Aprendendo storytelling com games

Games sabem envolver o jogador com boas histórias e personagens carismáticos

Samyr Paz
Samyr Paz
Mar 7, 2014 · 5 min read

Storytelling nada mais é do que a habilidade de contar boas histórias. Cativar as pessoas através de uma narrativa relevante. O ser humano faz isso desde sempre, pois contar histórias é a melhor forma de passar conhecimento adiante. Tanto que os reis do storytelling são nossos avós, afinal eles tem muito mais experiência e sabedoria.

Logo, o torytelling está presente em diversas mídias e formatos, não sendo diferente para os games. Muita gente acha que os games só servem para esmagar uns botões e se divertir com imagens interativas. Mas, na verdade, também é uma boa fonte de cultura, assim como filmes, quadrinhos, livros e etc.

Eu sou do tipo de pessoa que gosta de boas histórias e enredos mirabolantes. Avançar no game, enquanto se desvendam mistérios e tramas sendo reveladas é o que mais me prende atenção, por isso os meus gêneros favoritos são RPG (Role Playing Game) e fantasia. Geralmente, nestas histórias, você encontra muitos personagens, com horas de diálogos e com uma mitologia construída em torno dos eventos do jogo.

Dos games que eu joguei, alguns desses enredos estarão na minha memória por um bom tempo. São histórias incríveis e geniais, de tirar o chapéu para os roteiristas. Vou apresentar alguns desses games e tentar escrever um pouco do enredo sem estragar a surpresa, ok? Assim, deixo para você querido leitor, descobrir os maiores segredos desses games jogando.

The Legend of Zelda — A Link to the Past

www.youtube.com/embed/Jr5s0Db7fAQ

Esse game me ensinou inglês. Como eu queria entender a história, passava horas traduzindo, com um dicionário inglês/português o que os personagens diziam.

O enredo é mais ou menos assim: você acorda em uma noite chuvosa, na pele do personagem principal Link. Durante o seu sono, ouvira sussurros de uma princesa chamada Zelda, pedindo por resgate, pois ela foi presa pelo mago Agahnim nas celas do castelo de Hyrule.

Agahnim pretende libertar o seu mestre, o vilão Ganondorf, que foi preso no Dark World por sete magos. Para isso, Agahnim raptou sete donzelas, descendentes dos sete magos. Cabe a você, Link, resgatar as donzelas e derrotar os malvados Agahnim e Ganon!

Um dos elementos mais bacanas do jogo é a Triforce, uma divindade mística que rege o mundo e representa três forças: coragem, poder e sabedoria. Coragem é o personagem principal Link; Poder é representado por Ganondorf, o vilão malvado; e a princesa Zelda é a sabedoria em pessoa.

Chrono Trigger

www.youtube.com/embed/-M82BROw8cE

Se tem um game com uma história cabulosa e cheia de intrigas, este é Chrono Trigger. O game é tão longo que um jogador normal leva cerca de 30 horas ou mais para chegar até o final.

Para quem gosta de viagens no tempo, esse game é um prato cheio. Crono, o personagem principal, vai até a feira milenar que acontece na sua cidade, onde sua amiga Lucca apresenta sua nova invenção: uma máquina de teletransporte. Quando Marle, outra amiga de Crono, testa o equipamento, a máquina a envia para a idade média! E então, Crono e Lucca viajam no tempo atrás dela…

Pulando algumas partes da história, Crono e seu grupo de amigos viajam pelo tempo e descobrem que no futuro o mundo será destruído por um ser alienígena (!) chamado Lavos. Os heróis então tentam impedir o vilão.
Uma das coisas bacanas que Chrono Trigger me ensinou foi o paradoxo temporal. Funciona mais ou menos assim: se o viajante do tempo vai ao passado alterar alguma coisa para que não aconteça no futuro, logo se ele conseguir alterar o passado, sua viagem no tempo não vai existir, pois não haveria mais motivos para viajar no futuro. Sacou? O paradoxo temporal geralmente está presente em histórias de viagem no tempo. Bons exemplos são os filmes: De Volta para o Futuro, Exterminador do Futuro, Looper e Efeito Borboleta.

