Junho de 2013: a máquina de produzir idiotas

Escutei durante a minha última noite de insônia (ontem) o episódio do AntiCast que rememora os fatos ocorridos em junho de 2013. Dolorosamente incrível reviver aquele momento. Não sei quanto a vocês, mas me considerava um completo analfabeto político antes desse período da nossa breve história. Não que me ache um cientista político hoje, mas a sarcasticamente chamada Primavera Brasileira foi tudo, menos clara e objetiva. Tudo aconteceu de maneira tão nebulosa que, embora hoje eu tenha consciência de que fui a mais perfeita definição de massa de manobra, percebo a importância disso para a formação da minha identidade política, antes inexistente.

Os participantes do podcast lembraram como era praticamente impossível para a maioria da população, na época, determinar se alguma reportagem, artigo ou mesmo post em rede social continha ideais inclinados para a direita ou para a esquerda. E que a polarização ideológica, pelo menos da maneira como conhecemos hoje, surgiu ali.

Parece bobo, mas esses dias estava pensando em começar a correr. Sempre tem aquela barriguinha incomodando. Fui até o armário escolher uma roupa adequada e encontrei uma camiseta de treino da seleção brasileira de vôlei. Tecido com tecnologia dryfit, essas coisas que quem está acostumado a exercícios físicos valoriza. Lembro que ganhei de presente da, na época colega de trabalho, jornalista Maria Emilia Hauari. Trabalhamos juntos na Prole, uma agência que hoje, vejam vocês, está sendo investigada na Lava Jato. Sempre curti a camiseta, mas ficava gigante em mim, pois a ganhei em minha fase magrelo.

Lá estava eu, vestindo a camiseta e pronto pra correr no Aterro, quando dou uma última olhada no espelho e me deparo com BRASIL escrito em letras garrafais na altura das costas, cruzando de um ombro ao outro. Senti uma vergonha absurda daquela roupa. Imaginem vocês, eu que sempre amei o meu país estava com vergonha de usar uma camisa com as suas cores. Não só por ele não nos oferecer muito para nos orgulhar no momento. Mas por verde e amarelo ter virado o uniforme das pessoas que defendem o pensamento político com o qual eu não concordo.

Olhem que merda. Eu deixei de usar a camisa para não ser confundido com um “coxinha” ou um “bolsominion”. Logo eu, que faço textão dia sim dia também dar aos outros a chance de me confundirem com “eles”? Me senti um completo idiota por não conseguir usar verde e amarelo. E é isso que essa disputa faz com a gente. Gente ‘pessoa física’, sem foro privilegiado. Ela nos idiotiza.

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