Adeus MSN — Os 3 anos de pura magia
O mundo da bola nos guarda idas e vindas, chegadas e despedidas, brigas, amizades, encontros, e muitas separações. Algumas delas passam despercebidas, já outras machucam e logo saram, só que essa em especial vai deixar saudades por um tempo para todo bom fã e apreciador do futebol bem jogado. Foi difícil se despedir do MSN, agora imagine perder dois MSNs em menos de 10 anos. A rede social de conversas se resumiu por bastante tempo a momentos de lazer, assim como quem ligava a TV para assistir o trio mortal esculachar as defesas de La Liga.
A sigla perdeu a sua letra mais ousada e alegre, a que partia pra cima e fazia os olhos brilharem com dribles desconcertantes e jogadas de efeito. A raça e a genialidade se mantém, mas o N que dava show agora vai desfilar por gramados franceses. Com o DNA canarinho, Neymar mostrava que o futebol podia sair do chato e que o jeito moleque ainda tinha lugar em meio a tanta mecânica e tática. A Espanha degustou como poucos puderam degustar da beleza do improviso.
No Velho Continente, por três anos, quem encantava eram os sul-americanos. Em 2014, logo em seu debut juntos, o trio de forma espetacular anotou incríveis 122 gols. Uma única temporada, somente 3 jogadores e três dígitos de tentos, quem imaginaria? Quem disse que isso era tudo? O que se via em campo era um show, a amizade era visível, um futebol diferente era praticado, era perceptível, era lindo! Trocas de passes envolventes, canetas de Neymar, enfiadas de bola com a canhota sagrada de Messi e os disparos do pistoleiro Suárez.
A temporada 2014/15 foi histórica em todos os aspectos. Você piscava e o Barcelona ganhava um título, você pensava em piscar novamente e eles já estavam levantando outro caneco. A La Liga foi emocionante, uma luta ponto a ponto com o rival madrilenho e no final, dois pontos de vantagem para garantir a taça. Copa do Rei? Era 9 a 0 no agregado pra lá, 6 a 2 pra cá, um 4 a 2 emocionante no Atlético de Madrid, até chegar a grande finalíssima. Show de Neymar e Messi no Camp Nou e nada de zebra: 3 a 1 no Bilbao e outro título pra conta.
Na Champions League, hahaha, era engraçado ver o que acontecia. Um passeio, ali, outro acolá. Caramba, 3 a 0 no Bayern? Nem sentiram a pressão? Então pronto, vamos a Berlim. Primeira final de Champions League de Neymar e Suárez, contra Pirlo, Tevez e companhia? A escola italiana tinha tudo pra surpreender os catalães… foi o que disseram. A Juventus tomou um baile na Alemanha, o uruguaio e o brasileiro marcaram e tornaram possível a tão sonhada tríplice coroa. Nem nos sonhos do culé mais otimista do mundo esse triplete, conquistado de forma genial, viria já na primeira temporada.
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Logo na primeira temporada, o trio MSN conquistou a Champions League.[/caption]
Já em 2015/16, os shows e desfiles pelo mundo continuaram. O Mundial de Clubes, sonho do menino brasileiro, foi conquistado com facilidade, era só mais um pra conta do Barcelona. Mas antes disso, o Real Madrid sofreu na mão do MSN. O Bernabeu assistiu, calado e perplexo, um baile dos azuis-grená, um 4 a 0 que não permitiu a mínima reação dos merengues em nenhum momento. Logo em seguida, quem vai conseguir esquecer aquele chapéu do menino Ney na partida contra o Villareal? Pelos pés de Puskás!
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Baile no Bernabeu: Barcelona goleou o Real por 4 a 0 sem dó, nem piedade[/caption]
A La Liga novamente ficou nas mãos do trio. Um ponto de vantagem sobre o Real Madrid, emocionante de novo e mais uma pra estatística. Porém, apesar disso, no inicio de 2016, o encanto pareceu se enfraquecer. As atuações já não eram tão convincentes, mesmo com um 7 a 0 no Valencia na Copa do Rei em fevereiro, que manteve a esperança dos culés de que a mágica ainda existia, até que em março veio a primeira grande queda dos gigantes. Nas quartas da UCL, o Atlético de Madrid de Simeone conseguiu parar os tão temidos e até então, atuais campeões continentais. O Calderón pulsou forte em uma vitória por 2 a 0, que mandou os catalães de volta para a casa sem a classificação.
