Três formas que a tecnologia no RH está redefinindo a experiência do colaborador

Lud Pimenta
Jul 3, 2017 · 5 min read

No último relatório da Deloitte HR Technology Disruptions para 2017 a mensagem é muito clara: há uma tremenda mudança em reconhecer e priorizar o poder da experiência de trabalho dos colaboradores e com isso vem uma grande evolução das ferramentas de RH como suporte para a gestão. Diante das mudanças, os avanços tecnológicos são os mais importantes em 3 áreas: recrutamento, treinamento e manutenção do bem-estar dos funcionários.


1. Recrutamento inteligente e divertido

As empresas devem adotar novas tecnologias para tornar a contratação verdadeiramente experiencial e que possam apoiar o branding da organização

De acordo com o próprio relatório, a cada ano, mais de dois terços das grandes empresas deixam de usar o seu atual software de gestão por não estarem suprindo as necessidades do RH — aquele que faz o mamão com açúcar: coleta, triagem e armazenamento de currículos. No lugar, novas ferramentas cognitivas e com funcionalidades avançadas e que oferecerem análises avançadas de perfil para o recrutamento e seleção estão ganhando espaço. Tais ferramentas podem agilizar o processo quando muitos candidatos devem ser entrevistados e torná-lo mais eficiente em termos de escolha dos mais adequados com base em uma análise avançada e consequentemente mais acertada (que é o grande objetivo de uma seleção).

Algumas consultorias brasileiras (a 99jobs, por exemplo) já oferecem ferramentas que analisam o quão bem os candidatos se encaixam no ambiente, equipe ou até mesmo nos valores organizacionais da empresa na fase de pré-entrevista. As ferramentas da Pymetrics através da aplicação de jogos neurocientíficos + grandes dados, ajudam tanto o empregador quanto o candidato, a estimarem o quão proveitoso será o novo contrato. Avalia também em qual empresa aquele candidato terá o maior desempenho.

Além disso, as entrevistas com tecnologia podem se tornar uma experiência verdadeiramente empolgante para contratar e, portanto, podem ajudar a moldar e sustentar o branding da organização. Um exemplo muito bom é a a campanha de contratação da Heineken de 2013. Se você nunca viu, dá uma olhada aqui:

Se você achou demais, eles não pararam por ai e recentemente lançaram o "Go Places" que merece um post só para falar em detalhes sobre o que foi essa campanha de recrutamento. Mas resumidamente, eles fizeram um teste de vídeo online e interativo, onde o candidato em apenas 1 minuto, deve responder 12 perguntas baseadas no modelo do Eneagrama. Você também pode passar pela entrevista clicando aqui.


2. Aprendizagem contextual e envolvente

Para satisfazer as necessidades dos colaboradores para o desenvolvimento pessoal, as empresas estão reconsiderando seu gerenciamento de aprendizagem para ir além das práticas tradicionais e fornecendo ferramentas para aprendizagem contextual e envolvente como proposta para acelerar o processo de aprendizagem das competências dos colaboradores e prepará-los para o trabalho.

O Modelo de Aprendizagem Contextual foi desenvolvido principalmente por dois pesquisadores americanos, John Falk e Lynn Dierking, do Institute for Learning Innovation e baseia-se na idéia de Free-Choice Learning, ou seja, aprendizagem de livre escolha, voluntária e não sequencial.

De acordo com o relatório, as oportunidades de aprendizagem em um local de trabalho tornaram-se critérios fundamentais para os Millennials escolherem seus empregadores. À medida que o ambiente de trabalho se torna mais dinâmico, o aprendizado deve, portanto, ser colaborativo, virtual e contextual.

Desde 2009, houve uma queda de 77% dos treinamentos corporativos liderados por instrutores para apenas 32%. Os departamentos corporativos de TD&E começaram a reconhecer a necessidade de redesenhar seus sistemas de treinamento de modo a fornecer uma experiência de aprendizagem integrada e contínua.

A tecnologia reage com opções mais flexíveis e atraentes, suportadas pelas últimas tendências:

  • Plataformas de curadoria e agregação de conteúdos. Por exemplo o Pathgather e Degreed que criam trilhas de aprendizagem, disponibilizam conteúdos curados e auxiliam no aprendizado.
  • Uso de simulações e outros tipos de realidade aumentada;
  • Aumento do interesse pela aprendizagem contextual. A plataforma Indiana de aprendizado Knolskape, por exemplo, oferece pequenos “momentos” de aprendizagem no trabalho, dentro da função diária, fazendo com que a resposta e os resultados de aprendizagem sejam imediatos, permitindo uma manutenção da motivação para aprender.

3. Foco no bem-estar dos colaboradores para uma maior produtividade

O uso de apps orientados para fitness/ bem-estar já é realidade nas organizações para promover bem-estar, produtividade e possível retenção dos colaboradores. É claro que isso sozinho pode não ter tanta força, mas é um bom começo de jornada: genuinamente pensar na vida saudável do colaborador.

Josh Bersin prevê que, em 2017 (se liga que estamos já no meio do ano), haverá um aumento nas tecnologias para gerenciar o bem-estar dos colaboradores, o equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal e o desempenho pessoal.

No ambiente de trabalho cada vez mais complexo, o ambiente empresarial agradável, confortável e que promova o bem-estar torna uma maneira de sustentar o branding da organização e aumenta o envolvimento da equipe. Muitas empresas já introduziram, por exemplo, ferramentas de melhoria de desempenho e dispositivos digitais para permitir que os colaboradores criem e gerenciem desafios de fitness, além de compartilhar e discutir suas conquistas com os colegas.

Os aplicativos de bem-estar e fitness ajudam a manter a produtividade e o bem-estar dos colaboradores com idéias orientadas por dados e dicas saudáveis ​​durante o horário de trabalho. Tendo em vista os altos custos de recrutamento, investir em bem-estar parece um ato razoável destinado a retenção de colaboradores. Por exemplo o aplicativo que estimula os colaboradores a irem de bike para o trabalho, em troca, cada pedalada vira pontos para um programa de reconhecimento e recompensa.


Prepare-se para acompanhar as disrupturas de RH

É provável que ferramentas de bem-estar, aprendizado e gerenciamento de desempenho tornem-se uma única plataforma, pois todos eles estão configurados na prática para oferecer suporte aos colaboradores no que diz respeito a melhora da produtividade individual, ao mesmo tempo que introduz novas métricas não triviais para análise da personalidade dos colaboradores (por exemplo o Eneagrama).
Além disso, é importante não se distrair com a abundância de ferramentas: mantenha-se atualizado mas verifique o que melhor te atende, enquanto RH.

E você, do RH? Já pensou em desenvolver estas ferramentas? Falar em tecnologia para muitos ainda pode ser um tabu, mas um passo inicial para alguns pode ser uma solução eficiente para outros. Pensa nisso!

Lud Pimenta

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RHlab proud founder :) buscando caminhos para @umnovorh.

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A necessária injeção de oxigênio nas rodas de conversa sobre RH. Experimentação, Employee Experience e Futurismo.

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