Bastidores do Enraizando: A Copa do Mundo (parte 1)

Oi, tudo bem? Meu nome é Victor, um dos sócios do Rizoma (o menos conhecido dos três) e um dos criadores do Enraizando — e é justamente dele que eu vou falar neste espaço.

Já há um tempo eu quero escrever uma coluna ou algo do tipo pra contar as histórias de bastidores daqui, easter eggs que a gente (na maior parte do tempo, eu) coloca nos episódios, o que foi mais difícil de fazer, quais soluções nós buscamos, coisas que acabamos cortando dos episódios, etc.

Então, aqui está!

E vamos por ordem cronológica, de volta ao nosso primeiríssimo episódio, sobre a Copa do Mundo, no longínquo ano de 2014. Mas, antes de chegarmos ao episódio, acho que cabe explicar o nascimento do Enraizando em si — e como a história dele se confunde um pouco com a do próprio Rizoma, vou passar por isso rapidamente (ou nem tanto).

O Marcelo, o Welligton e eu estudamos juntos na faculdade. No último ano (2012), fui convidado a trabalhar com eles e reforçar a equipe do Pé de Nuvem, o estúdio de design que os dois tinham com outro dos nossos colegas de turma.

Da esquerda para a direita: Angélica, Welligton, Melissa, Marcelo, Victor (eu), Douglas e Andrey (fotógrafo). Pé de Nuvem, outubro/2013

O Pé (nosso apelido carinhoso), por sua vez, encerrou suas atividades no final de 2013. Como eu não sabia direito pra onde ir, segui o Welligton (tínhamos — na verdade, ainda temos — alguns projetos de histórias em quadrinhos que queríamos colocar no papel, então essa parecia uma boa oportunidade) e, enquanto finalizávamos os últimos projetos do Pé, o Marcelo veio dar uma mão e resolvemos formar o Rizoma (o Welligton tinha esse nome guardado na manga).

Nosso primeiro cartão de visitas ❤

Se o Pé de Nuvem era um estúdio de design que contemplava várias áreas (branding, design de informação, design de embalagem, projetos para publicidade, vídeo, animação, ilustração, etc.), quisemos focar o Rizoma no tipo de projeto que, até então, tinha trazido mais retorno: design de conteúdos instrucionais/educacionais.

E foi já nesse período de formação que começamos a brincar com a ideia de produzir um conteúdo original em animação. O Welligton mostrou um canal do YouTube chamado Crash Course como uma possível referência de tom e linguagem, e nós imediatamente começamos a formatar essa ideia de produzir algo informativo e divertido com animação. Afinal, era para isso que tínhamos estudado (nossa formação é em Design, com ênfase em Animação Digital), esses eram os projetos que mais gostávamos de fazer e de assistir… Por que não?

Porque faltava dinheiro.

Saímos de uma empresa que já estava começando a ter um nome conhecido aqui na “praça” e resolvemos iniciar uma nova, com um novo nome e um foco que, a princípio, era meio difícil de explicar (nós melhoramos nisso com o tempo — eu espero). Mas fomos conseguindo alguns trabalhos aqui e ali para pagar o aluguel e, enquanto isso, formalizamos melhor a ideia da nossa série animada — que quase se chamou Raízes.

Capa do DVD da versão de 1977 da série

Procurando nomes que remetessem à ideia do Rizoma enquanto estrutura similar a uma raiz, essa foi a sugestão favorita (mesmo depois de eu ter vetado porque, assim que ouvi o nome, me lembrei da série Raízes — que até foi refilmada recentemente). Depois de alguns debates, acabamos todos concordando com “Enraizando”.

Tínhamos o nome, as ideias de formato e temas, agora faltava colocar isso em prática.

Começamos apresentando a ideia a alguns clientes, na esperança de que um deles topasse dar uma força com o financiamento dos episódios. Não os culpo por terem ignorado a ideia e passado para o próximo assunto na reunião. Afinal de contas, não passava disso: uma ideia. Tá, apresentávamos ela com entusiasmo, sabíamos que tínhamos a capacidade de tirá-la do papel, mas ainda assim, sem roteiro, esboços de personagens, artes conceituais ou o que quer que fosse — tínhamos apenas a marca a essa altura — , ficava difícil convencer alguém.

Sendo assim, recorremos aos nossos ex-professores da faculdade (aliás, um abraço pra eles). A melhor sugestão foi que inscrevêssemos a ideia em um edital de cultura aqui de Joinville, conseguíssemos o dinheiro para produzir um episódio-piloto bem bonitão e, com ele pronto, voltássemos a procurar alguém interessado em bancar o projeto.

Desanimados (pra dizer o mínimo) com a dificuldade de tirar o Enraizando do papel, com o dinheiro minguando e pouco trabalho à vista, estávamos quase desistindo do Rizoma.

Até que algo mágico aconteceu:

OEEEAAAAA

Não, a Fifa não apareceu do nada pra salvar o dia, patrocinar o projeto e deixar a gente podre de rico (quem dera). No próximo texto eu entro em mais detalhes, mas, por hoje, vou ficar revendo essa abertura.