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REPORTAGEM

UM SINAL DE ESPERANÇA PARA TODOS: A POSSÍVEL VACINA CONTRA O HIV

Veja como a Ciência está a poucos passos de descobrir o imunizante que pode prevenir e salvar milhões de pessoas da AIDS.

Por Lara Duarte

Editado por Arthur Almeida e Eduarda Motta

O Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) é o causador da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Sida/AIDS) nos seres humanos. Atualmente, o número de brasileiros infectados é cerca de 920 mil pessoas, com a maior concentração entre jovens de 25 a 30 anos. Devido a uma grande preocupação do Brasil e de outros países, a corrida para a cura é constante, buscando a produção de novas vacinas.

Avanços

No dia 30 de novembro de 2021, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), aprovou um novo tratamento com um só comprimido. Ele promete simplificar o procedimento e diminuir a quantidade de vírus no organismo.

Uma conquista a ser comemorada, uma vez que, por anos, os portadores contavam com os chamados “Coquetéis” com uma média de quatro comprimidos diários.

Ademais, de acordo com os dados, o Brasil vem apresentando queda desde 2012 na quantidade de casos e mortes pela doença, provando-se referência no acesso e na qualidade de tratamentos gratuitos, oferecendo-os no Sistema Único de Saúde (SUS). Vale ressaltar que mesmo em um cenário de combate à pandemia de COVID-19, as ações governamentais continuaram.

O boom do HIV no Brasil

A AIDS começou a se disseminar no mundo em 1980, mas, aqui, a situação se agravou na década de 1990. De acordo com um estudo do Banco Mundial, a perspectiva era de mais de um milhão de infectados até o início dos anos 2000.

A pandemia do HIV tornou-se um grande problema de saúde pública. Mas, após 1995, com a distribuição de medicamentos antirretrovirais, houve uma desaceleração no número de mortes e também na infecção pelo vírus.

Os esforços das políticas sanitárias, como a oferta gratuita de remédios, preservativos e testes, foram imprescindíveis para que a previsão da pesquisa não se concretizasse na virada do século.

Além da doença, outro problema: o preconceito.

No início da crise, a quantidade de informações sobre a AIDS chegava a ser quase um papel em branco. Não se sabia, por exemplo, que uma das formas de propagação da doença é por meio da prática sexual desprotegida, independente da sexualidade do indivíduo.

Devido a uma elevada taxa de homens homossexuais infectados, muitos, erroneamente, acreditavam que a doença era exclusiva da comunidade LGBTQIA+.

Conhecida na época como “peste gay”, as camadas marginalizadas da sociedade eram as mais afetadas, muito por causa da falta de orientação quanto aos métodos que evitam a transmissão de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).

Assim, a comunidade trans, sobretudo mulheres e travestis negras, encontravam-se vulneráveis ao vírus, sem acesso à orientação e ao tratamento adequado. Unindo isso à transfobia frequente e violenta da época, o estigma contra esse grupo social foi ainda maior.

A comoção nacional só ocorreu, entretanto, quando grandes artistas brasileiros morreram de SIDA, tais como Renato Russo, Cazuza e Caio Fernando Abreu.

Desde esse período, o cenário social mudou muito e novas descobertas científicas foram capazes de proporcionar mais longevidade e qualidade de vida aos portadores do vírus.

Alinhado a isso, o país também desenvolveu um maior conhecimento envolta das pautas sociais, sobretudo aquelas que envolvem as sexualidades e as identidades de gênero que fogem do padrão cisheteronormativo.

Contudo, apesar desses avanços, o estigma social que se construiu nas décadas de 1980 e 1990 ainda persiste, mesmo que em menor escala, nos dias de hoje.

A vacina que pode mudar o futuro da AIDS

A pauta pela cura é de interesse global e alguns países protagonizam a busca pela vacina, como Argentina, Peru, México e Estados Unidos. O Brasil também está nesta lista, com oito centros de pesquisa.

O Hospital Emílio Ribas, em São Paulo, é um desses centros. A partir do estudo “Mosaico”, a instituição combina diferentes subtipos de HIV existentes no mundo para criar a sua versão do imunizante.

Segundo os cientistas, uma das dificuldades apresentadas, é a natureza mutável do vírus. O microrganismo sofre transformações e processos evolutivos com facilidade dentro do metabolismo humano.

Mais de 30 vacinas já foram testadas desde 1987, mas nunca estivemos tão próximos de resultados eficientes como agora.

Isso, porque, durante a realização dos testes, um adenovírus-26 foi alterado em laboratório. Na mudança, inseriu-se no microrganismo genes do HIV tipo 1 e, a partir disso, ele deveria ser capaz de criar imunidade contra o vírus, sem ser infectado.

A pesquisa da Mosaico tem como expectativa obter resultados animadores até 2023 e, assim, atingir uma porcentagem de proteção mínima de 65%.

Se a sua eficiência for comprovada, a vacina contra o desenvolvimento da AIDS será uma grande vitória científica a essa batalha travada há mais de 30 anos.

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