Tatuagem da flor Narciso, na pele imperfeita de uma mulher real.

Entrevista

A mulher ideal.

- O que você considera essencial numa mulher? Fale-me ao menos dez pontos.

- Primeiro; que seja bonita. Atraente, de alguma forma. Que me chame a atenção. Sua beleza, do seu jeito, mas que me capte.

- Segundo; que seja inteligente. Que goste de ler. Não precisa ser uma traça de livros ou rata de biblioteca. Nem gostar de todas as leituras. Mas que seja inteligente e saiba discutir sobre que é lido. Na verdade, que aprecie o conhecimento.

- Terceiro; que goste rock, blues, jazz. Pode ser bossa nova, MPB ou algo do gênero. Sobretudo, que não me obrigue a escutar sertanejo, pagode e funk. Não é necessário ser fã do que elenquei, e sim entreter-se com isso. Que a gente consiga divertir-se, juntos, entende? Não somente com amigos, mas a sós também.

- Quarto; que goste de conversar. Capaz de sentar e bater papo sobre qualquer coisa, a qualquer momento, por horas. Sem isso, a mediocridade e o tédio seriam certeza.

- Quinto; que ela tenha disposição, energia. Principalmente quando eu não tiver. Não pode ser apática, prostrada. Tem que topar umas maluquices de vez em quando. Umas fugas repentinas do dia a dia. Tipo, uma sumida no meio da tarde, numa terça-feira. Uma viagem não programada pra um local qualquer. Pra sair do lugar comum.

- Sexto; olhos. Um olhar diferenciado. Instigante, provocante, profundo, complexo. Daqueles que parecem avançar até a alma. Pra que eu me perdesse neles, cada vez que a encarasse.

- Sétimo; pode colocar aí uma boa bunda, peitos firmes, coxas gostosas. Afinal, é sempre bom né. E é assim quando se fantasia, vale exigir tudo, o pacote completo. O deleite visual e cinestésico são bem vindos pra entrarmos em boa sinestesia.

- Oitavo; na mesma linha, que o sexo seja bom, com química, bem encaixado, gostoso. Devasso e doce. Que ela me queira na mesma intensidade que eu a deseje. Ou mais!

- Nono; estilo. Personalidade, expressa em sua aparência. Tatuagens, por exemplo, seriam boa pedida. Sei lá, brincos, piercings, maquiagem, um jeito diferenciado de se vestir. Que a destaque na multidão, sem aquele ‘crtl + c / ctrl + v’, o copia e cola, que tanto se encontra por aí.

-Décimo; que ela não tenha todas essas características ao mesmo tempo. Aliás, tanto faz. Que ela nem as tenha. Que não seja como quero. Pois, seria irreal demais. E acho não seria capaz de amar a ela, e sim aos meu desejos. Apaixonaria-me por mim. Meus caprichos, minhas vontades, pelas coisas que procuro, que gosto. A olharia, e veria nela o espelho das minhas projeções. Que ela não fosse como um sonho, pois a vida acontece fora deles. Que não fosse ideal, mas perfeita, ao seu modo. Ela; real o suficiente para que eu pudesse tentar amar seus defeitos e suas outras qualidades aqui não listadas. Na intenção de que eu me surpreendesse, como a paixão costuma fazer conosco. E que se o amor viesse, ele tivesse a chance de consolidar a relação entre duas pessoas, distintas, porém, completas, inteiras, juntas, no mesmo patamar. Enfim, que surgisse como ela é, e que eu a reconhecesse. No fim, o essencial nessa mulher, é que fosse ela mesma, para que eu pudesse amar a ela, e não a mim.


Não raras vezes, ansiamos tanto a chegada do amor, ou, desejamos tão fortemente o retorno de uma pessoa na qual o personificamos. Mas de quem sentimos falta, do outro ou da gente? O indivíduo que em nossa vida ocupa o lugar do ser amado é merecedor por ter chegado lá ou por ter sido posto? Amamos a pessoal real, dotada do que nos orgulha e nos incomoda; daquilo que nos alegra, somado ao que nos perturba? O aclamado sentimento nasce do outro ou de nossas projeções, expectativas, lembranças. E quando ele existe, mas o negamos, por não ter vindo no embrulho esperado, ainda é quisto? Pensando nisso, questiono-me: será que amei de verdade? Fui Narciso? Fui Romeu? Fui Mr. Darcy? Fui Bentinho? Fui Heathcliff? Fui Quixote? Fui eu mesmo? Há horas que me entrevisto e busco tais respostas, tentando descobrir se sei amar e se estou pronto para isso.
E você, sabe? Está pronto? Idealiza o amor? Como vê o amar? O que viveu? Do que ou de quem sente falta? Conte-me sua história. Sua opinião. Me diz aí em baixo, vai. Vamos conversar. Comecemos nova entrevista.

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