Aprendendo storytelling com games

Games sabem envolver o jogador com boas histórias e personagens carismáticos


Storytelling nada mais é do que a habilidade de contar boas histórias. Cativar as pessoas através de uma narrativa relevante. O ser humano faz isso desde sempre, pois contar histórias é a melhor forma de passar conhecimento adiante. Tanto que os reis do storytelling são nossos avós, afinal eles tem muito mais experiência e sabedoria.

Logo, o torytelling está presente em diversas mídias e formatos, não sendo diferente para os games. Muita gente acha que os games só servem para esmagar uns botões e se divertir com imagens interativas. Mas, na verdade, também é uma boa fonte de cultura, assim como filmes, quadrinhos, livros e etc.

Eu sou do tipo de pessoa que gosta de boas histórias e enredos mirabolantes. Avançar no game, enquanto se desvendam mistérios e tramas sendo reveladas é o que mais me prende atenção, por isso os meus gêneros favoritos são RPG (Role Playing Game) e fantasia. Geralmente, nestas histórias, você encontra muitos personagens, com horas de diálogos e com uma mitologia construída em torno dos eventos do jogo.

Dos games que eu joguei, alguns desses enredos estarão na minha memória por um bom tempo. São histórias incríveis e geniais, de tirar o chapéu para os roteiristas. Vou apresentar alguns desses games e tentar escrever um pouco do enredo sem estragar a surpresa, ok? Assim, deixo para você querido leitor, descobrir os maiores segredos desses games jogando.

The Legend of Zelda — A Link to the Past

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Esse game me ensinou inglês. Como eu queria entender a história, passava horas traduzindo, com um dicionário inglês/português o que os personagens diziam.

O enredo é mais ou menos assim: você acorda em uma noite chuvosa, na pele do personagem principal Link. Durante o seu sono, ouvira sussurros de uma princesa chamada Zelda, pedindo por resgate, pois ela foi presa pelo mago Agahnim nas celas do castelo de Hyrule.

Agahnim pretende libertar o seu mestre, o vilão Ganondorf, que foi preso no Dark World por sete magos. Para isso, Agahnim raptou sete donzelas, descendentes dos sete magos. Cabe a você, Link, resgatar as donzelas e derrotar os malvados Agahnim e Ganon!

Um dos elementos mais bacanas do jogo é a Triforce, uma divindade mística que rege o mundo e representa três forças: coragem, poder e sabedoria. Coragem é o personagem principal Link; Poder é representado por Ganondorf, o vilão malvado; e a princesa Zelda é a sabedoria em pessoa.

Chrono Trigger

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Se tem um game com uma história cabulosa e cheia de intrigas, este é Chrono Trigger. O game é tão longo que um jogador normal leva cerca de 30 horas ou mais para chegar até o final.

Para quem gosta de viagens no tempo, esse game é um prato cheio. Crono, o personagem principal, vai até a feira milenar que acontece na sua cidade, onde sua amiga Lucca apresenta sua nova invenção: uma máquina de teletransporte. Quando Marle, outra amiga de Crono, testa o equipamento, a máquina a envia para a idade média! E então, Crono e Lucca viajam no tempo atrás dela…

Pulando algumas partes da história, Crono e seu grupo de amigos viajam pelo tempo e descobrem que no futuro o mundo será destruído por um ser alienígena (!) chamado Lavos. Os heróis então tentam impedir o vilão.
Uma das coisas bacanas que Chrono Trigger me ensinou foi o paradoxo temporal. Funciona mais ou menos assim: se o viajante do tempo vai ao passado alterar alguma coisa para que não aconteça no futuro, logo se ele conseguir alterar o passado, sua viagem no tempo não vai existir, pois não haveria mais motivos para viajar no futuro. Sacou? O paradoxo temporal geralmente está presente em histórias de viagem no tempo. Bons exemplos são os filmes: De Volta para o Futuro, Exterminador do Futuro, Looper e Efeito Borboleta.

Resident Evil 3: Nemesis

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Esqueça os filmes toscos e com histórias esdrúxulas, lançados com o nome de Resident Evil. O game é o que há de melhor no estilo Survival Horror. A história em si todos sabemos: um vírus safado transforma as pessoas em zumbis. Por trás disso está a mocinha Jill Valentine, tentando fugir deste caos. Só que tem uma coisa muito pior que os zumbis: Nemesis. O monstrinho mais detestável de todo o mundo dos games vai te aterrorizar em cada canto escuro, esquina e buraco do mal, enquanto você tenta levar Jill para longe do apocalipse zumbi.

Quando você menos espera: STAAARRSSS… aparece o Nemesis te caçando. STARS é o nome da tropa de policiais de elite que Jill integra e, aparentemente, é a única fala de Nemesis. Ele foi criado especialmente para caçar essa tropa de elite. Mas, não se engane amigo, quando você ouvir o grunhido seguido da fala arrastada do monstrinho (STAAARRSS) todos os pêlos do seu corpo vão se arrepiar e você vai saber que é hora da peleia!

Legacy Of Kain: Soul Reaver

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Esse game tem uma história tão rica e cheia de detalhes que seria impossível descrever tudo em apenas um post. Seria necessário um livro. Então, vou resumir ao máximo, sabendo que muitas coisas importantes serão deixadas de lado.

O game se passa em um reino dominado por vampiros, chamado Nosgoth. O líder de todos os vampiros, Kain, resolve acusar Raziel (personagem principal) de traição, pois foi o único vampiro a desenvolver asas. Na maior sanguinolência e crueldade, Kain arranca as asas de Raziel e o joga em um abismo. Séculos mais tarde, Raziel é ressuscitado em forma de espectro (meio vivo, meio morto) por um Deus. Assim, o vampiro/espectro vai atrás de vingança contra seus irmãos vampiros e Kain.

Isso é só um pedacinho muito pequeno da história e é realmente cativante como ela se constrói. Para dar uma palinha, muitas outras coisas vão acontecendo no enredo: o Deus que ressuscitou Raziel não é exatamente uma coisinha doce, assim como Kain não é exatamente um vilão. E, nem mesmo Raziel é um cara legal, afinal ele está mais para anti-herói. Vale a pena conferir.

Fear Effect

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Cara, esse jogo é uma viagem total! Sem dúvidas, um dos melhores games que já tive a oportunidade de jogar. Eu não lembro 100% história do game, só me lembro que eram 4 discos e “duzentas mil horas” para conseguir chegar ao final. Você acabava morrendo muitas vezes, o que te levava para várias telas de <em>loading</em>.

Tive que recorrer ao Wikipedia (em inglês: http://en.wikipedia.org/wiki/Fear_Effect) para contar a história, que se passa em uma Hong Kong cyberpunk, misturando tecnologia e mitologia chinesa. A filha de um grande lorde está desaparecida e um trio de mercenários aparece para encontrá-la. Você joga com esses personagens, que não são exatamente mocinhos, pois eles pretendem capturar a filha desaparecida do lorde e pedir um resgate de muito muito muito dinheiro. No desenrolar da história, o trio encontra a menina, mas demônios zumbis os atacam. Depois, o próprio pai da menina utiliza ela para rituais satânicos!! Mais perto do fim, os mercenários fazem uma viagem para o inferno, tentando impedir a destruição do mundo!!

Eu avisei que a história era maluca. Sem contar que a personagem principal, Hanna, é lésbica. O que na época do lançamento do jogo causou muito alvoroço.

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Como você pode notar, todos esses jogos já tem uma boa idade. São todos dos anos 90. Joguei os games mais recentes e tem vários com boas histórias também. Fique a vontade para citar os games com os enredos que você mais gosta!