CEU Campo Limpo — Escola e comunidade

Por Ligia Cosmo Cantarelli

O CEU Campo Limpo impressiona pelo seu tamanho. O complexo abriga núcleo cultural e esportivo, Centro de Educação infantil (CEI), Escola de Educação Infantil (EMEI), Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) e um polo universitário com cursos na área de Educação (Uniceu).

Em todo esse espaço, me chamou a atenção a ausência do barulho que caracteriza o portão das escolas no início da manhã. Senti falta do riso alto e da correria das crianças e cheguei a lamentar que a visita tenha ocorrido no período de férias escolares.

Após a apresentação feita pela equipe, bastante zelosa e orgulhosa de seu trabalho, começou verdadeiramente meu encontro com CEU. Ele ocorreu pouco a pouco, no mesmo passo em que os usuários chegavam. As adolescentes que dançam hip-hop, jovens que fazem manobras na pista de skate, a mãe que traz o filho pequeno pela mão. Cada encontro ressignifica o espaço e dá sentido às instalações.

Na biblioteca, um senhor usa o computador. Ao lado, três crianças se revezam em um jogo: estão alegres e curiosas com a nossa presença. Sorrisos. Pela janela, já se vê intenso movimento nas piscinas.

Nosso guia aproveita para ajeitar um cartaz na parede, cuja cola começa a ceder. São como anfitriões que mesmo sabendo que a casa está arrumada gostam de dizer: “Não reparem na bagunça”.

Num espaço tão plural, é inevitável não pensar no modelo de educação que queremos. Se pretendemos ter uma escola que ajude a formar uma sociedade mais humana e mais tolerante, precisamos que ela esteja aberta às possibilidades de construção do conhecimento além da sala de aula, da lousa e dos livros, criando oportunidades para que os estudantes atuem na sua comunidade e que, por sua vez, a comunidade se veja não apenas refletida nessa escola, mas se reconheça como participante dela.

Se há ainda longa distância a percorrer para uma educação pública mais democrática e de qualidade, alguns atores do processo já estão encontrando seus próprios caminhos, como os usuários do CEU Campo Limpo, que nas férias ocupam o espaço público para dançar, nadar, jogar, brincar e, sempre, aprender.

Lígia cursa Licenciatura em Ciências na USP