Minha Passagem de Nível Como Jogadora

Um relato pessoal de como me achei no mundo do RPG com Tormenta e Karyu Densetsu

Imagem de shalla-falynn0 por Pixabay

Eu comecei jogando RPG no segundo semestre de 2017.

Sim, você leu certinho, vai fazer dois anos que eu comecei a jogar RPG de mesa, não que o jogo fosse completamente desconhecido, boa parte dos meus amigos jogavam e tinham suas mesas por aí, eu é que nunca tinha rolado iniciativa para participar. A verdade é que eu não sentia que o mundo do RPG me cabia. Eu não via pessoas como eu jogando e não via personagens como eu, Camila Cerdeira.

Vamos todos ser honestos aqui, quando se pensa em uma campanha épica se imagina algo como Senhor dos Anéis. E por mais que os filmes sejam interessantes e os livros cativantes, aquilo é um clube do Bolinha muito do branco. Você vai encontrar mais Orcs, Ogros e Goblins do que vai encontrar uma pessoa negra. E isso me afastava.

Até que um dia alguns amigos meus estavam jogando uma narração no mundo de Tormenta e as personagens jogadoras eram duas meio-irmãs. Uma delas sendo Qarren, uma raça de meio-gênios e por causa disso elas escolheram ser da região entre a Arábia e a Índia. Essa foi minha porta de entrada. Este foi o primeiro personagem em que consegui me imaginar e jogar.

Ilustração dos personagens da mesa da Guilda do Macaco, a mesa oficial dos criadores de Tormenta.

Depois disso eu conheci o incrível Urban Shadows, que infelizmente eu ainda não consegui jogar, mas que é um sistema que parece ter sido criado para você viver sua série de fantasia urbana favorita ao mesmo tempo que precisa confrontar as questões sociais e experienciar opressões que você muitas vezes não vive.

Em um outro momento fui convidada para uma mesa lendária onde iria fazer uma ficha de personagem D&D Level 20. Sendo que eu nunca nem tinha jogado uma campanha de D&D, estava em completo pânico pensando que finalmente as pessoas iam descobrir que eu não sei jogar nada. Foi quando eu me apeguei ao que eu sabia fazer melhor, criar personagens, eu escrevo afinal de contas. Foi assim que surgiu Jhul, um meio monge/meio feiticeiro, meio elfo tocado por Corellon. Por que falar desse toque de Corellon? Por que isso significava que o gênero dele era fluido, além de dar brecha para o narrador usar essa informação se quisesse.

E mais recentemente eu descobri que a arma mais poderosa da Terra é a alma humana em chamas. Joguei uma mesa de Karyu Densetsu, um sistema novo nacional e simplesmente incrível. Você vai jogar como se estivesse sendo parte de um anime e talvez algumas pessoas pensem, eu não gosto de anime então não vou conferir. Eu detesto anime e joguei e mal posso ver a hora de jogar outra mesa. Se não fosse por Tormanta20 estar chegando eu só jogaria Karyu Densetsu.

Leona ❤ Asura, personagens canônicas do Karyu Densetsu, por Bruna Nora

Sim, a ambientação é de anime, sim você vai ter muitas lutas e pancadarias épicas e gritos ridículos com nomes de golpes. Mas você também pode ter cenas onde alguém transformado em gato impede que um NPC cometa suicídio. Esse sistema/cenário consegue ir nos extremos das relações humanas e rende histórias que você e seus amigos irão lembrar pra sempre.

O que eu estou querendo dizer com todo esse meu longo relato? 
Há quase dois anos atrás eu achei que o mundo do RPG não me cabia, que eu não seria aceita ou que precisaria silenciar partes de mim para fazer parte do jogo. A verdade é que existe um universo inteiro dele que me exalta e me abraça, se eu descobri tudo isso em apenas dois anos, mal posso esperar para ver o que descobrirei nos anos futuros.