Que tipo de semente você é?
Dos pontos cegos no caminho

Quem dedica algum tempo à prática da meditação invariavelmente passa por momentos incríveis de descobrir-se mais focado, tranquilo e feliz. (Essas geralmente são as primeiras percepções.) E aí vem a certeza de que estamos no caminho certo. :)
Mas também existirão momentos de dor, descrença e dúvida. E, com eles, talvez a percepção mais reveladora desse pacote: a de que, quanto mais praticamos, menos certezas temos. E aí surge a desconfiança de que estamos perdidos no caminho. :(
"O que eu não estou vendo?"
Na minha experiência, essa pergunta surgiu num momento de aparente "estagnação" na prática, aliado a circunstâncias de vida estressantes. Era a sensação de que existia alguma coisa passando despercebida. Algum ponto cego. Alguma falha que eu não estava enxergando.
Os pensamentos seguintes foram:
"A vida (mundana) está atrapalhando minha prática (meditativa)."
"Eu deveria praticar mais, mas não consigo."
"Preciso mudar de vida, ou desistirei do caminho."
"Estou perdendo tempo."
Por trás desses pensamentos está a crença de que a vida mundana é uma coisa, e a prática meditativa (ou espiritual) é outra. E essa separação entre elas aumenta todo tipo de dicotomias, dores e sofrimentos na nossa experiência. Ficamos fracos.
Se pudermos enxergar que existe apenas uma vida, aqui e agora, multifacetada mas íntegra, em que o mundano não está separado da realização do que quer que almejemos, esse se torna um divisor de águas (ou um encontro de águas?) rumo a uma experiência integradora.
Se a sua vida está muito distante da sua prática, você deveria olhar para isso.
Mas se continuarmos sedentos pela realização que só se manifesta sobre o zafu, durante o retiro, longe da família e do trabalho, esse anseio pode se tornar nosso maior obstáculo.
"Certo. Já percebi o que eu não quero mais... Mas eu não sei o que eu quero", foi minha queixa de outro dia a uma pessoa.
Ela respondeu: "A semente não sabe que árvore vai ser. Apenas brota, cresce, e torna-se árvore."
Você consegue ver que, independente do tipo de semente que for, já tem tudo o que precisa para ser a árvore?

