Talvez você não precise de uma startup

A roteiro da história é bem conhecida: Jovens nerds largando a faculdade para criar produtos e serviços em suas garagens e que em pouquíssimo tempo vão render alguns milhões de dólares.

Aconteceu na década de 80 com a geração de Steve Jobs e Bill Gates e na década de 90 com Yahoo, Hotmail, Paypal, eBay e Google. Já nos anos 2000 foi a vez de caras como Mark Zuckerberg com o Facebook, Chad Hurley‎ com o Youtube, Evan Williams com o Twitter, Reid Hoffman com o LinkedIn e a lista segue crescendo até os dias de hoje.

No Brasil, a partir de 2010 o número de Startups disparou. Segundo a ABStartups, fechamos 2015 com 4.151 startups registradas. Se levarmos em conta as empresas que ainda estão em fase embrionária, esse número seria bem maior. É oficial, Startups são o hype do momento.

Construir uma startup é cool e descolado. Sim, é legal (de verdade). Eu quero ter uma startup, um dia. Mas talvez você não precise ter uma, pelo menos não agora.

Se você chegou até aqui e ainda não sabe muito bem o que é uma startup, uma das definições que mais gosto é:

Uma startup é um grupo de pessoas focado em criar novos produtos ou serviços em condições de extrema incerteza e com um modelo de negócio que seja repetível e escalável.

Por "repetível e escalável" entenda que o produto/serviço de uma startup precisa ser desenhado para atender 10 pessoas ou 100 milhões. O Facebook por exemplo, já teve alguns milhares de usuários, hoje tem mais de 1 bilhão, e se entrassem hoje outros 5 bilhões, ainda sim o produto seria o mesmo (claro que nesse caso, a infraestrutura precisará passar por upgrade, mas não necessariamente o produto).

Em outras palavras, uma startup já nasce com o desafio de crescer. Mais downloads, mais users, mais tempo gasto com seu produto/serviço e por aí vai.

Tá, mas onde eu quero chegar com tudo isso?

Recentemente eu lancei um projeto chamado Sempre Quis, um workshop para ajudar pessoas a tirar ideias da gaveta. A primeira turma contou com um limite de 6 pessoas. Eu queria que tivéssemos tempo e espaço suficientes para desenvolvermos nossas ideias ao longo de um dia inteiro.

Quando comentei sobre o projeto com algumas pessoas ligadas ao universo de startups os feedbacks foram bem parecidos: "Cara, você precisa encontrar uma forma de escalar isso".

Eu fiquei com isso na cabeça e comecei a pensar em diversas possibilidades. Como transformar o Sempre Quis em um produto que possa atender uma pessoa e ao mesmo tempo atender a milhares? Sem dúvida parece ser uma boa ideia. Mas foi aí que eu parei e me perguntei: Será mesmo que eu preciso transformar isso em um produto pra milhares de pessoas? Talvez sim, mas talvez não.

O ponto é que pouco importa se o que você faz se enquadra no modelo startup ou não. Se ele pode ser reproduzido em grande escala ou não. O que realmente faz a diferença no fim do dia é você fazer algo em que acredite e que faça sentido pra você.

Talvez um dia o Sempre Quis se torne uma startup e seja capaz de oferecer valor a milhares de pessoas. Mas hoje, se através dele eu puder ajudar a cada workshop 6 pessoas a tirarem ideias da gaveta é o bastante pra mim.

No fim das contas, ser pequeno em um mundo que supervaloriza a grandeza talvez seja o seu maior indicador de sucesso.

Mas isso é papo para outro post.

:)