Como a Rotina Pode IMPLODIR Sua Mente Criativa (na maioria dos casos)

Original por Kelly Sikema

Eu sinto que sempre que escrevo um texto, tenho que me apresentar de alguma forma, porque eu realmente não sei se esse é o primeiro texto meu que a pessoa lê, ou não.

Então lá vai:

Matheus Canto, 21 anos, Motion Designer. (Se quiserem saber detalhes como formação, cursos, empresas onde trabalhei, eu explico tudo isso no primeiro texto aqui do Medium!)

Esse título é um pouco polêmico (pra mim é, ao menos), porque ele pode te fazer tomar algumas das decisões mais difíceis da tua vida como criativo, e isso inclui a de: Ser fixo, ou ser freela?

Não tenho como guiar vocês pra “melhor” escolha, mas tenho como contar um pouco do que aconteceu comigo e da minha história pra vocês conseguirem comparar com a atual situação de vocês! :)

Bom, eu comecei com a vida de “freela” de algum jeito na minha vida. Comecei a mexer com programas de pós-produção bem cedo, e óbviamente comecei a já tentar tirar uma grana com isso, eu tinha a tarde inteira livre, umas peças de PC que tinha vontade de comprar, e uni o útil ao agradável, trocava o meu tempo de mexer no programinha por alguns reaiszinhos.
(Claro, estou sendo superficial aqui porque eu tinha sei lá, 14, 15 anos.)

E de fato eu gostava dessa vida, eu podia trabalhar a hora que eu quisesse, contando que eu mantesse os prazos, poderia ter um contato mais direto com os clientes (mais amigo e menos contratante/contratado) e estava tudo bem.
Assim que eu entrei na faculdade, eu comecei a ver alguns outros lados do mercado criativo, e botei na minha cabeça que queria entrar em uma produtora ou estúdio de animação pra aprender como funcionava.

Pois então, foi o que aconteceu, trabalhei na Star, na AlfaBeta, GMT, e a mais recente, MpQuatro.
Eu gostava de trabalhar em todas, todas tinham seus prós e contras, mas em suma eu gostava muito de estar lá, me dava uma estabilidade financeira, não precisava me preocupar com muita coisa, eram coisas certamente muito boas pra mim.

Mas eu notei que em todas aconteceu uma coisa meio que parecida:
Eu não queria mais trabalhar depois de mais ou menos 8 meses.

Não não querer trabalhar do tipo quero deitar na cama e ficar o dia inteiro.
Mas não trabalhar do tipo de eu não conseguir gostar de praticamente tudo que eu produzia lá dentro.

E isso não era problema da gerência, nem dos coordenadores, muito menos da Direção de Arte, e muito menos do cliente.

Era um problema meu.

Eu notei que com o passar do tempo em uma empresa com uma rotina pré-definida, a minha cabeça começa a se acomodar com todas aquelas estabilidades e promessas da Carteira de Trabalho, e começa a: relaxar.

E não era uma coisa da qual eu não sabia, eu sabia, eu queria fazer melhor, eu me culpava muito por isso, mas tava fora do meu “alcance”.
A minha mente criativa justamente não consegue se ajustar a rotinas.
Ela simplesmente começa a implodir.

Que era uma coisa que não acontecia quase nunca nos meus trabalhos por fora, que aqui ou ali, eu ainda conseguia fazer no tempo livre que eu tinha na semana.
Eu sentia que nos trabalhos por fora, por ter uma autonomia maior com o cliente e o projeto, eu poderia experimentar mais, testar mais, aprovar mais, e mesmo que o cliente estivesse me pagando 5 reais pelo projeto, eu tinha vontade de fazer um BAITA de um projeto, apenas pelo desafio, apenas pelo amor à camisa.

E de qualquer forma, era isso que me movia, fazer o que eu gosto de fazer (que não se restringe apenas a animação e motion) e sentir que eu cresço e evoluo a cada projeto finalizado.
Não fazia sentido pra mim ganhar um balde de dinheiro em um lugar fixo, se eu não me sentir desafiado, ou que estou evoluindo com os projetos.

A realização pessoal com certeza pesa mais que a realização financeira a longo prazo.

Então optei por seguir a vida freelancer de uma vez por todas.
Assim, eu sempre tenho o “frio” na barriga de que se eu não me mexer, eu vou passar fome.

E isso pra mim, por mais estranho que pareça, me deixa muito feliz e com vontade de fazer trabalhos cada vez melhores, e enfrentar um desafio de cada vez.

Palavra essa que veio muito bem a calhar agora: Desafios.

Eu sinto que algumas pessoas (incluindo eu), não conseguem ficar paradas em alguma situação onde não apresente nada mais a se “descobrir”. Acomodação não é o forte dessas pessoas, e é o que eu sinto na maioria dos meus amigos que também são freelancers, todos temos a mesma “característica” em comum.

Eu realmente não sei como é a tua situação, se tu é da área e realmente está procurando alguma luz pra se encontrar em fixos, ou freelas. 
Mas se optar pelo freela, é como um grande amigo meu me disse uma vez:
“Cara, grana sempre vai ter, o importante é tu meter a cara, trabalhar, fazer projetos lindos e se sentir feliz por isso”.

É isso!


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