Construa seu caminho para ser feliz (Verdades quase sempre esquecidas 3)

Dois monges, um mestre e seu discípulo, estavam fazendo uma longa viagem a pé e, em determinado ponto de sua viagem, precisaram atravessar um rio, não muito profundo, mas que ao entrar nele, molhariam o corpo todo, sendo preciso certa perícia para resistir à correnteza.
Nas margens desse rio encontraram uma mulher muito jovem e bonita que explicou que também desejava atravessar o rio para um compromisso bastante importante, porém, como não sabia nadar, tinha bastante medo de ser levada pelas águas e não havia nenhuma ponte próxima.
O jovem discípulo, seguindo a tradição e regras monásticas que lhe impunham o celibato, nem ao menos olhava a jovem moça nos olhos e permaneceu mudo, ignorando a solicitação da moça.
Já o velho mestre, ofereceu-se para levar a moça em seus ombros, pois assim ela poderia fazer a travessia sem medo. E assim foi.
Já do outro lado da margem, os dois monges estavam ensopados até a altura do peito enquanto a moça havia apenas molhado seus pés. Esta curvou-se em agradecimento e dirigiu ao velho mestre um olhar de carinho e gratidão que o jovem discípulo jamais esqueceria.
Despediram-se e tomaram então caminhos diferentes.
Após dois dias de caminhada, o jovem discípulo não conseguiu mais segurar sua indignação e disse: “Mestre, não consigo entender como o senhor pôde tocar aquela moça nas margens do rio. Nossa tradição não permite o contato físico com mulheres”.
O mestre então parou, olhou o discípulo como quem já sabia o que lhe ia na alma e disse: “Eu a deixei do outro lado da margem há dois dias, mas você continua carregando-a”.

No primeiro texto desta série eu tratei das frustrações que muitas vezes acometem as pessoas que decidem mudar o rumo de suas vidas, não só por causa da situação atual como também pelo processo de busca por caminhos e alternativas.

No segundo texto eu abordei o quanto esse processo pode ser otimizado quando mudamos a abordagem mental, proporcionando atitudes realizadoras e fazendo com que a mente funcione como um filtro que conecta essa abordagem com outros conteúdos que chegam de fora e de dentro para potencializar o poder de realização.

Mas, e quando já tendo escolhido seu caminho, os resultados ainda não começaram a aparecer ou quando aparecem, ainda são muito tímidos? Ou mesmo tendo escolhido seu caminho, você não sabe por onde começar. O que fazer nestes casos?

É disso que trata esse texto e o conto da abertura.

Esse conto pode ser usado em muitas reflexões, mas eu vou usar aqui a abordagem da importância de termos um modelo a seguir.

Notem que o jovem monge já fez sua opção de vida. Quer ser um monge e se esforça bastante por isso. Podemos ver que ele leva a sério a forma de vida de um monge e busca seguir à risca esses preceitos.

Oras, qual é o resultado que espera um monge ao fazer a opção de seguir o caminho da vida monástica? Obter o samadhi e consequentemente o nirvana, a iluminação.

Podemos notar que ao jovem monge ainda faltam conteúdos e atitudes para chegar ao seu objetivo, porque mesmo sabendo o caminho a seguir, ele ainda está preso ao formalismo da prática não tendo compreendido sua essência.

É aí que entra o importantíssimo papel do mestre, que ao ser observado, fornece ao discípulo parâmetros que ele não conhecia.

Eleger alguém para “modelar” (usar como modelo) é muito útil para que possamos potencializar a obtenção de resultados nos objetivos que almejamos.

Seja qual for o objetivo que você tenha estabelecido para si, ter alguém para seguir como modelo é fundamental para que você possa entender coisas que levaria muito tempo para o fazer ou mesmo poderia não conseguir esse entendimento.

Quando dei aulas na faculdade um dos primeiros temas abordados era a importância de modelos (no caso, de sistemas) para simplificar a representação da realidade e por conseguinte, seu entendimento.

Se o seu modelo for alguém próximo, que você pode observar agindo no dia a dia, isso é realmente ótimo, mas caso não seja possível, seja pela distância espacial ou temporal, busque estudar seu modelo profundamente, entender sua forma de pensar, agir, sentir e obter os resultados que você também almeja.

Como essa pessoa conseguiu obter os resultados que obteve? O que ela fez? Quais foram as fontes onde bebeu? Que circunstâncias estavam envolvidas? Quais e que tipo de relacionamentos estabeleceu?

Essas são perguntas chave para que você possa imiscuir em si os fatores que poderão te ajudar a obter os resultados que almeja.

Ao ler o rascunho desse texto minha esposa disse algo que resolvi acrescentar. Ela sinalizou que a sensação que temos de que nosso objetivo é possível é fundamental para que possamos continuar no caminho. Se essa pessoa conseguiu, porque você não conseguiria?

Lembre-se do segundo texto dessa série, onde eu explico o quanto ter isso em foco potencializa seu poder de realização.

Note que não estamos falando aqui de simplesmente sair imitando alguém. É muito mais profundo do que isso, pois apenas imitar pode nos limitar aos resultados que o jovem monge vinha obtendo até compreender as ações de seu mestre profundamente.

Obviamente você não precisa ter apena um modelo a seguir, até porque nossas vidas são multifacetadas e dificilmente possuímos apenas um objetivo. Esse processo de modelagem pode abrangem áreas distintas, como produtividade, finanças, carreira, família, relacionamentos, etc.

O segredo para modelar bem, é buscar compreender profundamente o modelo que elegemos e no caso de haver mais de um, buscar harmonizar suas características em nós mesmos, de forma a conseguir os resultados almejados.

Essa harmonização pode passar, inclusive por estabelecer quais parâmetros dessa pessoa não vamos modelar por não estarem em consonância com nossos valores, algo realmente muito importante nesse processo todo, mas é importante entendermos também em que grau esses parâmetros excluídos podem influenciar a obtenção dos resultados, o que nos leva à reflexão sobre a real importância dos resultados almejados e da adequabilidade do modelo escolhido.

Escolha com sabedoria.

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Abraços.