Agricultura Sintrópica e Terra Pura em diálogo

Evento reforça o sonho das Aldeias CEBB de gerar autossuficiência alimentar

Registro do Curso de Agricultura Sintrópica. Foto: José Paiva

A sabedoria da terra e a indivisibilidade entre planeta e ser humano foram os temas-chave do Curso de Agricultura Sintrópica, realizado no CEBB Caminho do Meio (Viamão-RS) e CEBB Bacopari (Palmares do Sul-RS) entre os dias 11 e 14 de agosto deste ano. O evento foi promovido pelo Instituto Caminho do Meio e faz parte do Programa de Formação em Auto-organização. Entre falas expositivas e atividades práticas, o ministrante do curso, o engenheiro agrônomo especialista em agrofloresta Fernando Rebello, expôs a visão de mundo e as técnicas desenvolvidas pelo suíço Ernst Götsch.

Na mesa de abertura do evento no CEBB Caminho do Meio, ao lado do Monge Dengaku, Monja Shoden (ambos do Via Zen) e Ricardo Pellegrini (CEBB Caminho do Meio), Lama Samten demonstrou sua alegria em receber Fernando: “A proteção ambiental se manifesta em muitos âmbitos e a primeira pessoa que conheci que realmente trabalha nessa linha de frente sem perder a compaixão foi Fernando Rebello”, disse o Lama se referindo ao trabalho que Fernando exerceu como fiscal ambiental durante anos de atuação junto ao Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, gerido pelo Instituto Chico Mendes — ICMBio, ao qual está vinculado. Fernando tem estabelecido parcerias entre o ICMBio e outras organizações, como a Agenda Gotsch e o Instituto Caminho do Meio em Alto Paraíso, onde mora com a família.

O encontro com a Agricultura Sintrópica

A Agricultura Sintrópica é um termo cunhado por Ernst Götsch, que aprendeu a ler a natureza e a construir agroecossistemas para caminhar junto à natureza e não contra ela. Imersa em um universo de outros conceitos, como Agricultura Regenerativa, Agrofloresta, Permacultura e outros, a agricultura sintrópica é na verdade um sistema complexo, que envolve uma cosmovisão particular e que foi se desenhando a partir do trabalho e do pensamento de Ernst ao longo dos últimos quarenta anos.

“Conheci Ernst Götsch em 1994, quando ainda era estudante de agronomia, e sua palestra na Universidade foi tão impactante para mim que, pouco tempo depois, eu e mais alguns amigos estávamos em sua fazenda, para conhecer de perto a grande transformação que ele vinha realizando naquelas terras. Seu conhecimento de como a natureza funciona é tão profundo que, até hoje, sempre que o encontro, tenho a sensação de estar ainda na primeira aula”.

É assim que Fernando Rebello inicia sua trajetória pelos campos da agricultura sintrópica, conceito que norteia seu trabalho até os dias de hoje. Durante o evento, ele nos explica: “Agrofloresta significa fazer parte da engrenagem que move a vida do planeta, que estabelece a vida. É reorganizar o plantio de uma maneira que acompanhe o fluxo da vida e não vá contra a vida. A Sintropia é um conceito físico que significa isto: organizar a energia que tem no planeta. Graças ao sol, a energia foi sendo organizada e temos combustíveis fósseis, gás, florestas, tudo natural. A vida acumula energia e organiza a vida”.

Fernando Rebello e registros do Curso de Agricultura Sintrópica. Fotos: José Paiva

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Saiba Mais

  • Mesa de abertura do Curso de Agricultura Sintrópica no CEBB Caminho do Meio | 11 de agosto de 2017

Sobre Fernando Rebello

Fernando é servidor do IBAMA desde 2002, e desde seu encontro com Ernst Götsch continua semeando a agricultura sintrópica, seja na orientação à agricultores, na recuperação de áreas degradadas, em projetos para multiplicar essa tecnologia com Ribeirinhos, no Cerrado, especialmente junto ao Instituto Caminho do Meio e CEBB Alto Paraíso, onde mora atualmente com a família.


Sobre Ernst Götsch

“O paraíso, é o lugar onde você cumpre a sua função e é feliz por cumprir sua função.”

Ernst Götsch nasceu em 1948 na Suíça. Em 1984, iniciou seus trabalhos no Brasil. Hoje, vive em Piraí do Norte, BA, onde recuperou 800 hectares de floresta atlântica. Há 40 anos, busca recriar e recuperar florestas em várias partes do planeta. Após trabalhar com melhoramento genético de plantas para resistirem às doenças, questiona-se: “E se nós melhorássemos as condições que damos às plantas ao invés de ficar tentando buscar características genéticas nelas que as façam aguentar os nossos maus tratos?”. Esse questionamento e anos de trabalho levaram à criação da agricultura sintrópica em 1976.


Sobre o Instituto Caminho do Meio

O ICM (Instituto Caminho do Meio) é uma organização sem fins lucrativos com ações voltadas para a cultura de paz e responsabilidade universal, especialmente no diálogo das sabedorias e visões budistas com áreas da vida contemporânea. Atualmente, o ICM possui sedes em Viamão-RS, Canelinha-SC e Alto Paraíso-GO. Em Viamão, o ICM está promovendo o curso de Formação em Auto-Organização está chegando ao seu segundo módulo. 
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