Retrospectiva 2017, as tendências que moveram o RH

Lud Pimenta
Jan 6, 2018 · 10 min read

Todo ano novas tendências do tipo i hope so surgem como guias, apostas, inspirações ou até metas para aquele ano. Tudo bem, eu particularmente gosto de ler sobre tendências, mas acredito que mais do que prevê-las, devemos assumir ao final o que, de fato, ocorreu. Por isso, resolvi fazer uma retrospectiva do RH de 2017 das tendências anunciadas versus as tendências que mais movimentaram.

Tá com pressa? Lá no final tem um resuminho :)


Overview: 2017 foi marcado por avanços tecnológicos, uma geração de profissionais com idéias diferente de como o trabalho deveria ser e downsizing. Coparticipando de tudo isso estava o RH, que cada dia mais, assume um papel volátil de moldar dinâmicas diferentes frente a um futuro do trabalho. Veja bem, a pouco tempo trás essa volatidade de ser era utilizada como solução para não mudar e simplesmente se adaptar. Ver o RH começando a se responsabilizar e ser protagonista de seu papel organizacional é lindo.

Legendas

1. Employee Experience (ou jornada do colaborador)

A jornada do colaborador é um conceito que rapidamente tem ganhado destaque nas conversas de RH e foi um tema central em 2017 nas organizações que priorizam a experiência do colaborador desde seu primeiro dia (ou contato). Liderança, aprendizagem, diversidade, employee branding (ou marca empregadora), estrutura organizacional e de equipes, mobilidade de carreira, serviços de RH, afetam holisticamente a experiência de um colaborador e em 2017, as organizações começaram a se concentram nesse aspecto do desenvolvimento organizacional. Organizações de alto desempenho, startups e até as mais tradicionais, introduziram formas de enriquecer a experiência do colaborador e criar um ambiente de trabalho produtivo e com propósito.

2. Redesenho do gerenciamento de desempenho e feedback

Tendência prevista para 2016, que também foi prevista para 2017 muito mais como uma súplica para que os RHs deixassem de rotular as pessoas pelas suas classificações nas avaliações de desempenho e que pudessem fornecer feedbacks relevantes e mais concretos para efetivamente ajudar as pessoas a melhorarem o desempenho.

A percepção de 2017 foram abordagens menos formal e mais flexível nas discussões de desempenho. Feedbacks trimestrais (ou até mesmo mensais) ganharam espaço frente aos sistemas anuais de gerenciamento de desempenho. Isso não só proporciona uma visão melhor do desempenho do colaborador como também favorece a comunicação, a colaboração entre equipes e uma cultura de trabalho mais saudável.

3. Um app pode fazer isso!

Se você, assim como eu é adepto aos apps, está muito feliz com este novo rumo :) Assim como previsto para 2017, a quantidade de soluções inteligentes de RH Tech está aumentando rapidamente assim como temos testemunhado um novo mercado de aplicativos digitais e móveis que ajudam os projetos de RH e proporcionam uma ótima experiência aos colaboradores.

Frente aos grandes sistemas de RH que são dispendiosos e levam muito tempo para a implementação (veja bem, se você tem dinheiro e é uma organização relativamente estável, talvez o investimento em um dos grandes sistemas vale a pena), os RH tem visto efetividade em combinar sistemas sólidos de RH para processos mais tradicionais como a folha de pagamento e soluções de RH mais inovadoras focadas em outros projetos.

Ainda há desafios: a lista de empresas de RH Tech ainda não é longa e eles ainda tentam convencer o RH (que não quer assumir riscos) e a TI (que não gosta de ter muitos provedores) para escolherem sua solução.

Por conta própria, o RH tem adotado o uso de apps para favorecer algum projeto interno da área:

Aplicativos de produtividade e colaboração: Slack, Trello, Basecamp, o local de trabalho do facebook, Asana e 15Five apoiam projetos colaborativos enntre equipes e oferecem plataformas atraentes para alinhamento de metas, gerenciamento de desempenho, aprendizado e outros processos tradicionais de RH.

Aplicativos de engajamento e feedback: novas ferramentas de feedback contínuo e rápido como a 15Five surgiram no mercado, fazendo com as pesquisas anuais se tornassem redundantes e obsoletas.

Aplicativos de gerenciamento de desempenho: uma série de aplicativos de gerenciamento de desempenho contínuo com ferramentas de feedback criadas por empresas como a Zugata, Highground, BetterWorks, Workboard e a brasileira Impulseup, começaram a ser aceitas no setor. Mas para as empresas brasileiras ainda estão em fase incipiente.

Crítica: Porque raios eles estão usando a mesma imagem na tela principal do site? Cadê a criatividade? Ponto negativo para eles.

