Você não soube me amar (nem eu)

Vamos abrir aqui um espaço pra um clichê. Vamos fazer da pessoa que vos escreve a dona da verdade. Vamos falar do que dói no coração. Do travesseiro molhado de lágrimas. Das mensagens que manda quando está bêbada. E dos dois tiques azuis. Sua mensagem foi vista — e ignorada com sucesso. Vamos falar dos lugares em que você foi, sem saber qual era o som que rolava, quando custava a cerveja, com um sapato que apertava o pé e um vestido que fazia faltar ar para esbarrar nele, que nunca esteve lá. Vamos falar das ligações não atendidas. Ou das ligações pros amigos (dele), tentando ouvir uma palavra de conforto. Dos programas de TV que te fizeram companhia nas noites de sábado em que fingiu ter um outro compromisso, só pra fazer charme. E ele não se importou. Vamos falar dos carinhos que você ganhou, dos beijos que comemorou, dos abraços eternos e lembrar de quantas vezes ele disse “mas com você é especial”. E dos domingos vazios. Os olhares que você já recebeu e conhece bem. Agora pras outras.

Vamos falar do seu amor. Vamos falar do direito que você deu a outra pessoa de não te amar. Ninguém tem o dever de valorizar o que você faz, a maneira que age e as palavras que diz.

Mas ninguém pode desvalorizar o que você é. Não queira uma noite de amor e o vazio do dia seguinte, se livre das migalhas. Entenda a crueldade que isso representa, perdoe o egoísmo e siga em frente.

Ele não sabe te amar e isso não dá pra ensinar.