Os negócios do futuro, ou melhor, do agora.

Entenda o que são negócios de valor compartilhado e saiba por que eles podem ser a solução para desafios do nosso tempo

A lógica industrial que nos trouxe até aqui e o sistema econômico vigente tornaram-se insustentáveis. A cada dia, os recursos naturais tornam-se mais escassos, enquanto em um sentido inverso a população mundial só cresce. Hoje, já somos mais de 7 bilhões de pessoas no mundo e pesquisas indicam que em 2050 chegaremos a mais de 9.5 bilhões. Este poderia até ser um dado irrelevante, se não tivéssemos também acesso a pesquisas que confirmam que atualmente a nossa espécie já consome 1.5 vezes o que a natureza consegue produzir. Imagine então como será o amanhã?

Além dos dados ambientais preocupantes, assistimos em paralelo a consolidação de uma organização social alicerçada em concentração de renda exacerbada. Os índices apontam que apenas cerca de 85 pessoas detêm hoje mais da metade da riqueza mundial, enquanto mais de 1 bilhão de pessoas vivem com menos de um dólar por dia. Chocante, não?

Diante deste contexto, a raça humana tem se visto imersa em um grande desafio criativo: a urgência de aprendermos novas formas de consumo compatíveis com a realidade do meio que exploramos. Precisamos aprender como reciclar mais, tornando o que é lixo de um segmento, matéria prima de outro e precisamos aprender a encontrar meios de subsistência coletivos, deixando o individualismo de lado. Todo esse cenário indica que nossos negócios também precisam se reinventar em busca de uma lógica mais justa, cíclica e positiva que seja coerente com os novos desafios do nosso tempo. Não é mais uma questão de escolha: ou fazemos isso, ou a escassez será total e impiedosa e os filmes apocalípticos passarão a ser o nosso reality show.

O novo sistema proposto, chamado por alguns de Novo Capitalismo, parece ser a busca por uma luz no fim do túnel. Alimentado pelo que chamamos de negócios de Valor Compartilhado, termo criado por Michael Porter e Mark Kramer e introduzido na economia através da Harvard Business Review, esse novo sistema propõe a ideia de que é possível criar uma nova forma de se obter sucesso econômico, compreendendo que o real êxito da empresa depende intrinsecamente da sua contribuição social e da sustentabilidade dos recursos naturais utilizados.

Isto implica dizer que precisamos pensar em negócios que impactem as pessoas, que solucionem problemas, que resolvam conflitos e que sejam justos em todo o seu processo, antes de analisar apenas a sua viabilidade econômica. Claro que o lucro é essencial e também a premissa de qualquer organização empresarial, mas ele já não pode mais ser a única coisa com a qual nos preocupamos.

Se você possui um negócio este é o momento de exercer uma profunda reflexão. Quais são suas principais competências? De que maneira sua empresa impacta positivamente a sociedade e quais os problemas das pessoas que ela soluciona? Se você não conseguir chegar a respostas concretas e positivas nessa equação, você precisa urgentemente ressignificar a sua essência enquanto marca, entendendo que as únicas empresas que sobreviverão a este novo momento serão aquelas que se importam com a relevância que possuem para as pessoas e para o mundo que as cerca, antes de preocuparem-se apenas com o seu próprio bolso.

Inseridos nesse novo modelo de negócios, vários são os cases de sucesso que nos inspiram: a Airbnb, por exemplo, é uma plataforma de aluguel de quartos online pelo mundo que em quatro anos de mercado ultrapassou o número de quartos, presença em países e faturamento da consolidada rede Hilton com seus 93 anos de história e tradição. A empresa, antes startup, revolucionou o mercado de hospedagem através de uma boa ideia, forte presença digital na internet e com zero impacto ambiental.

No segmento financeiro, temos o exemplo do Indiano Muhammad Yunus, fundador e presidente do Grameen Bank e conhecido mundialmente como o banqueiro dos pobres. Ele criou um modelo de negócios que empresta microcrédito com taxas de juros extremamente baixas, ofertando possibilidades justas de crescimento à pequenos empreendedores e empresários. Em relatos, ele afirma que em oito de suas agências, apenas na cidade de Nova Iorque, a rede possui mais de trinta mil clientes e nunca teve um registro sequer de inadimplência. Foi o seu desejo de confrontar o sistema e gerar um negócio que solucionasse problemas antes de apenas visar o lucro como fim, que resultou em 2.185 agências pelo mundo, posicionamento, diferenciação e até um prêmio Nobel.

Mudar a forma de fazer negócios é uma necessidade do nosso tempo e você e sua empresa precisam fazer a sua parte, não apenas por pensamento solidário e filantrópico, mas por adaptação a este novo meio que se forma e que ameaça de extinção aqueles que não estiverem dispostos a mudar. Confronte-se, transforme-se e esteja disposto a ser um colaborador ativo para a construção de um mundo melhor.


Para saber mais sobre novos modelos de negócios, que ofereçam soluções para os problemas da sociedade, das empresas e do nosso dia a dia, confira os cursos online A Natureza da Inovação: biomimética para marcas e negócios do futuro, com Fred Gelli, e Inovação para Todos: estimulando a mente criativa na era do compartilhamento, com Gisela Schulzinger.

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