesa dos direitos civis. Muitas pessoas na imprensa e na própria comunidade de direitos civis desencorajaram Robinson a dar esse passo, preocupado que manchasse sua imagem. Muitos até argumentaram que, como atleta, Robinson não tinha muito o que fazer nessa luta. Mas King, já líder indiscutível do movimento pró-direitos raciais, disse que Robinson tinha todo o direito de falar, porque era…

“… um peregrino que andava pelas estradas solitárias em direção ao alto caminho da Liberdade.”

Depois das palavras de King, Robinson excursionou até o sul do país para falar sobre direitos civis e transformou-se no orador mais pedido em várias palestras, mais pedido do que até mesmo do que King. Robinson sempre terminava seus discursos da mesma maneira, dizendo:

“Se eu tivesse que escolher amanhã entre o Hall da Fama de Beisebol e plena cidadania para o meu povo eu escolheria a cidadania plena uma e outra vez”.
Muhammad Ali e Martin Luther King em conferência de imprensa em Louisville. (Foto: AP Photo)

Na década de 60, King também apoiou a luta de Cassius Clay (depois Muhammad Ali) para que ele pudesse viver como muçulmano sem ser perseguido por ser uma grande celebridade no país. King e Ali apareceram juntos em público apenas uma vez em uma manifestação pela habitação justa na cidade natal de Ali, Louisville. Mas a conexão era forte. Em 1967, quando King, após várias críticas, saiu contra a guerra no Vietnã, ele invocou o campeão de boxe dizendo:

“Como Muhammad Ali coloca, somos todos pobres vítimas do mesmo sistema de opressão”.
Tommie Smith e John Carlos fazem a saudação do movimento “black power” no pódio da Olimpíada da Cidade do México em 1968. (Foto: AP Photo)

Também em 1967, as estrelas Tommie Smith, Lee Evans, John Carlos entre outros atletas, estavam organizando o “Projeto Olímpico para os Direitos Humanos” argumentando que os atletas afro-americanos deveriam boicotar os Jogos Olímpicos de 1968 na Cidade do México. Suas reivindicações eram: ter o título mundial de Muhammad Ali restaurado (título que tinha sido cassado pois Ali se recusou a se apresentar no exército para a Guerra do Vietnã), que os países que propagava a doutrina do apartheid (separação entre raças e segregação) África do Sul e Rodésia (atual Zimbabwe) fossem desconvidados das Olimpíadas e que mais treinadores afro-americanos fossem contratados nos EUA.

Porém muitas pessoas na sociedade estadunidense foram contra. Protestar contra os Jogos Olímpicos era antipatriótico, até mesmo impróprio, diziam. Mas o Dr. King ofereceu seu apoio inabalável dizendo:

“Este é um protesto e uma luta contra o racismo e a injustiça. E é nisso que estamos trabalhando para eliminar na nossa organização e na nossa luta total. Ninguém olhando para estas demandas pode ignorar. A liberdade sempre exige sacrifício e eles têm a coragem de dizer: “Nós vamos ser homens e os Estados Unidos da América nos privaram de nossa masculinidade, da nossa dignidade e do nosso valor nativo, e conseqüentemente nós estamos indo levantar-se e fazer os sacrifícios”.

King reuniu-se com um grupo de atletas semanas antes de seu assassinato em 1968. John Carlos disse logo depois do fatídico 4 de abril:

“Dr. King estava em minha mente e coração quando eu levantei meu punho naquele pódio.”

Apesar das críticas de sua própria comunidade de direitos civis, Martin Luther King esteve envolvido em três das colisões mais críticas da história do esporte e da política. Sim, o homem certamente conhecia seus esportes e principalmente o seu país e as dificuldades para alguém de sua cor. E sua ação ajudou com que os atletas negros fosse mais reconhecidos na sociedade americana.

(Matéria de referência para este texto: “MLK wasn’t an athlete, but he understood importance of sports”. Artigo de Dave Zirin, 18/1/2010. Revista Sports Illustrated). A data escolhida para o texto feito em 2010 têm a ver com o feriado de Martin Luther King, que acontece terceira segunda-feira de janeiro. Inclusive a NBA (Liga de Basquete dos EUA) reserva muitas homenagens à King nesta data.

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