Como aproveitar um ano tranquilo.

A vida de jogador de rpg, já me levou para vários cantos, alguns muito bons, que me fizeram descobrir coisas incríveis, por exemplo jogos como Fiasco, e para cantos que eu prefiro não comentar no momento, na verdade prefiro não comentar em momento algum. Mas voltando ao que importa. Tais caminhadas pelo mundo dos jogos, seja rpg, tabletop, ou jogos de computador, de vez em quando me fazem descobrir coisas que viram minha cabeça e fazem eu ganhar novos horizontes sobre oque é jogar. Um desses jogos se chama “A quiet year”.
“A quiet year”, é um jogo desenvolvido pela game designer Avery Alder, e com ilustrações de Ariel Norris, e traz como premissa um mundo devastado, e uma sociedade que esta se reerguendo das cinzas, cabe então aos jogadores, representar indivíduos e grupos sociais dentro desta sociedade.
Esta premissa básica já me chamou a atenção no primeiro instante que eu botei meus olhos neste jogo, assim como em Mutant: Ano zero, que eu já resenhei, e que você pode ver neste link, “A quiet year”, traz uma premissa de desenvolvimento de sociedade, porem aqui de uma maneira um tanto quanto diferente.
Então, como já dito, o jogo já me encantou no primeiro instante que bati os olhos nele, porem quando realmente comecei a lê-lo foi que o jogo me conquistou de vez. Logo de cara somos apresentados a um background, que na minha opinião poderia ser qualquer outro dentro de um cenário de devastação, pós apocalíptico, manhã de black Friday, etc. A história é a seguinte:
“Por um longo período, nós estávamos em guerra com os Jackals. Mas agora, nós os expulsamos, e temos isso — um ano de relativa paz. Um ano tranquilo, para construir nossa comunidade e aprender mais uma vez como trabalhar juntos. Com o inverno, “the Frost Shepherds” chegarão e nós talvez não possamos sobreviver além disso. Mas nós não sabemos sobre isso ainda. O que sabemos é que agora, neste momento, há uma oportunidade de construir algo.”
Podemos então com esse curto background perceber qual o sentimento, ou o tom, que a desenvolvedora deste jogo nos quis passar. Então nos fica a questão, essa premissa é bem empregada no jogo?
Para termos certeza se sim ou não, precisamos então adentrar no jogo em si. Portanto, afinal de contar, oque diabos é “A quiet year”?
Bom de inicio é preciso compreender, os aspectos básicos do jogo, “A quiet year” é um jogo de tabuleiro minimalista, se posso assim dizer. Afinal, o mesmo só pede o livro de regras, uma folha de papel em branco, um baralho de 52 cartas. (não o seu deck azul de magic, por favor), um dado para marcação de tempo, e lápis, borracha, caneta, etc. Como esses complexos itens, é possível inciar sua experiencia durante um ano tranquilo.
O livro é necessário obviamente por conter as regras do jogo esmiuçadas. O papel em branco é preciso, pois uma das mecânicas básicas do jogo, é que todos os jogadores na mesa, irão gradualmente construir uma sociedade durante esse ano calmo que irão passar, assim, desde o inicio do jogo até o final, todos os jogadores desenharão nessa folha de papel, o lugar aonde o grupo de pessoas se encontra, marcações importantes, como por exemplo, aonde se encontra o suprimento de água da comunidade, ou se existe alguma floresta por perto, dentre outras coisas. A ideia é como já dito antes, mostrar um desenvolvimento do mapa, e não tenha medo se seus traços não são tão realistas, assim como os meus capazes apenas de desenhar formas geométricas e homens palitos. A ideia é o jogo se manter minimalista, com símbolos se for preciso, mas evitar a todo custo escrever neste mapa.
Outro componente essencial do jogo é o baralho comum de 52 cartas, pois é ele que traz o fator de improbabilidade ao jogo, de uma maneira simples e muito bem empregada. Funciona assim, cada naipe do baralho, representa uma estação, Copas representa a primavera, e é aonde o jogo começa, Ouro representa o verão, Paus representa o outono, e Espadas o inverno, ultima estação do jogo. Então cada estação do ano é representada dentro de cada uma das quatro pilhas de cartas separadas por naipes . As cartas em si, trazem na maioria delas, perguntas que incrementarão na narrativa construída pelo grupo de jogadores, cada uma das cartas normalmente trazem duas perguntas sobre o ambiente, como é gerida a comunidade, sobre os recursos, dentre outras coisas, e o jogador que puxa a carta, pode escolher qual pergunta responder. Fora isso algumas cartas trazem condições especiais que poderão modificar o jogo de alguma maneira. E a ultima carta a ser puxada, é o rei de espadas, que faz com que o jogo termine imediatamente.
Assim essas são os materiais básicos necessários para se iniciar o jogo. Após compreender essas mecânicas, os jogadores podem começar. Mas como o mesmo se desenvolve?
Assim que se começa, todos os jogadores escolhem como essa comunidade é formada, a localização da mesma, ou seja, se essa comunidade vive em um caping, ou em um prédio antigo, ou nos destroços de um avião, qual o terreno em volta da comunidade, como deserto, floresta, prados, etc, e os principais recursos para a sobrevivência, neste ponto cada jogador escolhera um recurso, e determinarão em comum acordo, qual deles se encontra em abundancia, e qual deles são escassos na comunidade. Após essa breve discussão entre os jogadores, começasse o verão.
O jogo então é dividido em semanas, a cada turno de cada jogador uma semana é passada, notasse que o jogo tendo 52 cartas, pode-se haver 52 semanas. Além das cartas, algumas ações podem ser tomadas, e são elas; Descobrir algo novo; Realizar uma discussão ou; Começar um projeto.
Quando o jogador resolve descobrir algo novo, ele pode introduzir algo de novo na história, da maneira que ele achar melhor, pode ser oque a mente do jogador permitir, desde algo que ira ser benéfico a comunidade, até algo que pode incrementar certas discussões dentre as partes, tudo pela diversão. Realizar uma discussão é oque o nome em si já diz, o jogador levanta uma discussão e os membros devem opinar em poucas palavras sobre esta mesma, afinal é assim que uma discussão funciona em uma comunidade, então após todos se expressarem, todas as decisões tomadas devem ser marcadas no mapa de alguma maneira. E por fim temos a ação de iniciar um projeto, esta ação significa que o jogador ira começar um projeto novo durante seu turno, que poderá melhorar a comunidade, gerar atritos entre grupos, diminuir a escassez de algum recurso, isso tudo e definido pelos jogadores, assim como o tempo que o mesmo levara para ser concluído.
Vale lembrar que o jogo pode ser adquirido diretamente pelo site da desenvolvedora. E o mesmo se encontra totalmente em inglês. Porém o livro contem poucas paginas, oque não deve ser um desafio para pessoas com um nível básico na linguá do tio Sam.
Com essa breve apresentação devo dizer que, “A quiet year”, é um jogo simples, mas que tem um grande potencial para divertir, a todos os jogadores. Não é apenas um jogo de desenvolvimento e gerenciamento de comunidade, é um jogo sobre humanidade, sobre como é a experiência de trabalhar junto, sobre como esta pode ser árdua, mas ao mesmo tempo gratificante. No geral “A quiet year”, é um jogo que você deveria jogar.
