As classes e raças de Império de Jade

Um livro esperado ansiosamente pelos fãs de Tormenta por anos, Império de Jade foi finalmente lançado em 2018. Nele, além de conhecer a nação de Tamu-ra — restaurada após ter sido a primeira área de tormenta em Arton — , os jogadores encontram uma versão diferente do sistema de Tormenta RPG, voltada para os jutsus e espíritos da cultura tamurariana.

Embora compatível com Tormenta RPG, Império de Jade traz suas próprias classes e raças. Como elas divergem um bocado do padrão eurocêntrico de fantasia medieval com o qual estamos acostumados, fizemos um resumão de como são. É uma boa pedida para apresentar Tamu-ra a novos jogadores!

Raças

Tamu-ra é governada por seres humanos, mas não é habitada exclusivamente por eles.

Hanyô

Como acontece no continente, diversas criaturas sobrenaturais se envolvem com humanos em Tamu-ra. Os descendentes desses encontros são os hanyô — meio-youkais— , seres com uma faísca sobrenatural em seus corpos.

Essa mistura dá aos hanyô um comportamento volátil. São hiperativos, frenéticos, apaixonados. Fisicamente, se parecem com humanos, mas apresentam algum traço exótico. Cabelos e/ou olhos de cores exóticas, orelhas pontiagudas, garras ou chifres são comuns. Costumam ficar às margens da rígida sociedade tamuraniana, sem se importar muito com honra ou formar suas próprias comunidades, trocando seus nomes de nascença por títulos que eles mesmos escolhem.

Muito bons com magia, os hanyô têm Carisma +4, Inteligência +2 e Sabedoria -2.

Henge

Os espíritos metamorfos hengeyokai são animais inteligentes capazes de assumir uma forma humanoide com aspecto híbrido entre humano e animal. Nessa forma, traços marcantes do animal como focinho, orelhas e causa costumam se manter.

O comportamento de um henge costuma ser parecido com o de sua forma animal. Inclusive, eles costumam ficar mais confortáveis na forma de animal que na forma híbrida. Eles não costumam formar sociedade, preferindo viver sozinhos em áreas selvagens.

Extremamente ágeis, os henge têm Destreza +4, Sabedoria +2 e Força -2. Eles ainda podem, claro, mudar de forma.

Humanos

Considerados o povo escolhido por Lin-Wu, o deus-dragão, os humanos guardam muitas semelhanças com a imagem arquetípica do povo japonês no período feudal. São reservados e introspectivos. Tendem a ser corteses e educados, mesmo que às vezes seja apenas para se mostrarem superiores. Como a restauração da ilha comprova, são extremamente persistentes.

Em termos de regras, funcionam exatamente como os humanos de Tormenta RPG. +2 em duas habilidade, +2 perícias treinadas, +2 talentos.

Kaijin

Tamu-ra passou anos tomada pela tormenta. A anti-criação é insidiosa — mesmo tendo sido derrotada, suas gavinhas ainda permanecem no corpo e nas almas do povo. É isso que deu origem aos kaijin.

Os kaijin são a versão tamuraniana dos lefou. Porém, os kaijin sofrem uma exposição muito mais longa e intensa aos efeitos da anti-criação. Dessa forma, eles são mais monstruosos, mais perigosos e mais brutais que seus primos do continente.

Vagamente humanoides, kaijin são cobertos por carapaça, verrugas ou couro. Dificilmente podem ser confundidos com humanos, sendo bem claramente monstros. Não se encaixam na sociedade tamuraniana, sendo vistos com medo, desprezo ou os dois. São raros, não formando comunidades. Não recebem nomes dos pais, mas sim das vítimas aterrorizadas que gritam quando os vêem.

Kaijin têm Força +4, Constituição +2, Carisma -2 e Honra -1. Todos têm uma anatomia incompreensível e carapaça, além de outros poderes especiais garantidos por sua herança extradimensional.

Mashin

Criados pelos artífices mais habilidosos de Arton, os mashin são autômatos tão avançados que nublam a barreira entre humano e máquina.

