Serenata entra em nova fase. Nós também.

Por Felipe Cabral e Irio Musskopf

Dois anos atrás, quando começamos a Operação Serenata de Amor (em conjunto com o Eduardo Cuducos), não sabíamos exatamente o que esperar de resultados. A missão era mais do que clara: tínhamos conhecimento tecnológico e vontade de usá-lo para benefício da população. Inteligência artificial já contribuía para o crescimento exponencial de grandes empresas no mundo inteiro. Mas e o restante da população? E os 99%?

A Open Knowledge, na época, já era referência mundial em advogar pela abertura de dados governamentais. Além disso, avanços recentes como a nossa jovem Lei de Acesso à Informação viabiliza, na prática, a transparência no funcionamento do Estado brasileiro. No entanto, transformar essa montanha de dados em informação compreensível pela população ainda era — e em certa medida continua sendo — um trabalho hercúleo, que exige treinamento avançado e caro em várias áreas. Quem está disposto a realizar essa tarefa tem que entender de processamento de dados, de estatística, de direito, de gestão pública, de comunicação…

Nos propusemos a investir nossa dedicação nesse objetivo: fazer algo pela sociedade civil com os conhecimentos que detínhamos. Nesses dois anos tivemos que tomar decisões difíceis que sempre acabaram por levar a Serenata a outros patamares. Como quando decidimos deixar outras responsabilidades de lado e trabalhar no projeto em período integral, ou quando investimos em expansão como ferramenta de jornalismo de dados e, finalmente, quando experimentamos uma aproximação com a Open Knowledge Brasil (OKBR).

Mãe de muitos projetos que admirávamos, a OKBR se tornou um complemento perfeito para todos os objetivos que buscávamos como projeto. Enquanto nos assumíamos como “ativistas de sofá”, trabalhando em explorar dados do conforto de nossas casas, a Open Knowledge trazia conhecimentos complementares nas áreas jurídica, ativista e jornalística, por exemplo. Decidimos nos tornar parte da OKBR, trazendo a Operação Serenata de Amor conosco.

Por 6 meses, essa parceria foi experimental. Os resultados positivos são claros, sempre expostos nos nossos relatórios mensais. Antes da OKBR, a Serenata era conhecida apenas pela Rosie, um “robô” que encontrava gastos suspeitos na Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar da Câmara dos Deputados. Hoje, trabalhando em conjunto com tribunais de contas, Ministério Público e imprensa, temos estrutura para realizar sonhos mais ambiciosos. Quem acompanha nossa atividade no Facebook e no Medium, já consegue ver um pouco do Querido Diário e do Perfil Político, projetos grandes que refletem nossa visão para o médio e longo prazo sobre as informações que a população brasileira já deveria ter acesso.

Nesse momento, chegamos a outro ponto decisivo para o crescimento da Serenata. Talvez você nem saiba, mas nós dois — Cabral e Irio — deixamos de morar no Brasil recentemente. Se você nem notou, tudo funcionou como deveria. O Programa de Ciência de Dados para Inovação Cívica da OKBR, do qual a Serenata faz parte, segue crescendo em várias frentes, trazendo cada vez mais contribuidores e novidades. A partir de agosto, essa união entre Serenata e OKBR deixa de ser apenas uma parceria e Serenata se consolida como um projeto dentro da Open Knowledge Brasil. Nada muda do que já vinha acontecendo nos últimos meses, mas deixamos de estar em estágio experimental.

Quanto a nós dois, a partir de agora, seguiremos apenas como mentores e contribuidores esporádicos da Open Knowledge Brasil e da Operação Serenata de Amor.

Nossa ânsia por fazer parte de projetos incríveis só aumenta. Os países em que agora moramos têm situações bastante específicas e adversas, exigindo dedicação proporcional para entendê-las mais a fundo. Já vimos que a Serenata não se limitará ao Brasil. Já começamos a inspirar comunidades em vários outros países. Esperamos que esse aprendizado possa fortalecer também o grupo trabalhando no Brasil e a trazer técnicas mais efetivas para a América Latina. Todos ganham.


Para acompanhar o Programa de Ciência de Dados para Inovação Cívica, os caminhos seguem os mesmos: