O que nos faz ser quem nós somos.

Colo a bunda no sofá todo domingo à noite para ver Game of Thrones não porque eu entenda alguma coisa de estratégia ou porque eu curta ver cenas de batalhas, mas sim por amar pessoas e suas particularidades, sejam elas fictícias ou não.
E não apenas em Game of Thrones, na vida eu sou viciada nessas pequenas coisas que fazem cada um de nós um floquinho de neve único e especial.
E percebam a sutil diferença: uma coisa em gostar de pessoas é gostar de fazer trabalhos em grupo, outra completamente diferente (e o meu caso) é gostar de indivíduos.
O próprio nome já diz: é conhecer a individualidade de alguém. Não à toa, é geralmente nesses momentos em que eu acabo me apaixonando — quando percebo aquela coisa que diferencia um ser na multidão, aquela particularidade ou esquisitice, ou até mesmo um segredo um pouquinho abaixo da superfície que se revela pra mim em algum momento.
Porque são desses traços que a gente se lembra. São as pequenas coisas que levamos conosco e vamos acumulando. Características de cada um que passa por nós e que ficam porque de alguma forma nos marcaram, ou simbolizam alguma parte do laço que uniu duas pessoas que se encontraram nessa vida.
Pode ser um sorriso, uma pinta, uma risada, um jeito de usar as mãos enquanto fala, uma forma de mexer no cabelo ou até uma gíria maluca. Até consigo enxergar e ouvir tudo isso enquanto penso nelas para escrever e se você se concentrar por um minuto ou dois, certamente vai encher a mente rapidinho também de coisas que as fotos nem sempre registram, mas a memória não nos deixa esquecer (até uma ruim como a minha).
Quando faço o exercício inverso e tento pensar em coisas que me fazem ser eu mesma, percebo que é impossível tentar chegar a uma resposta adequada. Da mesma forma que só eu percebo os meus defeitos antes de subir uma foto para o Instagram, essas particularidades que me tornam única só podem ser enxergadas por quem me observa, por alguém que em mim repara, e por pessoas que eu, de alguma forma, afeto ou já afetei um dia.
Essa consciência me persegue e me faz tentar desenvolver coisas melhores em mim para os olhares mais atentos. Mas, em um mundo onde os olhares atentos só observam perfis em telinhas, ocultos à distância, quem está reparando em nós de verdade?

