Secretária eletrônica.

Ano passado eu inventei de rever Gilmore Girls todinha antes da estreia do reboot. Lembro que a coisa que mais me impressionou foi ver como a secretária eletrônica desempenhava um papel tão importante na série. Era por meio dela que vários recados, confissões e tramóias aconteciam.
Eu nunca tive uma secretária eletrônica em casa e a do celular só me serve para gerar notificações que nunca vão embora e, mesmo assim, não consigo parar de pensar em como construímos a vida de um jeito em que as secretárias eletrônicas nunca nos abandonaram de fato, só tomaram novas formas.
Hoje é possível “deixar uma mensagem” pra uma pessoa em vários lugares. No whatsapp, no facebook, no twitter e até mesmo no instagram agora com suas directs. E a pessoa que recebe tem total direito de responder àquilo quando achar mais conveniente. Ou seja, nunca.
E mais estranho ainda é perceber como esse comportamento de “deixar mensagens” simplesmente se tornou o nosso padrão. Estamos tão centrados que o monólogo se tornou nosso maior companheiro?
Entendo a aversão a falar ao telefone, ninguém é obrigado a gostar mesmo. Aliás, acho um desrespeito quem liga pra pessoa e desembesta a falar sem nem ao menos perguntar se a pessoa que também está com outro dispositivo móvel do outro lado está livre pra falar naquele momento. Mas, confesso que me preocupa esse futuro em que parece que estamos todos falando com paredes, enviando gravações e textos perfeitamente editados para serem ignorados ou respondidos dentro de uma etiqueta de importância que cria regras estúpidas que requerem que você responda no dobro do tempo ou com a mesma quantidade de caracteres, dependendo do quanto de interesse você quer ou não demonstrar naquela situação.
Ou seja, a praticidade matou a nossa espontaneidade e levou junto com ela mais um pouquinho da humanidade que nos restava.