Resident Evil 3: Nemesis

www.youtube.com/embed/M_UsXHMK0Gc

Esqueça os filmes toscos e com histórias esdrúxulas, lançados com o nome de Resident Evil. O game é o que há de melhor no estilo Survival Horror. A história em si todos sabemos: um vírus safado transforma as pessoas em zumbis. Por trás disso está a mocinha Jill Valentine, tentando fugir deste caos. Só que tem uma coisa muito pior que os zumbis: Nemesis. O monstrinho mais detestável de todo o mundo dos games vai te aterrorizar em cada canto escuro, esquina e buraco do mal, enquanto você tenta levar Jill para longe do apocalipse zumbi.

Quando você menos espera: STAAARRSSS… aparece o Nemesis te caçando. STARS é o nome da tropa de policiais de elite que Jill integra e, aparentemente, é a única fala de Nemesis. Ele foi criado especialmente para caçar essa tropa de elite. Mas, não se engane amigo, quando você ouvir o grunhido seguido da fala arrastada do monstrinho (STAAARRSS) todos os pêlos do seu corpo vão se arrepiar e você vai saber que é hora da peleia!

Legacy Of Kain: Soul Reaver

www.youtube.com/embed/4DOKzTHaPfM

Esse game tem uma história tão rica e cheia de detalhes que seria impossível descrever tudo em apenas um post. Seria necessário um livro. Então, vou resumir ao máximo, sabendo que muitas coisas importantes serão deixadas de lado.

O game se passa em um reino dominado por vampiros, chamado Nosgoth. O líder de todos os vampiros, Kain, resolve acusar Raziel (personagem principal) de traição, pois foi o único vampiro a desenvolver asas. Na maior sanguinolência e crueldade, Kain arranca as asas de Raziel e o joga em um abismo. Séculos mais tarde, Raziel é ressuscitado em forma de espectro (meio vivo, meio morto) por um Deus. Assim, o vampiro/espectro vai atrás de vingança contra seus irmãos vampiros e Kain.

Isso é só um pedacinho muito pequeno da história e é realmente cativante como ela se constrói. Para dar uma palinha, muitas outras coisas vão acontecendo no enredo: o Deus que ressuscitou Raziel não é exatamente uma coisinha doce, assim como Kain não é exatamente um vilão. E, nem mesmo Raziel é um cara legal, afinal ele está mais para anti-herói. Vale a pena conferir.

Fear Effect

www.youtube.com/embed/xoHH0tRHXIk

Cara, esse jogo é uma viagem total! Sem dúvidas, um dos melhores games que já tive a oportunidade de jogar. Eu não lembro 100% história do game, só me lembro que eram 4 discos e “duzentas mil horas” para conseguir chegar ao final. Você acabava morrendo muitas vezes, o que te levava para várias telas de <em>loading</em>.

Tive que recorrer ao Wikipedia (em inglês: http://en.wikipedia.org/wiki/Fear_Effect) para contar a história, que se passa em uma Hong Kong cyberpunk, misturando tecnologia e mitologia chinesa. A filha de um grande lorde está desaparecida e um trio de mercenários aparece para encontrá-la. Você joga com esses personagens, que não são exatamente mocinhos, pois eles pretendem capturar a filha desaparecida do lorde e pedir um resgate de muito muito muito dinheiro. No desenrolar da história, o trio encontra a menina, mas demônios zumbis os atacam. Depois, o próprio pai da menina utiliza ela para rituais satânicos!! Mais perto do fim, os mercenários fazem uma viagem para o inferno, tentando impedir a destruição do mundo!!

Eu avisei que a história era maluca. Sem contar que a personagem principal, Hanna, é lésbica. O que na época do lançamento do jogo causou muito alvoroço.

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Como você pode notar, todos esses jogos já tem uma boa idade. São todos dos anos 90. Joguei os games mais recentes e tem vários com boas histórias também. Fique a vontade para citar os games com os enredos que você mais gosta!

RP Faz

Conteúdo sobre comunicação digital para RPs.

Samyr Paz

Written by

Samyr Paz

Prof. de Relações Públicas (Feevale). Doutorando em Comunicação e Informação (UFRGS). Pesquisador de com. digital e games. Assine minha news em samyrpaz.com.br

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