A Gestão de Pessoas que a Prefeitura precisa

Para especialistas, o setor ainda não tem a importância devida e precisa ser repensado junto com a cidade

“As pessoas precisam ser cuidadas”, afirmou Clóvis Bueno, professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas) ao iniciar sua fala no segundo dia da Semana do Servidor e da Servidora 2015. Mas ainda com a dedicação e a valorização do corpo funcional, especificamente na gestão municipal, há alguns desafios que precisam ser superados.

Bueno compartilhou a mesa com a chefe de gabinete da SMG (Secretaria Municipal de Gestão), Marcela Tapajós, e com a ex-presidenta da ENAP (Escola Municipal de Administração Pública), Helena Kerr. Juntos, discutiram a Gestão de Pessoas na Prefeitura de São Paulo.

O debate sobre o setor, essencial em uma Prefeitura com mais de 140 mil servidores, como é o caso da de São Paulo, envolveu os participantes, que além de levantarem opiniões, aproveitaram o momento de integração e de aproximação para questionar.

Parecer sobre os subsídios

Marcela Tapajós abriu o debate discutindo a respeito das tratativas trabalhistas. Apresentou, como práticas da SMG, o diálogo social, a transparência ativa e a negociação coletiva. Comentou a respeito da agenda da pasta, que envolve também o assédio moral, pauta importante e indispensável.

A respeito da implantação dos subsídios, Marcela, aproveitando sua experiência como Secretária Adjunta de Relações de Trabalho, comparou que, no governo federal, a proposta foi bem avaliada. Porém, na esfera municipal, ainda há alguns alinhamentos necessários.

Ainda assim, Marcela listou algumas das vantagens da iniciativa, como a estabilidade nas remunerações, melhor gestão no crescimento da folha e a maior possibilidade de previsão de gastos e de reajustes, entre outros.

Qual é a São Paulo de hoje?

Uma cidade em constantes transformações precisa de uma Gestão de Pessoas que acompanhe esse ritmo. Helena Kerr comparou a São Paulo de outras décadas com a atual para ilustrar que a administração pública precisa se modernizar, observando as diversas realidades territoriais e da sociedade.

“Temos [nós, servidores] desejo pelo estratégico, mas somos incendiados pela urgência”, ponderou Helena. Para ela, especialmente no setor de recursos humanos, há uma série de questões que a gestão pública, como um todo, precisa reestruturar — e não somente sucumbir às pressões diárias e “aos fogos a apagar”.

A baixa priorização do desenvolvimento de pessoas e a descontinuidade de equipes — provocada, várias vezes, por mudanças de mandatos que desfragmentam grupos — foram alguns dos sintomas levantados pela ex-presidenta da ENAP, que também exerceu cargo de secretária de Gestão na capital paulista, entre 2001 e 2002.

Também elencou práticas de uma administração do futuro que precisam ser incorporadas. Entre elas, o uso do Big Data no meio público, reconhecer a necessidade de mudanças no modelo de gestão de serviços em territórios diferentes, e ampliar o foco para a diversidade. Tudo com a ajuda dos funcionários: “servidoras e servidores podem contribuir para uma cidade melhor”, disse.

Faltam definições

Ao pontuar que o corpo funcional precisa de cuidado, Clóvis Bueno, que também é servidor público, avalia que o município ainda tem muitos desafios pontuais para solucionar. “Cada governo é diferente, mas aqui [na Prefeitura de São Paulo], ainda não conseguimos dar à área de Gestão de Pessoas a importância que ela merece”, acredita.

Entre os “gargalos” não bem resolvidos, Bueno lista uma falta de definição no regime jurídico do servidor público — estatutário ou celetista. Na mesma linha, para o professor, nem mesmo a aplicação de ingresso por meio de concursos públicos é especificado: “seria melhor fazermos entrevistas? Quando que isso é permitido? Exames mais rígidos ou com maior liberdade?”, questiona.