O marketing além da venda

Como aproximar consumidores da realidade das marcas de moda em um cenário saturado e em constante transformação

Mais do que nunca, a indústria da moda faz parte de um mercado extremamente competitivo. O consumidor é atingido diariamente por uma infinidade de estímulos, e a missão de construir uma marca e se manter na memória do cliente se tornou muito mais difícil. Com isso, o marketing vem se mostrando como um elemento essencial, que oferece múltiplos canais de comunicação para transmitir uma mensagem consistente sobre a marca e estreitar os relacionamentos com o seu público.

Conseguir impactar os clientes de forma real e duradoura é hoje um grande desafio. Além de pensar na qualidade do produto, é importante entender como chamar a atenção em meio ao excesso de informações e ofertas. Os métodos tradicionais de propaganda e marketing já não possuem a mesma força, e o novo consumidor — mais conectado e com menos tempo — não fica esperando para ser atingido por um anúncio.

Portanto, é preciso construir marcas com histórias, desenvolver estratégias de marketing com propósito e entrar na vida das pessoas com mais a oferecer do que apenas um simples produto.

Para isso, é preciso rever o uso e a abordagem do marketing de moda, por muito tempo entendido apenas como uma ferramenta de venda. Mais do que vender produtos, o marketing de moda deve ter hoje o papel de levar a marca para a vida das pessoas, de se aproximar de seus cotidianos, contextos e comportamentos.

Entender quem é realmente o público alvo, criar histórias para reforçar os valores e a personalidade da marca, além de proporcionar situações e experiências que aproximem esse público alvo da realidade da marca são alguns dos caminhos para desenvolver o marketing com propósito.

Um case jovem que implementou uma ótima estratégia de marketing é a Básico. A proposta da marca é minimalista, oferecendo itens básicos, modelagem precisa, além de boa matéria prima e acabamento. Os produtos não têm rótulos ou etiquetas que precisam ser retirados. Camisetas com modelagem simples, camisas, calças de alfaiataria e vestidos fazem parte da seleção de produtos, que têm uma cartela de cores neutra, com os tons preto, branco, marinho e cinza.

Antes vendida somente de forma on-line, no ano passado, a label abriu no Maksoud Plaza uma espécie de loja conceito, chamada de “guide shop”. Por lá, o cliente experimenta as peças, mas não precisa levar a sacola com os produtos para a casa, a entrega é feita por motoboy para facilitar a vida do cliente, que não tem o incômodo de andar com algo pela rua.

Este ano, a Básico completou 3 anos e, para comemorar, resolveu apostar em uma ferramenta para aproximar as pessoas de seu lifestyle. A equipe preparou uma festa no escritório da marca — que fica numa casa em Alto de Pinheiros, São Paulo — com direito à brunch no jardim e um pocket show do cantor Thiago Pethit, criando uma proposta simples que condiz com a história da Básico e seu ideal de que “menos é mais”.

Ainda na comemoração dos seus três anos de vida, a marca fez uma parceria com o Mirante 9 de Julho e fez sessões de cinema abertas ao público, o “Cine Básico”. Foram dois filmes exibidos, “Juventude Transviada” e “O Selvagem”, protagonizados por James Dean e Marlon Brando, respectivamente. Ambos os personagens usavam uma camiseta branca, como a da Básico, que na época era um símbolo de rebeldia.

A marca ainda levou para o espaço a “Máquina de Básicos”, onde o consumidor escolhia o modelo da camiseta que queria, digitava o número correspondente no painel e a peça caia na gaveta — uma ideia para repensar a compra, menos agressiva para o cliente.

Toda essa estratégia fez com que a Básico ganhasse espaço na vida de seus consumidores e se destacasse dentro de um mercado saturado de informações. Para conhecer mais sobre as novas formas para trabalhar sua marca, confira o curso online Marketing de moda: novas práticas para um mercado em transformação, com André Carvalhal, produzido em parceria com a Saibalá.

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