Tormenta 20: Entrevista com Marcelo Cassaro

Maio vai ser um mês ardente para o RPG brasileiro. Dia 9 teremos a estreia de Skyfall e dia 10 começa o financiamento coletivo de Tormenta 20.

Após derrotar um ninja biólogo num duelo até a morte, conseguimos chegar perto o suficiente de Marcelo Cassaro para conseguir algumas respostas sobre esse lançamento. Hoje sim!

Não tá ligado no que é Tormenta 20? Se liga na página oficial.

Se a gente não perguntar isso, a galera bate na gente. Quantos robôs
gigantes teremos em Tormenta20?

Dois, não mais de dois. Ambos já destruídos na aventura Contra Arsenal.
:D
Muitos me culpam pelos elementos animescos em Tormenta, mas houve
uma vez em que vetei robôs gigantes em Arton. Não vou contar quem
queria encher o cenário de mechas, mas ele é um tanto conhecido por sua
escatologia e sadismo!
Se você quer mesmo ver robôs gigantes em Arton, procure Tormenta
Alpha.

Sabemos que você é um fã de Savage Worlds. O sistema rápido,
divertido e furioso teve alguma influência em Tormenta20?
“Fã” é uma palavra forte, na verdade nunca joguei. Mesmo assim entrei
na campanha Catarse. Gosto muito de RPGs que consigam ser adaptáveis
a qualquer cenário, mas ainda mantendo a agilidade e simplicidade.

Em uma entrevista recente, JM Trevisan disse que se considera mais
escritor que game designer. E você, como se colocaria nessa escala?

Dentro do Tormenta20, quantos porcento você é game designer ou
escritor?
Nos tempos do Trio Tormenta original, o Trevisan era melhor escritor, o
Saladino era melhor em regras, e eu tentava ser suficiente em ambos. Em
T20, todos no quinteto estão participando na concepção das regras, mas
Guilherme Svaldi ficou com o trabalho mais pesado de colar tudo isso
junto. Estou escrevendo partes mecânicas que também incluem
ambientação, como os deuses (que mudaram bastante) e uma nova
característica dos personagens que descreve seu passado, vocês devem
ouvir falar logo. Pode-se dizer que nesta campanha sou escritor 6/game
designer 4/improvisador de Lena 10.

Nas redes sociais, alguns fãs tem se posicionado contra a
nomenclatura “pontos de magia”. Quais são os principais motivos para
essa escolha?
É um termo usado em JRPGs literalmente há décadas, seja para energizar
magias, seja para ataques especiais sem qualquer relação com magia.
Além disso, mantém a compatibilidade com Império de Jade e o próprio
TRPG, ambos já usando PM. Mas isso pode mudar, quase nada em T20
está totalmente decidido.

Já faz muitos anos da última vez que um livro básico de Tormenta foi
escrito. O zeitgeist cultural se transformou muito nesse meio tempo,
especialmente diante da preocupação com diversidade. Como você vê
isso influenciando o desenvolvimento de Tormenta20?

É uma enorme influência. Houve casos tristes no passado envolvendo
Tormenta e alguns “fãs” intolerantes, homofóbicos — não precisamos de
gente assim envergonhando o hobby. Claramente não entenderam que o
jogo é sobre liberdade, sobre diferenças. Sobre aventureiros muito
coloridos e exóticos, trabalhando juntos para vencer desafios. Tivemos
reuniões bem intensas, houve grande cuidado na escolha dos heróis
icônicos que ilustram as raças e classes. A criação de personagens
jogadores também deve receber destaque nesse sentido.