4. Design Thinking para apoiar o RH

De acordo com a pesquisa da Deloitte, Global Trends of Human Capital em 2017, 79% dos executivos classificaram o design pensando em uma questão importante ou muito importante. Em palavras simples, o Design Thinking estabelece o foco a partir do usuário e a experiência que ela vai viver, e não o processo. E esse é o conceito que muitas organizações adotaram para projetar suas políticas relacionadas aos colaboradores.

Em 2017, gestores de RH começaram a adotar o Design Thinking, alguns até estão a um passo adiante colocando em prática este método de forma mais madura para aplicar e gerar mais impacto em seus projetos.

5. People Analytics pode ser o pulo do gato

Tendência prevista também pelo relatório da Deloitte, quase um terço das organizações entrevistas (32%) disseram que estavam prontas para começar a usar análises preditivas. Em 2017 pudemos perceber um reconhecimento crescente sobre os profissionais de RH que possuiam experiência ou habilidades em dados. O número de organizações que alavancaram (ou estão em vias de) dados sobre sua força de trabalho para melhorar seus sistemas, processos, políticas e operações aumentaram enormemente, fortalecendo assim o papel dos dados nos próximos anos.

A análise preditiva tem imenso potencial e fornece métricas que colocam o RH em outro nível no futuro.

6. A tecnologia como forma de mover o trabalho para além do escritório

Ao contrário da previsão de que espaços abertos iriam deixar de existe e todo mundo voltaria para o escritório, estudos sobre o teletrabalho tem apresentado dados três vezes maiores em relação a 1996. Arranjos e horários de trabalho mais flexíveis foi uma conquista de 2017, uma vez que a tecnologia permitiu que as organizações não se restringissem à mobilidade geográfica. Foco maior no trabalho realizado e não no tempo disponível.

Olha a treta: Tudo bem, eu entendo os motivos da tendência de 2017 ser o fim do trabalho em "espaços abertos". Explico…de um lado estão as pessoas querendo trabalhar de acordo com suas preferências individuais e necessidades pessoais (individualização foi uma tendência apostada também em 2016 e novamente em 2017), por outro lado está o RH que ainda tem dificuldade em lidar com toda essa individualização. A cultura organizacional gosta de igualdade, transparência e o RH ainda tem essa cultura maternalista de ver todos os seus "filhos" juntos, o que não se encaixa muito bem com esta abordagem mais individual. Desafio? Para os Designers organizacionais em oferecer mais criatividade e flexibilidade aos escritórios e para o RHlab em oferecer ferramentas e suporte aos profissionais de RH para conseguirem adotar esta visão individualista. Desculpa (#sqn), não podia perder essa oportunidade de vender meu peixe :P

7. Aprendizagem digital reinventou o T&D

Já não é de hoje que a aprendizagem digital tem crescido a passos de formiga, tanto que passou batido nas predições do ano. Grande engano, foi um grande avanço de 2017 a aceitação da aprendizagem digital em organizações após anos sendo tratada como uma alternativa menos desejável que a sala de aula. Foram introduzidos LMSs e MOOC inovadores, interativos e que estão tendo bastante aceitabilidade dos usuários. Vale lembrar que a aprendizagem digital é extremamente acessível, eficiente e atende as expectativas das novas gerações. Alguns dos sites de aprendizado B2C que tiveram bastante sucesso com este crescimento foram o Coursera, e Udemy.

8. Diversidade redefinida

Eu sei que falar de diversidade principalmente depois do ocorrido na festa de final de ano da Salesforce Brasil pode ser um assunto polêmico. Porém, 2017 veio para mostrar que a diversidade não é apenas orientada pela demografia mas sim, pode ser aplicada de outras formas. Um dos focos das organizações foi em alavancar o potencial dos colaboradores ao reconhecer e encorajar outras formas de pensamento e idéias. A rede hoteleira Marriott International, por exemplo, recebeu mais de 15 prêmios nacionais sobre diversidade e excelência no trabalho em 2017 por defender um ambiente multicultural e a diversidade de gênero. A Mindvalley Academy também prega um ambiente multicultural e ainda utiliza este aspecto para atrair outras pessoas que estejam alinhadas ou querem viver esta experiência. Outras empresas como a Microsoft e a Salesforce, redefiniram recentemente suas políticas para incentivar diversos talentos, concentrando-se nas minorias, mulher e apoiando a igualdade LGBT. Vale lembrar que em um estudo da Mckinsey, indicou que organizações com maior diversidade racial e étnica estão 35% mais propensas a ter retornos financeiros acima das respectivas medianas nacionais da indústria.

