La pranchadora, de P. Picasso.

Tento

Noto

Vê a luz que te acorda. É o dia. E reclama.
Vê o pesar noutro olhar. Melancolia. Ignora.
Vê sorriso e cumprimentos. É inveja. Deprecia.
Vê anoitecer as horas. Desperdício. Comemora.
Vê a simples tentativa. É burrice. Já critica.
Vê no espelho o lacrimejo. Egoísmo. Se comove.

Ouço

E conhece do que penso quando falo pelas linhas
Julga apenas o que vê não te importa as entrelinhas
Sem saber que a beleza que procura é formatada
Não alcança o sentimento de quem põe cada palavra
E me diz: “Está errado. É tão pobre o que faz.”
Eu te digo: “É o que penso, o que sinto, nada mais.”

Calo

É mentira dizer que não me importo com o que diz
Mesmo você, um daqueles que põe no ego a motriz
Que ignora dia a dia ver milagres na rotina 
Reduzido ao desdém que a soberba vangloria 
E ao tédio inevitável que a certeza sempre traz
Eu te digo: “Ao menos erro. E você nem tenta mais.”

Saio


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