Decisões

Foto: Beatriz Jarzinski.

Na Rua XV de Novembro há muitos idosos. Alguns jogam conversa fora, enquanto outros contam um pouco da vida ao primeiro que para por uns minutos para ouvi-los. Em uma manhã de sexta-feira, na segunda quadra do calçadão da XV, por volta das 9h30, uma idosa com cabelos grisalhos e sorriso no rosto espera para começar a trabalhar. A carioca Maria da Glória, de 75 anos, conheceu a rua das flores ainda jovem, quando gerenciou uma loja de roupa infantil chamada Kita.
Quando o comércio fechou, Glorinha, como é carinhosamente chamada, foi chamada para trabalhar em Fortaleza, onde abriria a nova sede da Kita. O coração não permitiu a mudança, pois ela preferiu ficar ao lado da família. Depois de um mês da decisão, a decepção: viu o marido com uma amante. Conformada, manteve o relacionamento, apesar dos protestos da filha, que não aceitava ver a mãe sofrer. 
Eventualmente, a indignação levou a jovem a fugir de casa para ficar longe do pai. Maria diz que isso fez com que o marido tivesse consciência de suas ações. Com a revolta da filha, decidiu deixar a família para viver com a amante. 
Glorinha ficou devastada com a traição dupla do marido, mas tinha a filha de volta em casa. A rotina das duas mudou quando a menina passou a se destacar no vôlei, consolidando uma carreira esportiva, o que levou as duas a diversas cidades. A mãe começou a entregar panfletos para garantir uma renda extra nos lugares em que morou. Na volta a Curitiba, reencontra a Rua XV, onde hoje entrega propagandas de lojas de joias a estranhos que param para ouvi-la.

Por Beatriz Jarzinski

Glorinha ficou devastada com a traição dupla do marido, mas tinha a filha de volta em casa. A rotina das duas mudou quando a menina passou a se destacar no vôlei, consolidando uma carreira esportiva, o que levou as duas a diversas cidades. A mãe começou a entregar panfletos para garantir uma renda extra nos lugares em que morou. Na volta a Curitiba, reencontra a Rua XV, onde hoje entrega propagandas de lojas de joias a estranhos que param para ouvi-la.

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