Rômulo Zanotto

Sep 16, 2016

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Emílio de Mello, Débora Bloch, Fernando Eiras e Mariana Lima, em foto para o espetáculo "Os Realistas" (Dir.: Guilherme Weber) | Foto: Christian Gaul

À Primeira Vista ou Quando Vi Você Me Apaixonei

Uma crônica para Mariana Lima

“Acho o público curitibano exigente, bem formado, crítico, mas sempre muito generoso e curioso. Fico feliz sempre que tenho a chance de apresentar trabalhos em Curitiba.” (Mariana Lima)

Neste intervalo de duas décadas que separam a estreia de Mariana Lima na TV e a minha adolescência no interior, entre idas e vindas, peças e novelas, trilhas e livros, abandonei as artes cênicas e me tornei escritor e jornalista. Para ser um grande ator — fui entendendo conforme vivia — era preciso ser como Mariana: ter uma entrega emocional que eu não tinha, uma disponibilidade corporal que eu também tinha, e um despudor que eu nunca teria. Era preciso utilizar minhas emoções em horas que eu não quisesse, não discutir com os meus personagens, e deixar que mijassem em mim se fosse preciso (sim! tem uma cena de Apocalipse em que um colega de cena mija em Mariana).

Fernando Eiras e Mariana Lima, em cena, em primeiro plano | Foto: Leo Aversa

Em homenagem à atriz, eu deveria simplesmente ter-lhe escrito esta crônica e publicado, ao invés de ter inventando estas perguntas.

A tal da entrevista:

Eu— Você tem, no repertório teatral, um currículo invejável de bons espetáculos. Vou citar apenas os que eu tive o privilégio de assistir, para falar apenas do que eu conheço: Apocalipse 1,11, A Paixão Segundo G.H, Gaivota, Nômades, À Primeira Vista e, agora, Os Realistas. Em todas as produções que você se envolve, sempre muita antenada com o fazer teatral de seu tempo. O que mudou no fazer teatral, em seus diferentes aspectos (estéticos, de produção, de público, seu próprio repertório humano e profissional), nestes 16 anos que separam Apocalipse de Os Realistas?

Mariana Lima | Foto: divulgação