SIBA — AVANTE (2012) | caranguejos #03

“Um verso preso é um tiro que a arma não disparou.”

Em janeiro de 2012, Siba lançou Avante, o seu primeiro trabalho solo. Um fato curioso para alguém com uma carreira tão duradoura, experimental e completa, como à do cantor pernambucano.

Antes de se arriscar no modelo solo, Siba já havia liderado o Mestre Ambrósio, durante o auge do manguebeat nos anos 90, e elevado o folclore pernambucano ao patamar da música pop dos anos 2000, com Siba e a Fuloresta. Entretanto, antes de Avante, Siba sofria de um dilema.

No documentário sobre a composição deste disco, Siba Nos Balés da Tormenta, Siba justifica que o fato dele ter participado de inúmeros projetos acabou criando modelos dele próprio que o pressionavam demais, de certo modo característico, e que era a hora dele se reencontrar como artista.

AVANTE | palhetando o dilema

Neste trabalho, que, no geral, resume e nos apresenta o verdadeiro Siba e toda a sua bagagem musical, ele precisava de um instrumento fixo. Não mais apenas a bela voz rimada ou a rabeca de seus tempos mais novos. Para Avante, ele assume o posto de guitarrista, instrumento este o primeiro o qual ele passou a praticar, isso com 14 anos de idade.

Em seu redescobrimento como guitarrista, Siba é capaz de nos levar, com o uso de cordas, do Nordeste brasileiro, com a viola nordestina, até as origens musicais modernas da África, com a sua rítmica guitarra. Com um estilo caranguejo de tocar, com apenas dois dedos, ele cria um mangue de melodias e possibilidades sonoras, passando do folclore até ao mais moderno indie rock.

Adotar o posto de guitarrista foi complicado, ainda mais em um mundo que havia se alterado. E que, com essas mudanças mescladas com a busca da definição de uma posição artística, Siba afirma que se perdeu nos processos de criação, mas que aos poucos foi tecendo todos os processos e desenvolvendo a obra que viria a ser Avante.

AVANTE | a poesia

A sua poesia, tanto metricamente como criativamente inspirada nos mestres de maracatu e repentistas, ganhou novos ares e se modernizou. Talvez, com longo e complicado processo de composição (e redescobrimento), sua poesia se apresentou de uma forma muito mais pessoal e que, em alguns momentos, se apresenta ser muito mais dramática, sarcástica e sombria.

Entretanto, ainda continua com uma beleza suprema. Com uma beleza que apenas Siba é capaz de cantar. Ainda mais com canções que narram toda a trajetória de um dos melhores músicos brasileiros, aqui muito bem casada com o trabalho do produtor Fernando Catatau.

Com uma moderna mistura de danças folclóricas, maracatu e ciranda, e rock alternativo, Siba estreia, de maneira solo, com maestria, poetizando os versos que ele aprendeu a compor nos tempos de manguebeat e das danças em Nazaré da Mata com o seu eu próprio. O resultado é um perfeito álbum de mangue.

SIBA | preparando o salto (vídeo)

Setimo Volume

análise de filmes, discos, shows e afins.

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Luis Eduardo C. Bortotti

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escreve no https://medium.com/setimo-volume e no @luissalsicha

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