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É possível prever o comportamento das pessoas?

A busca infindável por uma compreensão dos movimentos sociais.

Sou fã de filmes e séries de investigação policial. Meu filme favorito é Se7en: os Sete Crimes Capitais, dirigido por David Fincher (1997). Não por acaso, o diretor do longa também conta com um espaço reservado na minha galeria de favoritos. Você deve conhecer o trabalho dele por outros filmes como Clube da Luta (1999), A Rede Social (2010) e Garota Exemplar (2014).

Agora calcule o tamanho do meu entusiasmo ao saber que a Netflix lançaria uma série dirigida por David Fincher sobre dois agentes do FBI que investigam perfis psicológicos de assassinos em série?

No final de semana que foi lançada, consumi ferozmente Mindhunter (2017). Além da série ser muito bem produzida, ter um ótimo roteiro e personagens bem construídos, ela aborda o tema do comportamento. Quero falar um pouco sobre isso, conectando com partes da série.

Alguns spoilers leves podem aparecer neste texto. Entretanto, pretendo não entregar nada importante, ok?

Mindhunter segue a história de Holden Ford e Bill Tench, dois agentes do FBI que buscam compreender a mente de assassinos em série, com o objetivo de prever e evitar futuros crimes violentos. Eles conduzem uma série de entrevistas com psicopatas que foram presos e sentenciados a prisões perpétuas. A pergunta que dá origem para suas investigações é: um assassino violento nasce mal ou é formado pela sociedade?

Em geral, o senso comum responderia que um assassino em série é simplesmente do mal e nada justifica um comportamento fora do que é considerado normal. Psicopatas são apenas “loucos” e ponto final. Mas, e se loucos são formas de comportamento que não estamos acostumados a lidar ou não conseguimos explicar de maneira racional? E se uma vida inteira de maus tratos por pais ausentes ou intransigentes, somado a instituições incapazes de compreender indivíduos fora dos padrões da sociedade, resultassem na criação de assassinos e criminosos violentos?

Em resumo, quero dizer que o comportamento das pessoas não é pré-estabelecido por regras racionais e que, na grande maioria das vezes, somos incapazes de compreender os motivos que fazem as pessoas ao nosso redor agirem de determinadas maneiras. Isso vale para psicopatas, mas também para outras pessoas consideradas “normais”.

Portanto, tentar prever o comportamento das pessoas me parece tão impossível, quanto improdutivo. Em Mindhunter os agentes do FBI vão aprender isso de uma maneira dolorosa.

Para nós, profissionais de comunicação e Relações Públicas, entender sobre o comportamento das pessoas é imprescindível. A verdade é que tenho me debatido com essa temática por anos, durante a graduação e Mestrado. Ainda pretendo continuar investigando o tema e, por agora, não tenho nenhuma resposta definitiva. Para não deixar você na mão, digo que se você quer aproximar-se das pessoas, através de estratégias de comunicação, comece por deixar todos seus preconceitos e respostas prontas de lado. Deixe seu público responder como ele gostaria de se comunicar com você!