Um mashin não tem alma. Ele é animado por uma vários espíritos conjurados e lacrados dentro do corpo artificial, trabalhando em conjunto numa rede neuroelemental. Eles se parecem com humanos usando armaduras muito intrincadas e trabalhadas. Geralmente optam por não usar roupas, exibindo a perfeição artística de seus criadores.

Além das habilidades (e restrições) advindas de sua natureza mecânica, os mashin têm +2 em duas habilidades e +1 em Honra.

Nezumi

No passado, o povo-rato era um dos maiores inimigos de Tamu-ra. Consideravam-se os donos da ilha, tentando expulsar os inimigos. Após a chegada (e subsequente expulsão) dos verdadeiros invasores, os nezumi mudaram sua postura.

Rudes, rústicos e grosseiros, em muitos sentidos os nezumi são o análogo tamuraniano dos anões. Adoram uma boa briga e acreditam na sobrevivência do mais apto e são extremamente oportunistas. Possuem comunidades próprias e seu próprio idioma, carregado das consoantes k, r, s, t.

Nezumi são pequenos (em vez de médios, como a maioria das demais raças), amedrontadores e possuem faro aguçado. Recebem +4 em Constituição, +2 em Destreza, -2 em Inteligência e -2 em Honra.

Ryujin

Verdadeiras dádivas divinas de Lin-Wu, os ryujin são humanos nascidos com um toque de dragão celestial. Embora sejam parte dragão, seus pais são humanos. A influência dracônica surge por intervenção divina, marcando a criança desde cedo como especial.

Os ryujin são o exemplo de tudo que há de positivo na cultura tamuraniana. O próprio tratamento que recebem devido a seu nascimento auspicioso garante que serão assim. O ideal de um humano tamurariano é manifestado na forma dos altivos, elegantes e honrados ryujin. É como se eles já nascessem samurais.

Em termos de aparência, ryujin também representam o ideal tamuraniano. Se parecem com humanos extremamente belos, altos, magros e esbeltos. Seus cabelos e olhos assumem cores exóticas, como as escamas de Lin-Wu. A natureza dracônica surge quando usam poderes mágicos, deixando-os com feições mais serpentinas, embora ainda atraentes.

Além dos dons do dragão, ryujin recebem Sabedoria +4, Força +2, Honra +2 e Destreza -2.

Vanara

Reclusos nas montanhas de Tamu-ra, os nobres e sábios vanara conhecem segredos que os demais povos da ilha desconhecem. Não se sabe exatamente sua origem, mas desde sempre o povo-macaco é procurado por viajantes em busca de conselhos e respostas.

Diferente dos henge, que possuem personalidade parecida com a de sua forma animal, os vanara são muito diferentes dos macacos. Calmos, curiosos e contemplativos, costumam ser bem-humorados até mesmo com estranhos, apesar de viverem em comunidades reclusas.

Os vanara se parecem superficialmente com macacos, mas têm diferenças marcantes. Eles têm postura ereta, caminhando de forma bípede, além de normalmente usarem roupas.

Além das vantagens oriundas de sua cultura avançada, os vanara têm Inteligência +4, Sabedoria +2, Honra +1 e Constituição -2.

Classes

Várias das classes de Império de Jade traçam paralelos com as classes de Tormenta RPG, mas as diferenças são bem claras. Cada um tem um tom claramente tamuraniano.

Bushi

A persistência tamuraniana é personificada no bushi. Diferente de guerreiros elegantes com técnicas complexas, respeito a códigos de honra e poderes mágicos indecifráveis, o bushi entende o combate com uma lógica muito simples. Vence quem estiver vivo no final.

Um verdadeiro tanque, suas habilidades envolvem atrair a atenção de inimigos, revidar ataques e (principalmente) sobreviver.

Kensei

Um guerreiro especializado no domínio completo de uma única arma, o kensei é um exemplo da valorização do perfeccionismo da cultura tamuraniana.

As habilidades do kensei envolvem tanto o aprimoramento do uso da arma como uma dificuldade cada vez maior de separá-lo dela.

Monge

O tradicional monge está em Império de Jade praticamente na mesma forma que possuía antes.

Capaz de realizar vários ataques e de se mover grandes distâncias, o monge conta ainda com um arsenal variado de poderes sobrenaturais.

