Design: Além da estética

Texto de Maurício Azeredo, Professor Adjunto pela PUC Goiás.

5 de Novembro, Dia do Designer

Até o final do século XIX, se fazia uma separação brusca, uma ruptura, entre o mundo das artes e o mundo da técnica, dividindo a cultura em dois ramos estranhos entre si. Como escreveu o filósofo Vilém Flusser, do qual tive a honra de ser aluno na década de 1960, a cultura separava “por um lado, o ramo científico, quantificável, duro e, por outro o ramo estético, qualificador, brando”. Prossegue Flusser:

“A palavra design entrou nessa brecha como uma espécie de ponte entre esses dois mundos. E isso foi possível porque essa palavra exprime a conexão interna entre técnica e arte. E por isso design significa aproximadamente aquele lugar em que arte e técnica (e, consequentemente, pensamentos, valorativo e científico) caminham juntas, com pesos equivalentes, tornando possível uma nova forma de cultura”.

Esse pensamento, da década de 1980, necessita, hoje, ao menos uma complementação, pois além de estabelecer uma ponte entre arte e técnica, o design tem um novo desígnio que pode ser chamado sobrevivência! Sobrevivência do planeta, do meio ambiente e da espécie humana, sem distinção de extratos sociais, de raça ou de credo.

Qualquer que seja a área de atuação do designer, este tem como novo e fundamental desígnio trabalhar por uma necessária, urgente, segura e responsável mudança de atitude, em suas ações e projetos, com relação ao uso de nossos recursos naturais, ao consumo de energia, à redução do desperdício e do consumo desenfreado, desnecessário e desequilibrado, visando, sem preconceitos, uma melhor qualidade da vida nas sociedades humanas, não importando as fronteiras geopolíticas.

Além desse, tendo em vista em nossa sociedade a perversa distribuição de renda e o desigual acesso aos bens necessários a uma vida digna para todos os cidadãos, é também seu desígnio a permanente atenção em seus projetos a todas as soluções que favoreçam a inclusão positiva, a superação de desigualdades de oportunidades, fazendo com que a conquista da coerência e decência, superem a simples aparência e a superficialidade estilística.

Por essas razões e por muitas outras que podem, ainda, ser acrescentadas, se comemora hoje, 5 de novembro, o dia do Design e se abraça e se parabeniza o profissional designer por sua importância no mundo contemporâneo. Tenho orgulho por ser designer e contribuir com a formação desses indispensáveis profissionais.