Um olhar: De Braços Abertos

Por Rayssa Mendes

Oficina com beneficiários do programa. Fernando Pereira /SECOM PMSP

27/01–09:35. Olhos: abertos. Mãos: inquietas. Os braços cruzados. E por que não abertos?

Abrir. Um horizonte deve estar sempre em expansão e essa foi a sensação do que experienciamos ao conhecer o programa De Braços Abertos, da Prefeitura de São Paulo.

A horizontalidade que o programa propõe ao vincular diferentes setores da sociedade evidencia quase que literalmente o que significa o programa, assim como a proposta de dar o suporte necessário àqueles que o buscam.

Muitas vezes, a dificuldade maior reside na reintegração social, nem sempre, simplesmente, na dependência em si. Estar na situação de adicto não é a melhor escolha, mas as vezes ela pode parecer a única. Nessas situações, todo braço que se oferece é fundamental. De braços abertos, se abraça e acolhe uma vida.

As interdições podem ser facilmente desacatadas, mas as oportunidades com igual facilidade são lembradas. Esse é o intuito do programa. Pessoas envolvidas, preocupadas com pessoas. Tais políticas de redução de danos devem estar em constante aperfeiçoamento, mas elas devem existir, para que um dia deixem de ser necessárias.

Sonhar com uma sociedade livre de problemas pode ser uma utopia e as utopias são como a linha do horizonte: talvez nunca alcancemos, mas é o que nos move a caminhar. A utopia, como o horizonte, deve estar sempre em expansão, sempre aberta, de braços abertos.

Os beneficiários do programa que o digam. Eles próprios tendo designado tal nome, buscam ali, na “Tenda”, sua oportunidade, um braço para se apoiar. Do outro lado, pessoas que se ocupam fundamentalmente em mostrá-los que eles existem, que se preocupam em fazê-los pessoas, recuperando aquilo que é a característica humana mais elementar na nossa sociedade: a dignidade.

O De Braços Abertos em pouco tempo nos mostra que podemos acertar, mesmo que a jornada seja longa e árdua. Como o horizonte, é preciso sempre expandir. Como o horizonte, a redução de danos não é um fim em si mesmo, mas um caminho que pode transformar histórias, enquanto essas próprias histórias nos transformam ainda mais.

Rayssa Mendes é pós-graduanda em Ciências Sociais na PUC, e participa da 3ª Semana Universitária na Prefeitura de São Paulo

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