Muito o que falar sobre diversidade, muitos desafios e pouco estudo sobre o que de fato é o atributo de diversidade. Vale com certeza outro artigo só sobre isso, mas aqui finalizo dizendo que nunca foi tão falado e passou batido nas predições de 2017.

9. Aversão a Algorítmos

Apesar de ser uma tendência previstas para 2017, e eu concordo em parte, não tivemos muito burburinho sobre isso este ano. Até mesmo porque toda essa onda de novidades sobre algorítmos e chatbots tem sido foco de interesse de todos. Sobre a tendência, disseram que haveria uma aversão aos algorítmos, pode ser até um medo do desconhecido. Mesmo quando um algoritmo supera o julgamento humano, as pessoas tendem a confiar melhor no julgamento humano (especialmente em seu próprio julgamento). A parte que eu concordo é que a aversão ao algoritmo é também um dos obstáculos no uso da análise de pessoas. Se o RH fornece informações sólidas, muitos gerentes ainda tendem a confiar em seu próprio julgamento. Mas será que os gerentes estão desacreditando dos algorítmos ou do RH? Isso sim é um tópico importante para 2018.

10. Propriedade de dados e a privacidade

Dentre as tendências de 2015, identificaram que a privacidade não seria uma questão muito importante para o ano. Já em 2017, previram que haveriam mais discussões sobre privacidade e propriedade de dados. Bem, é um assunto muito importante de fato, mas que não obteve o foco que precisava este ano. A cada dia que se passa, não só o RH mas aplicativos móveis ou provedores dos mais diversos serviços estão coletando mais e mais dados sobre seus usuários. Dados que são captados em tempo real para serem usados também de forma rapidamente. Faz um teste! Pesquise no google sobre algum produto (um sapato, um cosmético, um livro, um carro, etc). Pode ter certeza que anúncios parecidos apareceram em outro lugar, ou no google, no facebook. Isso também tem acontecido nas organizações com os seus colaboradores, mas no Brasil, acredito que de forma mais iniciante. Sobre a tendência, previram que os colaboradores começariam a se questionar sobre os dados. Mas, aqui no Brasil, não percebo ainda isso como uma questão para os trabalhadores (até queria que essa crítica fosse maior por parte dos profissionais).

O que podemos ver no futuro é que o usuário se dispõe a compartilhar dados que tenham benefícios claros para ele. Por exemplo o Netflix, já que ele usa dos dados para fornecer séries que tenham maior compatibilidade com sua preferências.


O que você precisa tirar deste artigo, dentre as tendências bem sucedidas estão:

1. Employee Experience (ou jornada do colaborador) — priorização da experiência do colaborador desde seu primeiro dia (ou contato).

2. Redesenho do gerenciamento de desempenho e feedback — abordagens menos formal e mais flexível nas discussões de desempenho.

3. Um app pode fazer isso! — Abre-se espaço para soluções inteligentes de empresas RH Tech frente aos grandes sistemas de RH e o uso de aplicativos para suportarem alguma parte dos processos ou projetos de RH.

4. Design Thinking para apoiar o RH—O foco no usuário (ou no colaborador) e na sua experiência cada dia mais está sendo utilizada como ferramenta para apoiar o RH em seus projetos.

5. People Analytics pode ser o pulo do gato — Aumenta o número de organizações usando dados para melhorar seus sistemas, processos, políticas e operações .

Passou batido nas previsões…

6. A tecnologia como forma de mover o trabalho para além do escritório —Arranjos e horários de trabalho mais flexíveis tem sido cada vez mais pauta do RH, uma vez que a tecnologia permitiu que as organizações não se restringissem à mobilidade geográfica.

7. Aprendizagem digital reinventou o T&D —Valorização da aprendizagem digital nas organizações e introdução de LMSs e MOOCs inovadores, interativos e com bastante aceitabilidade dos usuários.

8. Diversidade redefinida—2017 veio para mostrar que a diversidade não é apenas orientada pela demografia e várias organizações oferecendo ambientes multicultural e de diversidade de gênero.

Era para ser tendência mas nem foi tanto assim…

9. Aversão a Algorítmos — Mesmo quando um algoritmo supera o julgamento humano, as pessoas tendem a confiar melhor no julgamento humano (especialmente em seu próprio julgamento).

10. Propriedade de dados e a privacidade Previram discutir sobre privacidade, mas não conversaram tanto sim e cada dia que passa, não só o RH mas aplicativos móveis ou provedores dos mais diversos serviços estão coletando mais e mais dados sobre seus usuários.

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Lud Pimenta

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RHlab proud founder :) buscando caminhos para @umnovorh.

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A necessária injeção de oxigênio nas rodas de conversa sobre RH. Experimentação, Employee Experience e Futurismo.

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