O Papa Francisco é Prog
A maior autoridade da Igreja Católica demonstra progressismo e não adota o desserviço prestado pela Igreja durante os últimos dois milhares de anos.


Uma vez que o capital se transforma em um ídolo e guia as decisões das pessoas, uma vez que a ganância pelo dinheiro governa todo o sistema socioeconômico, arruína a sociedade, condena e escraviza homens e mulheres, e destrói a fraternidade humana. — Papa Francisco
A postura de Jorge Mario Bergoglio, o Papa Francisco, evidenciou ao mundo que os Papas que o antecederam eram basicamente iguais. A impressão é de que eram clérigos coniventes à injustiça que assombra a humanidade.
Ostentavam esmeradas fardas, poltronas, colares e cajados de ouro, aliados ao conservadorismo, enquanto detentores da oportunidade de revolucionar a humanidade, por meio do vasto patrimônio e da influência ideológica da Igreja.




Quando o Papa Bento XVI abdicou ao papado em 28 de fevereiro de 2013, a Igreja Católica encontrava-se em crise. Não uma crise financeira, mas uma crise institucional. A Igreja fora atrelada a crimes de corrupção, nepotismo, pedofilia, e a postura de negação e encobrimento dos crimes já não surtiria mais efeitos.
O Escândalo Vatileaks [1] [2] [3] é um escândalo envolvendo documentos secretos que vazaram do Vaticano, que revelam a existência de uma ampla rede de corrupção, nepotismo e favoritismo relacionados com contratos a preços inflacionados com os seus parceiros italianos. Este termo foi usado pela primeira vez pelo porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, em comparação com o fenômeno Wikileaks.
(Wiki)
A influência e a moralidade da Igreja escoavam pelos ralos do Vatileaks. Era nítida a necessidade da reestruturação da Igreja Católica.
A fim de repaginar o visual da empresa, foi escolhido um homem progressista, que satisfaria em discursos e ações, que, por sua vez, ensejariam o esquecimento ou perdão das desumanidades cometidas pela Igreja (p. ex. inquisição).
Sendo ou não um golpe de marketing da Igreja a fim de maquiar a opinião popular, o Sumo Pontífice é formador de opinião, e guiará, em linhas gerais, o sim e o não de milhões de pessoas.
Entretanto, o progressismo de Francisco não é ilimitado. Como maior autoridade da historicamente mais conservadora instituição do globo, ele ainda mantém posições tradicionalistas.
- Francisco I segue tradição da igreja: contra camisinha, contraceptivos e aborto. (Pragmatismo Político, 2013)
- Papa diz que funcionários públicos têm direito de recusar licença para casamento gay por objeção de consciência*. (Época, Estadão)
* Objeção de consciência é um termo “sofisticado” usado para tentar legitimar a postura da tabeliã Kim Davis, que tentou impor um regime ortodoxo às suas tarefas como servidora de um Estado Laico.
Mas calma lá. Esses não são motivos para crucificar Bergoglio e deslegitimar o resto de seu discurso, como veremos a seguir.
O que pensa Jorge Mario Bergoglio?
Seus discursos sugerem que é adepto das teologias da Libertação, e da Missão Integral.
Teologia da Libertação é uma corrente teológica cristã nascida na América Latina, que parte de considerar que o Evangelho exige a opção preferencial pelos pobres e de especificar que a teologia, para concretar essa opção, deve usar também as ciências humanas e sociais.
É considerada como um movimento apartidário e inclusivista de teologia política, que engloba várias correntes de pensamento que interpretam os ensinamentos de Jesus Cristo em termos de uma libertação de injustas condições econômicas, políticas ou sociais.
Ela foi descrita, pelos seus proponentes como reinterpretação analítica e antropológica da fé cristã, em vista dos problemas sociais, mas, seus oponentes a descrevem como marxismo cristianizado. (Wiki)
Para a teologia da missão integral, a dignidade humana, o cuidado com o meio ambiente e a luta contra toda a forma de opressão e injustiça são aspectos indissociáveis da mensagem do Evangelho. (Wiki)


Papa nos EUA
O Sumo Pontífice realizou na manhã do dia 24 de setembro o primeiro discurso de um papa no Congresso dos Estados Unidos.
No Congresso dos EUA, Francisco, com a franqueza habitual, pediu vigilância contra qualquer tipo de fundamentalismo: “nenhuma religião é imune às diversas formas de aberração individual ou extremismo religioso. (…) Combater a violência realizada em nome de uma religião, uma ideologia, ou um sistema econômico e, ao mesmo tempo, proteger a liberdade das religiões, das ideias, e das pessoas requer um delicado equilíbrio sobre o qual temos que trabalhar”, afirmou.
(Dep. Chico Alencar)
Se é verdade que a política deve servir à pessoa humana, não pode ser escrava da economia e das finanças.
Por que armas letais estão sendo vendidas àqueles que planejam infligir incalculável sofrimento aos indivíduos e à sociedade?
Infelizmente, a resposta, como todos sabemos, é simplesmente por dinheiro: dinheiro que está encharcado de sangue. — Papa Francisco, em discurso no Congresso dos EUA. (The Nation)


