Diversidade que se mede

Melina Cavalcante
Apr 6, 2018 · 3 min read

Nunca falamos tanto sobre a importância da diversidade no mundo dos negócios quanto na última década. A nível internacional, observamos que a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a Organização das Nações Unidas (ONU) e o Fórum Econômico Mundial reiteram a importância do pleno desenvolvimento econômico dos diversos grupos sociais, assim como oferecem diretrizes para a construção de maior equidade no mundo do trabalho. Organizações de segmentos variados são incentivadas a implementar ações para a construção de uma cultura inclusiva.

Transformar a diversidade em vantagem competitiva é um dos grandes desafios do nosso tempo.

Essa é uma transformação que acontece através dos diferentes sistemas, processos e práticas de Recursos Humanos. Mais do que nunca, portanto, somos convocados a repensar a maneira como conduzimos as ações de atração, seleção, o reposicionamento de iniciativas de retenção, desenvolvimento de carreira, e a atuar diante das reais motivações que impactam o engajamento dos colaboradores no ambiente de trabalho.

Desde sua construção, na Malasia, Mindvalley — uma organização global com foco em experiências de aprendizado — tem apostado fortemente na diversidade. Hoje, possui uma equipe de mais de 200 pessoas e com mais de 40 nacionalidades.

Apesar do discurso, no entanto, os avanços acontecem muito lentamente. Uma pesquisa realizada pela Ernst & Young* com 1.500 empresas americanas afirma que a representatividade feminina no board aumentou apenas 5% entre 2006 e 2014. No Brasil, o perfil social, racial e de gênero das 500 maiores empresas publicado pelo Instituto Ethos** sinaliza que o percentual de mulheres no quadro executivo se manteve estável entre 2010 e 2015 e não ultrapassou a faixa de 13%. Quando analisamos a intersecção de gênero e raça os resultados são ainda mais graves, a participação de negras no quadro executivo dessas empresas era de apenas 0,4%.

Afinal, por que não conseguimos fazer aquilo que falamos quando o assunto é diversidade?

Ações isoladas não provocam a transformação desejada. A organização deve, antes de tudo, compreender que diversidade é importante para o seu negócio. Feito isso, é fundamental desenvolver a consciência de onde está e ter clareza do objetivo que deseja alcançar. Quando não criamos parâmetros específicos de mensuração que permitam o acompanhamento e a comunicação dos resultados alcançados, temos um grande risco de alimentar uma desconfiança dos colaboradores e da liderança em relação ao tema que, apesar de estar em evidência, não se traduz em mudança na prática.

Coragem e autonomia são grandes aliadas para expor as dificuldades e enfrentar o problema, mas são necessárias ferramentas de gestão que permitam identificar as áreas e funções que apresentam maior desigualdade em relação aos indicadores de gênero, raça, classe social, sexualidade, pessoas com deficiência, idade…

Após a realização de um diagnóstico apurado, é chegada a hora de construir — e executar — os planos de ação. A área de recursos humanos pode se posicionar como uma grande influenciadora do programa, mas não como a “dona” dele, é fundamental que esse assunto seja responsabilidade de todos. Além disso, é necessário que a alta liderança esteja pessoalmente envolvida nas ações de diversidade.

Devemos tratar a diversidade como um indicador de performance da organização.

Precisamos sair do patamar de ainda discutir o “porquê” para juntos construirmos o “como”. O sentimento de que esse é o caminho certo não é suficiente para a implantação de um programa que funcione, devemos tratar a diversidade como um indicador de performance da organização. Somente quando é possível medir os avanços, começamos a, de fato, construir uma cultura organizacional que tenha a igualdade de oportunidades como fator de vantagem competitiva.

Melina é psicóloga, mestranda em Psicologia Social na USP e atua como consultora de diversidade e desenvolvimento humano nas organizações.

*Women on US boards: what are we seeing?. Ernst & Young, 2015.
**Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 maiores empresas do Brasil e suas ações afirmativas. Instituto Ethos, 2016.

O RHlab acredita em um RH multiplicador da diversidade e inclusãoTanto a diversidade como a inclusão aumentam a riqueza de ideias, o poder criativo, a capacidade de resolver problemas e o respeito pelos outros. Diversidade é inovação.

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A necessária injeção de oxigênio nas rodas de conversa sobre RH. Experimentação, Employee Experience e Futurismo.

Melina Cavalcante

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Mestre em Psicologia Social | Facilitadora de aprendizagem| Pesquisadora de carreira e gênero.

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