Até breve

“Vamos tirar um selfie, vó?”. “Vamos!”, você respondeu. E sorriu, como se tivesse a mesma idade que eu, e perguntou: Ficou bonita?

Se você me perguntasse, no momento em que tiramos a selfie, o que eu achava que iria acontecer nos 11 meses que se seguiram, eu inventaria todas as histórias possíveis, menos as que realmente aconteceram. Foram meses cheios de surpresas (ruins e boas), descobertas (ruins e boas), encontros, reencontros, desencontros e despedidas.

E a cada despedida eu me perdia, tentava fugir, achar refúgio e, por fim, acabava encontrando comigo mesma. E encontrando comigo mesma, eu precisava revisitar todas as memórias, todas as palavras ditas e não-ditas, todas as promessas e todas as heranças de uma história que continuava sendo contada, mesmo sem a minha vontade de continuá-la.

E a cada despedida eu ia me preparando, sem perceber, para esse momento. Momento esse que me fez questionar, através da sua história, absolutamente tudo o que eu vivi até então. E aprendi muito.

Aprendi que dizer adeus não significa nunca mais, mas até breve. Aprendi que família é de sangue e tudo mais que a gente quiser. Aprendi que a vida não termina quando vida acaba. A vida continua através das histórias, das memórias, dos ensinamentos, das risadas (e quantas risadas, né?). Porque eu nunca vou esquecer do barulho que o arroz faz na panela quanto está na hora de colocar a água, ou de como você se sentiu a primeira vez que usou uma calça comprida (minha favorita).

Porque sem você e suas histórias, não existiria a minha própria. E te agradeço, por toda a sua vida em todos os momentos, bons e ruins. Sempre sorrindo, sempre de batom no bolso (mesmo esquecendo de usar na maioria das vezes).

Até breve.

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