Opera RPG — a saga da criação de um sistema

Já ouviu falar do OPERA RPG? É um sistema de RPG genérico e nacional que já é bem famoso pelas InterWebs da vida. E você pode estar pensando “Os caras criaram um sistema de RPG, grandes coisas. Tem mais um milhão de sistemas por aí”… Mas nem tudo são flores e, como diria um certo sábio, a vida é uma caixinha de surpresas…

Lá pelos idos tempos de 1990, quando você ainda era um pequeno padawan engatinhando de fraldas (ou não), um grupo de amigos jogava o famoso e saudoso Dungeons & Dragons sempre que podiam. Como era de se esperar, chegou um tempo em que os Observadores, como se autodenominaram, queriam mais, e foram atrás de outros sistemas, assim chegando ao tão temido GURPS.

Se o D&D era fácil e rápido, o GURPS era mais completo e universal. Mas se cada sistema tem suas vantagens, também tem suas desvantagens. Então, porque não fundir os dois e criar um sistema genérico, realista, porém rápido e divertido? E foi assim que nasceu o Opera…

#sóquenão…

Leonardo A. Andrade e Rogério M. Godói, dois integrantes da Confraria dos Observadores, perceberam que a fusão não estava dando certo, pois não atendia o que eles buscavam, então decidiram recomeçar do zero. Rogério bolou regras básicas, Leonardo sugeriu alguns ajustes e, em 1994, com ajuda de outros Observadores, nasceu o Opera, mas somente em 1996 Leonardo e Rogério conseguiram apresentar um sistema completo. Missão cumprida! #sóquenão outra vez…

Se você acha mesmo que o mais difícil de se criar um sistema de RPG é sentar a bunda na cadeira e escrever uma monte de regras e números e contas e depois falar “ESTÁ VIVO!”, melhor repensar seu ponto de vista. O Opera estava pronto, então era hora de tentar publicar o Opera. Lembre-se que era 1996, não existia Catarse nem nada para facilitar a vida de um lançamento.

Depois de dar com os burros n’água por várias vezes e com várias editoras nacionais famosas (Editoras Trama, Daemon e Devir, por exemplo), os criadores do Opera não desistiram e disponibilizaram as regras de grátis na Internet, despertando interesse de jogadores e da Devir, que comprou os direitos sobre o Opera… só para engavetar e proibir seus criadores de procurar outra editora. Devir, como vocês são legais!

Um tempo depois, os caras conseguiram driblar o impedimento jurídico e, finalmente, em 2004 o Opera foi publicado pela Comic Store… que faliu um tempo depois (Impressão minha ou esse Opera tá com zica braba?).

Enfim, hoje o Opera continua na ativa graças a seus fãs e a Internet, e eu só posso dizer: Leonardo e Rogério, parabéns pela persistência. Vocês são guerreiros!

Fonte: RPG Opera

Agora que já contei a história, enxugue as lágrimas e vamos à análise do sistema (na próxima página).

Sistema Genérico Nacional

Como já dito, o Opera tem a missão de ser um sistema genérico e simples… isso não é fácil. Mas se tem uma coisa que o Opera é, é genérico. Sem cenário base, sem frescuras, o Opera te entrega o sistema cru para que você faça o que quiser dele.

Claro que existem cenários para o Opera, vários, e estão disponíveis no site do sistema. Além disso, eles também disponibilizam as regras de adaptações para os principais sistemas, se você quiser migrar para o Opera e continuar usando o grupo já existente.

opera

Os Atributos Principais do Opera são Físico, Destreza e Inteligência. Acredito que não necessitem de explicações, certo? Geralmente o jogador terá 18 pontos para distribuir entre eles, sendo que o mínimo de cada um é 2 e o máximo é 10. Simples e rápido.

Mas aí vêm os Atributos Secundários: Vontade e Percepção, que sempre estarão na ficha e variam de acordo com a raça do personagem (humanos têm 6 em cada um), Magia, Mente e Sorte que podem ser usados ou não, dependendo do cenário. Além disso ainda tem as Características, que ajudam ou atrapalham o personagem dando mais profundidade à sua personalidade, e as Habilidades, que você já sabe o que são!

No Opera existem dois tipos de testes. Os Testes de Atributo e as Disputas. No Teste de Atributo o jogador rola 2D6 e precisa tirar um resultado igual ou menor (levando-se em conta os modificadores da situação) que o atributo testado. Já na Disputa, cada jogador envolvido na disputa rola 2D6, soma o resultado aos modificadores e o jogador que tiver o resultado maior ganha. Novamente, simples e rápido. Existem ainda os modificadores, mas isso só quem precisa decorar é o mestre.

Por fim, o Opera trás regras e tabelas para várias e várias coisas para que os famosos advogados de regras se alimentem à vontade. Mas a que mais me agradou foi o diagrama de dano localizado.

Conclusão

Resumindo minha opinião, Opera RPG é um ótimo sistema para quem quer algo genérico mas tem medo do GURPS. De certa forma, ele chega a ser um GURPS muito mais fácil. Mas eu não me encantei com ele. Como todo sistema que promete cobrir toda e qualquer situação, ele exagera em regras, o que deixa minha cabeça meio cheia, talvez até por, ultimamente estar me tornando fã dos sistemas minimalistas. Eu sei que não precisamo e nem devemos usar todas as regras de um sistema genérico, eu vivo falando isso sobre o GURPS…

Enfim. Opera RPG é um dos mais completos sistemas nacionais, genérico, simples e realista, mas recomendo que seja usado com cautela e por jogadores com experiência.

Ps.: Existem as formas resumidas do Opera que prometem mais facilidade aos iniciantes. Eu não li nenhum deles, então não vou opinar.