Ninja

Senhores das sombras, mestres da furtividade e dos assassinatos, ninjas são lendários em Tamu-ra desde muito antes da chegada da Tormenta. Hoje, alguns clãs servem o Império. Outros, não. Quem consegue saber a diferença?

Extremamente versátil, o ninja é cheio de truques. Possui algumas habilidades similares às do monge, mas seus poderes místicos são mais impressionantes. Quando se trata de acrobacias e furtividade, são inigualáveis.

Onimusha

No continente, caçadores de monstros costumam se concentrar em dragões. Essas criaturas são tidas como as mais majestosas e perigosas. A anti-criação ainda é vista apenas como uma ameaça distante, embora esteja longe de ser isso.

Em Tamu-ra, essa fantasia não é sustentável. A ilha viveu o pior que a tormenta tinha a oferecer. Embora tenha sobrevivido, Tamu-ra não pode se dar ao luxo de sofrer essa ameaça de novo. Para isso existem os onimusha.

Caçadores de monstros especializados nos lefeu, os onimusha abrem mão da sociedade que lhes é tão querida para caçar o mais perigoso dos inimigos. Para enfrentar esses monstros, o onimusha usa as armas do próprio inimigo. Ele é capaz de desenvolver uma relação simbiótica com armas, armaduras e criaturas tocadas pela matéria vermelha da anti-criação.

Samurai

A casta de guerreiro que melhor representa as tradições tamuranianas, um samurai é não apenas um guerreiro como também um emissário da honra de Lin-Wu.

Além de habilidades de combate, o samurai aprende a usar sua honra de forma vantajosa, melhora suas espadas com o auxílio dos ancestrais e pode receber dádivas do deus-dragão.

Shinkan

Sacerdote da religião bushintau, a crença animista nos espíritos que habitam todas as coisas, o shinkan possui poderes sobrenaturais.

Uma ponte de ligação entre mortal e espiritual, o shinkan é mais próximo da plebe que da nobreza. Suas habilidades envolvem o contato com espíritos, a destruição de mortos-vivos e a cura dos vivos.

Shugenja

O panteão artoniano é visto em Tamu-ra como a Família Celestial, chefiada por Lin-Wu. O shugenja é um sacerdote dessa religião, ocupando na nobreza um papel espiritual comparável ao papel marcial do samurai.

Religião e honra são sinônimos para um shugenja, que recebe vários benefícios por Honra alta. Além de dádivas divinas, o shugenja possui grande conhecimento formal sobre jutsus e pode auxiliar seus aliados com conselhos cruciais mesmo durante um combate.

Wu-jen

No continente, tanto a magia arcana quanto a divina são extremamente respeitadas e vistas tanto como artes ancestrais quanto como ferramentas indispensáveis para o desenvolvimento cultural. Não é assim em Tamu-ra.

Enquanto os conjuradores divinos são vistos como parte fundamental da sociedade, o conjurador arcano wu-jen é um pária. Sua magia é imprevisível, perigosa, caótica. Outras classes refletem as qualidades de Tamu-ra, mas o wu-jen representa o seu pior. Ao ser rejeitado apesar de sua grande versatilidade e poder, o wu-jen mostra como Tamu-ra é intolerante, preconceituosa e resistente a mudanças.

Nenhuma outra classe usa jutsus com tanta maestria e liberdade quanto o wu-jun.

Yakuza

No passado, a Yakuza era uma organização criminosa com tentáculos por toda Tamu-ra. Tinham grande influência política, vivendo nas sombras, atuando como uma espécie de polícia secreta do Império em situações desonradas, dominando comunidades com sua influência ou agindo para quem pagasse melhor. Então veio a tormenta.

A tempestade mística da anti-criação destruiu a estrutura da Yakuza e seu modo de vida. Porém, nada é mais resistente que a tradição em Tamu-ra. Com a retomada da ilha, novos e velhos criminosos começaram a reconstruir o que foi a Yakuza aos poucos.

Mestres de habilidades sociais e com um entendimento diferente de honra, os yakuza podem lutar sujo quando preciso mas preferem que outros lutem por eles. Contam com vastos recursos e são extremamente leais. Poucas coisas são mais terríveis do que lidar com as consequências de matar o aliado de um yakuza.

Saiba mais

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