NOTA

BLACK FRIDAY 2021: COMO A DATA MUDOU DESDE A SUA CHEGADA NO BRASIL

Em crescente expectativa de crescimento, as compras online foram as grandes protagonistas desse ano.

Revista Torta
Jan 5 · 4 min read

Por Marcelo Fischer Salvatico

Editado por Arthur Almeida e Eduarda Motta

Para 2021, esperava-se que o Pix fosse escolhido em aproximadamente 25% das transações, porém, ele não chegou nem perto disso e o cartão de crédito continuou sendo o método mais escolhido. || Foto: Reprodução/Pixabay

Assim como diversos aspectos das nossas vidas foram alterados pelos efeitos da pandemia nesses últimos dois anos, com a economia não foi diferente. No país, até mesmo a data comercial mais importante do mundo, a Black Friday, foi impactada pelos reflexos do desemprego e da alta inflação, causados por um cenário político instável, visto a atual crise mundial.

Ainda assim, o comércio brasileiro seguiu com a tradição importada dos Estados Unidos, que vem se abrasileirando desde 2010. Assim como no exterior, a prática tem se adaptado e consolidado por aqui,estimulando os varejos a disponibilizarem descontos exorbitantes na quarta sexta-feira de novembro.

Mas como foi essa chegada? De onde surgiu essa tal de Sexta-Feira Negra? E como a edição de 2021 foi diferente?

O SURGIMENTO

A Black Friday acontece anualmente após o Dia de Ação de Graças (Thanksgiving), feriado estadunidense em que as famílias se reúnem para compartilhar momentos de paz e gratidão. A sexta-feira seguinte é a tão famosa Black Friday.

A data e o nome não têm uma relação direta com o feriado de Ação de Graças, mas, sim, com uma crise na Bolsa de Valores em 24 de setembro de 1869. Na ocasião, dois especuladores tentaram tomar o mercado de ouro na Bolsa de Nova York.

O nome se popularizou para os lojistas só a partir da década de 1960, na Filadélfia. Lá, os policiais começaram a chamar a data de “Black Friday” devido ao trânsito descomunal causado pelos consumidores. Houve uma tentativa de melhorar a imagem da data chamando-a de “Big Friday”, mas o termo não pegou.

E NO BRASIL?

Aqui, a primeira vez que os lojistas de e-commerce realizaram uma Black Friday foi em 2010. Ao contrário das grandes filas típicas de aniversário de supermercado que vemos durante a data nos EUA, o Brasil fez sua primeira Black Friday completamente online.

Na ocasião, cerca de 50 lojas online se juntaram e movimentaram mais de R$ 3 milhões. Já para o seu segundo ano, a previsão era de um faturamento 5 vezes maior, porém, em 2011, o país atingiu a incrível marca de R$ 100 milhões em faturamento. Seguindo essa tendência crescente, na última Black Friday antes da pandemia, em 2019, foram R$ 3,2 bilhões movimentados.

Porém, fruto da empolgação com os descontos inéditos, a população passou a ser suscetível a esquemas e golpes, acreditando em propagandas enganosas que prometiam uma falsa baixa nos preços.

É comum nos depararmos com os famosos produtos “dobro pela metade”. Nessa prática, é comum que as lojas online passem a aumentar gradualmente o preço de seus produtos alguns meses antes da Black Friday. Isso seria uma forma de evitar com que o “desconto” prometido gerasse mais perdas do que lucro.

A fim de esclarecer ao consumidor o histórico de preços de determinado produto, empresas como a ClearSale, especializadas em soluções antifraudes, atuam de forma a mostrar ao internauta se a porcentagem de desconto, de fato, condiz com o prometido. Um estudo feito pela mesma em 2021, com o intuito de alertar o consumidor, estimou que o número de golpes na Black Friday cresceria em 52%.

EXPECTATIVA X REALIDADE 2021

Em 2020, o primeiro ano da pandemia, o consumidor passou mais tempo na internet. Consequentemente, as vendas online também aumentaram e a Black Friday desse ano cresceu em 25% em relação ao ano anterior. Para 2021, a expectativa era de um aumento de, pelo menos, 14,7%.

Com os dados das 48h contabilizadas (da 0h da quinta-feira até às 23h59 de sexta-feira), o faturamento da Black Friday de 2021 foi de R$5,419 bilhões, o que representa um crescimento de apenas 5,8%.

O recorde na edição de 2021 não veio como o esperado no faturamento ou no volume de pedidos (que caiu 0,5% em relação ao ano anterior). A surpresa desagradável veio no número de reclamações. Segundo levantamento do Reclame Aqui, foram 9.690 denúncias entre às 12h de quarta e 21h de sexta.

Mostrando que as táticas dos varejistas estão mudando, o UOL mostrou em um relatório que 55% dos consumidores têm como principal fator de decisão para compra o valor do frete ou frete grátis. E realmente foi um fator decisivo: 66% das compras foram feitas com frete grátis e, quando o frete pago era pago, percebeu-se uma redução de 8%.

Em relatório, o Bradesco BBI avalia a Black Friday 2021 como decepcionante.

Passado mais de um mês desde a Black Friday, mapeamentos das principais compras de 2021 indicam novos costumes à rotina dos brasileiros, bem como revelam o otimismo para 2022.

Com o avanço da vacinação e uma perspectiva mais otimista da volta ao presencial, o brasileiro aproveitou as promoções de Moda e Acessórios. O setor ficou em primeiro lugar no ano passado, com mais de 2,5 milhões de pedidos. A vida em casa também mudou os desejos do público, já dois dos produtos do top 5 mais comprados desta edição foram aspiradores de pó e air fryer.

revistatorta

Democratizando o conhecimento!

revistatorta

Divulgando informações. Projeto de revista digital com contextualização e difusão acadêmico-científica. Venha fazer parte da Torta!

Revista Torta

Written by

Divulgando informações. Projeto de revista digital com contextualização e difusão acadêmico-científica. Faça parte da Torta!

revistatorta

Divulgando informações. Projeto de revista digital com contextualização e difusão acadêmico-científica. Venha fazer parte da Torta!