Você sabe o que é um Boca e River?

Esqueça, pode procurar, mas não irá achar uma final como a de amanhã na Libertadores, entre Boca Juniors e River Plate. E vale entender um pouco o porquê.

É a primeira final entre dois clubes da mesma cidade na competição continental, a terceira entre clubes do mesmo país — 2005 (São Paulo x Atlético-PR) e 2006 (São Paulo x Internacional).

Os dois times são os dois maiores rivais da Argentina e — porque não, da América latina? — representam quase 75% dos argentinos. Na Libertadores, são 28 encontros, com 10 vitórias para cada lado.

Boca e River são os dois clubes mais internacionais da América latina. Esqueça Flamengo e Corinthians, os times com maior número de torcedores, os argentinos são mais conhecidos.

Desde 1908, embora existam números diferentes, são 133 vitórias do Boca, 123 do River e 114 empates, somando competições e amistosos.

Na semifinal da Libertadores de 2004, com Schelotto em campo pelo Boca e Gallardo em campo pelo River, o Boca avançou no pênaltis e a comemoração de Tevez marcou a história do duelo.

Em 2016, o River venceu o primeiro jogo por 1x0 e o segundo, na Bombonera, não terminou por conta do gás de pimenta da trocida xeneize e a classificação ficou com o River.

O Boca Juniors conquistou 6 libertadores, 4 delas nas últimas 17 edições. O River soma 3, a última em 2015. Se o time xeneize vencer empata com o maior vencedor da competição: o Independiente também argentino com 7.

O Boca Juniors joga o primeiro jogo em casa e coloca em campo toda a qualidade do ataque como o trunfo na decisão. Benedetto, o carrasco palmeirense, deve continuar na reserva, mesmo assim pode ser o homem decisivo na final. Ao lado dele a velocidade dos pontas Pavón e quem Schelotto preferir, são certeza de muitas jogadas pelo lado do campo. O meio é mais físico que criativo, a defesa tem alguns elos fracos também. Vai depender também de Barrios fazer um boa saída de bola. Vencer em casa é fundamental.

Rossi; Jara, Izquierdoz, Magallán e Olaza; Barrios, Nández e Pérez; Villa, , Wanchope e Pavón.

O River Plate parece favorito. O adversário argentino tem um elenco com mais jogadores habilidosos e mais criativos. Quintero, Pity Martinez, Fernández, no ataque Scocco e Pratto. É um time que gosta de ter a bola e encontrar espaços, mas sabe contra-atacar quando precisa — fez isso contra o Racing nas oitavas. Além disso o time de Gallardo, apresenta muita valentia e costuma reverter placares.

Armani; Montiel, Maidana, Pinola e Casco; Nacho Fernández, Enzo Pérez; Pratto, Palacios e Pity Martínez; Borré.
Último duelo entre os clubes teve vitória do River, no campo do Boca

A final terá torcida unica. Assim como no Brasil em alguns clássicos a medida é utilizada na Argentina — Imagina se a final fosse em um jogo só?

Você pode achar finais com mais qualidade técnica, porque realmente existem, o futebol sul-americano não consegue segurar os craques há muito tempo. Mas a rivalidade e a tradição sempre fazem do futebol algo maior. Esse jogo se tratá disso.