No final da temporada, o Barcelona confirmou o domínio do território espanhol novamente, vencendo a Copa do Rei com um 2 a 0 sobre o Sevilla na prorrogação, com direito a gol de Neymar no finalzinho. Era a redenção, que veio no mesmo local da queda, o Vicente Calderón. Os dois títulos nacionais vieram aliados ao recorde de gols do trio: foram 131 gols anotados pelos três, uma coisa inimaginável. Em 2016/17, buscariam encantar de novo e quem sabe levantar a Champions novamente.
Logo de inicio, o novo esquema, a nova maneira de jogar, parecia que iria dificultar muito para os três darem show novamente. De fato, foi o que aconteceu, mas da sua forma. As goleadas ainda vinham aos montes. No espanhol, goleadas no Camp Nou eram normais e na Champions League, também. Shows contra Manchester City e Celtic marcaram a primeira fase da competição continental, mas a na virada de ano, aquilo que parecia eminente na janela de transferências aconteceu.
Com um meio sem criação e uma defesa montada de forma bisonha, o Barcelona passou a ter dificuldade até contra times menores na liga nacional. O sorteio da UEFA colocou a frente dos culés um adversário complicado, mas conhecido pela sua freguesia: o PSG. No primeiro jogo em Paris, os franceses jogaram em ritmo de música, um 4 a 0 tranquilo, que pareceu sacramentar de cara o confronto. Duvidaram do time errado, duvidaram dos gênios errados. Lionel Messi teve que se reinventar, mudar de posição, para fortalecer o meio-campo morto da equipe e a mágica aconteceu. Um dos maiores eventos da história do futebol aconteceu no Camp Nou. La Remontada ficou marcada na história como a virada mais improvável da história do esporte, uma coisa de louco. Neymar, Messi e Suárez conseguiram reverter a situação com um 6 a 1 dentro de casa, conquistado no último minuto de jogo em uma partida com roteiros de Hollywood.
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La Remontada foi um dos episódios mais marcantes da história do futebol[/caption]
Apesar da virada, a equipe continuo sendo contestada. Na próxima fase da Champions enfrentaria a Juventus de Buffon e sabia que não poderia dar mole na ida novamente, mas deram. No Juventus Stadium, o Barcelona sofreu outra goleada, dessa vez por 3 a 0 e ia ter que buscar uma Remontada 2.0. Dessa vez não aconteceu, um 0 a 0 na volta e ali estava, mais uma eliminação nas quartas do torneio acumulada em dois anos. No final de semana seguinte, era tempo de El Clásico. O Bernabeu então assistiu outro evento histórico, mais uma vez proporcionado pelo extraterrestre do trio, o que comandava tudo, Lionel Messi. Jogo truncado, o argentino já tinha marcado e o final se encaminhava com um 2 a 2 no placar: a bola chegou para Leo, que de chapa aos 48 do segundo tempo finalizou com maestria, era o gol 500 com direito a madrilenhos calados.
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Dois gols e uma comemoração especial: o tento 500 da carreira de Messi aconteceu no Bernabeu[/caption]
A Copa do Rei, de novo, não escapou, título em cima do Alavés com destaque para os confrontos contra o Atlético de Madrid na caminhada. Por sua vez, depois de anos, o Campeonato Espanhol voltou para a mão do Real, mais uma vez, de forma apertada, por 3 pontos. O ano terminou com contestações a Suárez e com o trio anotando “apenas” 111 gols, a pior estatística dentre as três temporadas. Lionel Messi, foi responsável por quase metade, com 54 marcados. No meio dessa temporada de frustrações, dúvidas sobre a permanência dos jogadores na Catalunha começaram a surgir.
Por fim, Neymar resolveu tomar um novo rumo, resolveu partir para Paris e escrever uma nova trajetória. O trio mais marcante da história do futebol, queira você ou não, perdeu, seja por ambições profissionais ou por dinheiro, uma grande peça. O mundo do futebol não será mais o mesmo, nós sentiremos a falta de poder assistir tanta genialidade junta em um campo, mas poderemos contar aos nosso filhos que vivemos isso e pudemos aproveitar do futebol de amizade dos três. Boa sorte ao brasileiro no PSG e que os deuses da bola redonda nos permitam ver novamente algo parecido com o MSN, seja onde for.