Projeto Dissecando o Racismo

Maicol William
Feb 8, 2018 · 4 min read

Um projeto que visa usar mitologia de Exu e fundamentos da capoeira em conjunto com a produção da intelectualidade negra no combate ao racismo

Os Encontros do I Ciclo

Nossa escola de capoeira e centro de educação em dinâmica racial começou 2018 toda trabalhada nessa maravilhosa novidade, que junta os fundamentos da capoeira mais ensinamentos da mitologia iorubá ao conteúdo da intelectualidade negra para educar as pessoas em relação ao racismo em uma série de 12 encontros, programados para o primeiro semestre desse ano, trazendo debates sobre algumas nuances muito importantes do problema racial em nossa sociedade. São dois encontros por mês, no geral, em dias consecutivos, o primeiro sendo aberto e o outro sendo mais íntimo, exclusivo para o povo preto. Segue a programação com datas e temas para o I Ciclo:

JANEIRO
21 — Apropriação Cultural
22 — Palmitagem

FEVEREIRO
24 — Racismo para além da intenção
26 — Colorismo

MARÇO
18 — Racismo: da Violência na Construção e Manutenção à Violência para a Desconstrução
19 — Racismo: da Violência na Construção e Manutenção à Violência para a Desconstrução

ABRIL
14 — Racismo e Apropriação Intelectual
16 — O Erro da Pirâmide de Opressões

MAIO
20 — A Primazia do Racial em Relação ao Social
21 — A Masculinidade Tóxica do Homem Negro

JUN
14 — Racismo em Negação – Há racismo mas não há racistas
15 — O Movimento Negro e a população negra LGBTQI+

Para cada encontro, faz parte da nossa cultura educacional divulgar com antecedência, na página do evento, amplo material de base — leituras, vídeos, fotografias — que ajudem as pessoas a se prepararem, para que possamos promover um debate sobre os temas em alto nível. Além disso, definimos um material para ser o centro gravitacional do encontro, cujos links são disponibilizados nos seu evento criado no face, num post fixo. Ainda, na página dos eventos, adicionamos diversos materiais complementares que contribuem para o melhor entendimento da pauta trabalhada. Tudo para que as pessoas possam chegar munidas de informação, de reflexões prévias sobre a mesma, para que a troca se dê em alto nível.

Dos Objetivos

Qual o objetivo de tudo isso? O objetivo principal é contribuir para que esses assuntos, cada vez mais, ao surgirem, tragam menos confusão e mais solução. E, já que falamos disso, qual o Orixá associado à confusão e também à solução? Exu! Sim, Exu. Ele, dentre muitas outras coisas, é ainda o Orixá da comunicação, que, dependendo da forma como a tratamos, pode nos levar à confusão ou à solução, assim, como o próprio Exu. Eis a grande metáfora. Quem faz o ebó — aqui metáfora para se informar, pois é assim que se alimenta a comunicação — encontra a solução. Quem não faz, a confusão. Valendo lembrar que Exu não é algo externo à gente, ele está em nós. Como regente do movimento, está nas nossas ações, que são regidas pela lei da compensação — da qual ele é o grande zelador. Assim, por ele, ninguém colhe o que não plantou. Não há de sair o que não entrou. Quem não cuida da ação, não pode se queixar da reação.

Nosso meio de alcançar nosso objetivo — contribuir para que tenhamos menos confusão e mais solução — é oferecer esses encontros e seus resultados — uma seleção do material veiculado, mais algo produzido, texto ou vídeo, com o saldo do respectivo debate — como um grande ebó, junto a essa proposta de filosofia e “pretagogia”, para que sempre, diante daqueles que venham se aventurar no tema, possamos indicar esse ebó, no sentido de “toma aqui, leia isso antes, que é uma reunião de alguns saberes essenciais sobre o tema, e depois a gente conversa”. Pense no quanto de confusão, com isso, iremos evitar e o quanto essa “metodologia” nos facilitará trabalhar soluções e rumar na melhor direção. Precisamos demais disso.

Exu é vida! É caminhos. Para o Movimento, é indispensável o Orixá do movimento. Sem ele, nada anda. Com ele, tudo se resolve. Por isso, em nossa escola, estudamos muito mitologia ioruba e, dentro dela, em especial, os itans de Exu, que encaramos como um arcabouço dos saberes mais essenciais para o combate ao racismo.Consequentemente, lutamos para promover os itans e seus saberes como fundamento para o Movimento Negro, sendo esses encontros, hoje, nosso principal meio de faze-lo, junto a nossas aulas de capoeira. Então, vem com a gente. Vamos caminhando juntos. Tá certo que o caminho é longo. Mas a caminhada, com Exu e nossa rapaziada, o que tiver de longa terá de proveitosa. Venha conferir.

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Espaço de divulgação para os textos e reflexões do Kilûmbu Òkòtó

    Maicol William

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