NOTA

O RÁDIO ESTÁ MORRENDO?

Do canal comunicacional mais importante do país aos podcasts: entenda qual o processo de transformação que a radiodifusão está passando no Brasil da atualidade.

Revista Torta
Dec 29, 2021 · 4 min read

Por Arthur Almeida e Eduarda Motta

Editado por Elisa Romera e Lorrana Marino

No Brasil, o rádio foi amplamente utilizado como canal de comunicação entre o Governo Federal e a população. Getúlio Vargas investiu bastante na implantação e na popularização do canal, criando, inclusive, um programa diário que perdura até hoje: “Hora do Brasil” (atual “Voz do Brasil”). || Foto: Reprodução/Pixabay

Com o avanço da internet e o seu formato multimídia de conteúdo, os meios tradicionais de consumir notícias e entretenimento foram obrigados a se adaptarem para continuar no mercado. Dessa forma, modelos mais antigos de comunicação, como jornais e revistas, passaram a ter versões digitais, a fim de reconquistar o público que migrou de canal.

Ameaçado de extinção desde a década de 1950, com a popularização da televisão, e com a mais recente explosão da internet e das plataformas de streaming, a radiofonia precisou adequar-se aos novos formatos para atingir esse novo público, que dispõe de diversas outras possibilidades de consumo de informação.

De acordo com o Inside Radio 2020, elaborado pelo Kantar Ibope, essa adaptação vem acontecendo satisfatoriamente. O consumo de rádio na internet ganha cada vez mais adeptos sem que seu modelo tradicional perca espaço nas casas brasileiras.

Segundo dados do levantamento, o consumo de rádio em sua forma tradicional ainda é bastante representativa no Brasil. Cerca de 78% da população faz o seu uso, sendo que três a cada cinco pessoas utilizam com uma frequência diária esse canal.

E mais: ele continua popular por se tratar de um meio “confiável” e com “acesso possível em vários lugares”. O estudo revela que 78% dos entrevistados escutam rádio em casa; 23% durante o transporte; e 10% no trabalho ou em outros locais.

Houve muito receio dentre os produtores de que a concorrência digital fizesse o rádio perder adeptos, porém, a possibilidade de ouvir as notícias online não prejudicou o consumo do meio tradicional. Segundo o levantamento, 81% dos ouvintes usam o rádio comum, mesmo com acesso à internet, 23% o celular e 7% o computador ou outros equipamentos.

“A rotina mudou e o rádio também se transformou para continuar fazendo parte dela, seja em novos horários ou locais de consumo”, pontua a diretora do Kantar Ibope Media no Brasil, Melissa Vogel.

O fenômeno dos podcasts

Os primeiros produtos audiofônicos digitais começaram a surgir em meados de 2000. Na época, os podcasts eram uma novidade bem nichada e acabava ficando restrita aos países desenvolvidos, como os Estados Unidos da América (EUA), em que os aparelhos eletrônicos portáteis já eram mais populares.

Segundo o Doutor em Comunicação, Micael Herschmann e o Doutor em Comunicação e Cultura, Marcelo Kischinhevsky em “A ‘geração podcasting’ e os novos usos do rádio na sociedade do espetáculo e do entretenimento”, a principal característica que fez com que se popularizasse esse formato é a abordagem para com os seus ouvintes.

Com linguagem próxima de seus consumidores, possibilidade de consumir sem limites de espaço ou tempo para estarem disponíveis para o público, temáticas intimistas e nichadas, além do investimento publicitário nesses programas, os podcasts foram conquistando, ano a ano, cada vez mais pessoas.

Segundo uma pesquisa da Globo, em parceria com o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), de 2019 para 2020, o Brasil ganhou mais 7 milhões de consumidores de podcasts. O estudo também aponta que 57% dos brasileiros começaram a ouvir podcasts durante a pandemia de COVID-19.

Se a influência do rádio nos podcasts já não era clara, vale aqui um destaque. Em abril deste ano, o Spotify — uma das principais (senão a principal) plataformas de podcasts — criou a playlist “Caminho Diário”, que promete unir “o melhor dos podcasts de notícias (…) com o melhor do streaming de áudio”. Te lembra algo?

Então… o rádio está em seus últimos momentos? Não! O rádio em seu formato tradicional continua a ter números expressivos e não perdeu seu espaço para os meios digitais. Os formatos audiofônicos mais novos (como os podcasts) são criados a partir das experiências vividas no rádio e, portanto, carregam consigo a sua essência.

Não se trata de uma ameaça, mas, sim, de uma oportunidade de reinvenção do rádio.

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