No dia seguinte, 25 de setembro, nas Nações Unidas, o Sumo Pontífice proferiu mais um discurso revolucionário:
O abuso e a destruição do meio ambiente aparecem associados, simultaneamente, com um processo ininterrupto de exclusão. Na verdade, uma ambição egoísta e ilimitada de poder e bem-estar material leva tanto a abusar dos meios materiais disponíveis como a excluir os fracos e os menos hábeis, seja pelo fato de terem habilidades diferentes, seja porque lhes faltam conhecimentos e instrumentos técnicos adequados ou possuem uma capacidade insuficiente de decisão política. A exclusão econômica e social é uma negação total da fraternidade humana e um atentado gravíssimo aos direitos humanos e ao ambiente. Os mais pobres são aqueles que mais sofrem esses ataques por um triplo e grave motivo: são descartados pela sociedade, ao mesmo tempo são obrigados a viver de desperdícios, e devem sofrer injustamente as consequências do abuso do ambiente. Estes fenômenos constituem, hoje, a «cultura do descarte» tão difundida e inconscientemente consolidada.
Papa na Bolívia
[o capitalismo] é uma ditadura sutil. (...) impôs a lógica dos lucros a qualquer custo, sem pensar na exclusão social ou na destruição da natureza.
A primeira tarefa é colocar a economia a serviço dos pobres. Os seres humanos e a natureza não devem servir ao ‘Deus do dinheiro’. Precisamos dizer ‘não’ a uma economia de exclusão e desigualdade na qual o dinheiro domina, em vez de servir.
(The New York Times)


Papa sobre o aborto
O papa Francisco anunciou que durante a celebração do Jubileu da Misericórdia — que será realizado de 8 de dezembro a 20 de novembro de 2016 — todos os padres terão o poder de “absolver” as mulheres que cometeram “o pecado do aborto”, porque:
O perdão de Deus não poder ser negado a todo aquele que se arrepender.
Muitas delas têm uma cicatriz no coração por essa escolha sofrida e dolorosa
Para alguém que não tenha religião ou não acredite em divindade, isso pode parecer pouco. Entretanto, para as mulheres católicas essas palavras trazem conforto.
Até hoje, a Igreja Católica teve 266 (duzentos e sessenta e seis) Papas. Francisco é o primeiro a conceder o perdão pelo aborto, e você não vê isso como progressismo?
Sinto muito, mas a sua militância de esquerda vive na fantasia.
Testemunhe o progressismo de Francesco
- Papa concede perdão às mulheres que fizeram aborto. (El País)
- Papa denuncia o uso fraudulento da ONU para legitimar guerras. (El País)
- Em discursos inflamados, Papa condena capitalismo global. (The New York Times)
- Em discurso histórico no Congresso dos EUA, Papa Francisco pede abolição global da pena de morte e de comércio de armas. (El País, Opera Mundi, Época)
- Papa fala no Congresso dos EUA e pede fim de hostilidade aos imigrantes. (G1)
- O discurso histórico do Papa Francisco na Bolívia (Pragmatismo Político)
- Papa pede fim de crimes de pedofilia na Igreja Católica. (Agência Brasil)
- Papa diz que quem acoberta pedofilia na Igreja ‘é culpado’. (G1)
- Papa pede fim de conflito no Oriente Médio. (Gazeta do Povo)
- Papa Francisco pede que conventos que viraram hotéis paguem impostos. (Folha)
- Papa Francisco pede reforma no Conselho de Segurança da ONU. (Folha, iG)
- Papa critica organismos financeiros e [ab]uso do ambiente, em discurso na ONU. (G1, Valor)
- Discurso do Papa Francisco na ONU. (absolutamente sensacional!!!)
- Encontro histórico do Papa com Fidel Castro. (Pragmatismo Político)
- Papa defende fim do bloqueio dos EUA a Cuba. (Vermelho, Agência Brasil)
- Papa ordena primeira prisão dentro do Vaticano de acusado de pedofilia. (BBC Brasil)
- Papa Francisco: ateus não precisam crer em Deus para serem salvos. (Gnotícias)
- Papa defende financiamento público de campanha eleitoral. (Fórum, Terra, Diário da Manhã)
- Papa pede fim de armas nucleares e elogia acordo com o Irã. (Estadão)
- Papa Francisco defende reforma na Igreja Católica. (Jornal Nacional)
- Papa defende maior participação de laicos e mulheres na Igreja. (Estado de Minas)
- Pela primeira vez, Vaticano recebe grupo católico gay em audiência. (Folha)
- Papa defende serviço às pessoas e não às ideologias. (O Povo)
- Papa Francisco defende a mulher contra os estereótipos da sociedade. (Sputnik)
- O discurso do Papa em 10 frases. (El País)
- Do Bergoglio conservador ao Bergoglio liberal. (El País)
- Como a mídia conservadora dos EUA está recebendo o Papa? (Media Matters for America)
- Por que Cenk Uygur ama o Papa Francisco? (mídia alternativa The Young Turks)
- Bill Maher: Supply Side Jesus. (original, legendado em português)
O Papa é true rock
- Papa Francisco é capa da revista Rolling Stone. (G1)
- Não é piada: Papa Francisco vai lançar disco de rock. (Catraca Livre)
29/09/2015 11h41 - Atualizado em Os presidentes americano Barack Obama e cubano Raúl Castro durante encontro na sede da…g1.globo.com
Tratemos os demais com a mesma paixão e
compaixão com que queremos ser tratados.
Jorge Mario Bergoglio
Obrigado, Francisco I.
Guilherme Pandini.