Música Para Alma

Outro dia, eu estava ouvindo algumas músicas das Whitney Houston, cantora e atriz pela qual sou apaixonada desde a minha adolescência. Basicamente esta paixão foi herdada da minha irmã mais velha, que tinha fitas com as músicas, cd e o filme “O Guarda Costas” gravado. Além disso, eu sempre assistia quando o filme reprisava na televisão. A canção que me incentivou a ponto de escrever este texto foi Greatest Love of All (O amor maior de todos) uma música divina que fala sobre se amar acima de tudo, de reconhecer sua força interna não importa o que outras pessoas façam ou pensem de você. Mesmo não sendo uma composição da Whitney, esta música foi maravilhosamente interpretada por ela. Segue um trecho:
“Decidi há tempos atrás/ Nunca caminhar à sombra de ninguém/Se eu fracassei ou fui bem sucedida, pelo menos vivi como acreditei/Não importa o que tirem de mim/Eles não podem tirar minha dignidade/Porque o maior amor de todos está acontecendo para mim/Encontrei o maior amor de todos dentro de mim”
Ouçam esta música na voz da Whitney! É sério! Prestem atenção na letra e reflitam sobre o que está sendo dito ali. Na estrofe que diz “Todo mundo procura por um herói… Então aprendi a depender de mim” eu até arrepio. Que mensagem!
Nesse texto, eu quero reforçar a mensagem de cantores, que mesmo passando por problemas sérios em suas vidas, conseguiram transmitir uma mensagem que realmente precisava ser entregue para pessoas como elas, pessoas que necessitavam (ou necessitam) se fortalecer internamente para continuar lutando ou, simplesmente, vivendo.
Não sei se vocês conhecem a história da Whitney Houston. Por ser dona de uma voz linda e uma afinação impecável, ela se tornou uma das cantoras mais influentes do cenário mundial.
Fora da carreira artística, a vida de Whitney era bem conturbada. Na infância teria sofrido abusos, também haviam relatos de que ela não assumiu a bissexualidade devido à pressão da família, teve relacionamentos abusivos na fase adulta e adquiriu ao longo desse período um vício incontrolável por álcool e drogas. Todos estes infelizes ingredientes culminaram na morte da cantora em fevereiro de 2012 por afogamento em uma banheira após uma overdose.
Outro cantor dos nossos que teve a vida interrompida de forma precoce foi o Michael Jackson (MJ), sobre quem reza a lenda era amigo íntimo de Whitney. MJ também enfrentou traumas e passou por problemas psicológicos e, em consequência disso, passou a utilizar remédios controlados, chegando a uma morte inesperada em junho de 2009 com apenas 51 anos. Sem sombra de dúvidas M.J. foi um gênio da música. Eu ouvia, chorava, cantava e dançava ao som dele desde criança.
Praticamente todas as músicas dele são sucesso, mas eu queria destacar a canção “Man In The Mirror”.
“E nenhuma mensagem poderia ser mais clara:/Se você quer fazer do mundo um lugar melhor/Olhe para si mesmo e faça essa mudança” — Man In The Mirror
Quer um soco no estômago? É essa música! A gente fala muito de mudar o planeta, de fazer tudo certo, mas nunca estamos dispostos a mudar nosso próprio comportamento. Quem está disposto a abrir mão de conforto para deixar um irmão mais confortável?
A lista de cantores pretos que passaram por muito sofrimento em sua vida pessoal é longa. Billie Holiday foi uma delas e o vício em álcool a levou a morte. Poucos sabem que Marvin Gaye, com aquela voz de puro amor, teve depressão e depois de uma vida cheia de altos e baixos, acabou sendo assassinado pelo próprio pai. What`s Going On? (O Que Está Acontecendo?) Nós não sabemos! Né? Em falar no que está acontecendo, vocês assistiram o documentário “What Happened, Miss Simone?” (O que aconteceu, senhorita Simone?). Este documentário conta um pouco da história da deusa encarnada e cantora de jazz Nina Simone. Quem não viu, veja! Vale a pena! Além da chuva de músicas maravilhosas, da diferença que ela fez se engajando na militância pelos direitos dos negros, é possível ver também o quanto ela sofreu com a depressão e com o transtorno de bipolaridade. Com tudo que passou na vida, Nina ainda nos deixou músicas como “4 Women” “Revolution” “Mississippi Goddam” e interpretou “Ain’t Got No, I Got Life”.

Um salve para Jovelina Pérola Negra
“É…Foi ruim a beça/ Mas pensei depressa/Numa solução para a depressão/Fui ao violão/Fiz alguns acordes/Mas pela desordem do meu coração/Não foi mole não/Quase que sofri desilusão /Tristeza foi assim se aproveitando/Pra tentar se aproximar/Ai de mim Se não fosse o pandeiro, o ganzá e o tamborim” — Sorriso Aberto
Como na música interpretada pela Jovelina, quem nunca precisou se agarrar em algo para não se sentir afundando? Seja no trabalho, na música, em um esporte… Ou até mesmo em alguém? Vocês conseguem perceber o quanto o racismo consegue quebrar de diversas formas o nosso povo?
Então, tenho duas coisas para pontuar sobre esse texto, uma delas é: Cuide de você antes de enfrentar qualquer luta, sua saúde mental é essencial para lidar com os conflitos de um país racista. Para criar um espaço de antirracismo é praticamente uma Guerra, e do que adianta um soldado ir para Guerra com os dois braços quebrados? Fica difícil atirar, né? E quem não acerta, eventualmente, é acertado. Outra coisa é, assim com os cantores citados, que apesar de todo seu sacrifício pessoal conseguiram fazer a diferença. Tentem fazer a diferença ao menos ao seu redor. Comecem a fortalecer pelo menos os mais próximos de você, usem o conhecimento para multiplicar ao invés de dividir. “Ahhh mas isso é trabalho de formiguinha!” Amigos, vocês já observaram os formigueiros?! Geral faz sua parte e a comunidade funciona que é uma beleza! Sejam formigas!

