Já sem sereno, mais uma sexta-feira se renovava ao passo das gaivotas fazendo fila na areia e esperando o retorno dos pescadores. Entre o frescor da manhã na praia oceânica e o sol quente sobre os operários do Porto Maravilha, um certo gosto de recompensa unia olhares de quem partiu cedo para ganhar o dia.
A proximidade com o fim de mais uma semana trazia o filão do mês: o dia do pagamento, o pagode, o faz me rir, o cascalho. Uma volta para casa com mais dignidade do que nos outros dias era espalhada no consciente coletivo com um aditivo de entusiasmo.
Agora não tinha mais saída, os direitos estavam garantidos na lei mais sabida pelo trabalhador — de que hoje não passa, é quinto dia útil. Cerveja prometida, carimbo de “pago” no carnê, rancho com fartura, vale-transporte adiantado, a ajuda para os pais (ou para os filhos), o passeio planejado — tarefa cumprida.

O calor escaldante dos amontoados de asfalto, metal e concreto nas obras na zona portuária do Rio tremulam a sombra de calor que renasce a cada dia. Seja nas centenas de carros recém saídos de fábrica, aguardando no cais, ou nos milhares de ônibus que lotam o centro histórico do Rio, a natureza do ciclo é como uma música pela proximidade de um novo fim de mês.
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