Eu e o Audiovisual

Renê Müller
Jul 24, 2017 · 4 min read

Se eu tenho um defeito grande, com certeza é a minha memória. Ou a falta dela. Não me lembro exatamente quando foi que eu me apaixonei por fazer vídeos, acho que pode ter sido em algum momento durante a faculdade, mas aconteceu. Eu me apaixonei por criar um produto audiovisual.

Eu me apaixonei por poder pegar uma câmera, gravar umas coisas, jogar num programa de edição, poder mexer naquilo e compartilhar aquilo que eu criei com o mundo.

Nunca fui bom com as palavras, sempre fui muito visual, sempre gostei de arte, de fotografia, de design e a comunicação nunca foi meu forte. Até que descobri como fazer vídeos e achei, neles, a forma como melhor consigo me comunicar.

Daí surgiram várias coisas, vários projetos em vídeo na faculdade, um TCC que além da dissertação incluía um curta-metragem ficcional e outro documental, estágio e trabalhos em diversas produtoras de Porto Alegre, um canal no youtube e hoje a minha fonte de renda como diretor e editor freelancer.

No youtube tem de tudo: www.youtube.com/renenaorenan

Mas o que sempre curti muito mesmo era o cinema. Às vezes me sinto até meio antiquado por isso, como aquele cara que ainda escuta rádio enquanto todo mundo está no Spotify, eu ainda vou no cinema enquanto meus amigos preferem assistir Netflix.

Eu sempre achei a experiência interessante. Sair de casa, ir ao cinema, comprar coisas gostosas para comer enquanto assisto o filme e, lógico, a maravilhosa tela gigantesca com um áudio incrivelmente bom. É óbvio que o preço não colabora, mas tem aquele desconto pros clientes do banco tal ou aquele precinho especial na terça-feira, sabe? Sempre tem algo pra te atrair.

Com o passar do tempo eu trabalhei muito com produção de publicidade e no meu canal do youtube, fazendo vlogs e vídeos bem aleatórios e diferentes, mas a vontade de fazer cinema sempre esteve presente.

Foi aí que eu resolvi que queria fazer mais curtas, como o que fiz na faculdade: criar ficção, escrever roteiro, trabalhar com atores e uma equipe, não fazer apenas vlogs.

O último curta que eu fiz, “Isso são horas?”, surgiu muito tempo atrás, em uma conversa com o Doglas Matos, produtor, quando ele me contou a ideia que tinha para um curta, onde o cara chegava em casa e lá estava a namorada dele fantasiada de cowgirl esperando ele com uma arma na mão. Na hora eu achei a história legal, mas sabe como é a vida, trabalho, falta de grana e a ideia ficou na gaveta.

https://www.rode.com/myrodereel/watch/entry/3668

Até que eu vi o concurso da Rode, um concurso de curta-metragens internacional onde um dos requisitos é o filme ter menos de 3 minutos, na hora lembrei da ideia do Doglas por ser uma história bem curta.

Sentei, escrevi o roteiro, chamei o Julio e a Julia, um casal de amigos que são atores e que eu já tinha trabalhado antes e fomos fazer o curta.

A primeira parada foi no brechó da ‎Helena Prates‎, onde conseguimos a fantasia e a arma que a personagem da Julia iria usar. Logo depois, segunda parada: na Naymar, alugamos as luzes. Uma coisa que é muito importante pra mim é a fotografia e eu sabia exatamente a cara que eu queria que esse curta tivesse. As cenas de noite tinham que ser mais escuras e realmente passar essa sensação noturna. Para isso usamos um Fresnel com uma luz amarela, que imitaria a luz de um poste que vem da rua e um KinoFlo com a luz azulada imitando a luz do luar, além de uma máquina de fumaça para ajuda a dar esse clima noturno pro filme.

Santas luzes, essenciais pro clima.

A partir daí, eu e o Doglas montamos o set, primeiro gravamos a cena 3.
Em produções de vídeo é bem normal inverter a ordem em que as cenas são gravadas, no caso foi por um motivo bem lógico: a cena 3 se passa de dia enquanto a 1 e 2 são à noite, então aproveitamos a luz do sol pra gravar primeiro a cena 3. E quando ele se pôs, arrumamos as luzes e, aí sim, fomos gravar as cenas 1 e 2.

A gravação com certeza foi o melhor set da minha vida, foi tranquilo, sem pressa, com ótimos atores. É claro que uma equipe um pouco maior ajudaria, o Doglas, que é produtor acabou sendo o responsável pelo áudio também, mas a gente ta acostumado a se virar como pode.

E fazer esses curtas como o “Isso são horas?” e o “A excepcional aventura de um Pai que não sabia dar presentes (ou sabia)”, me faz entender o que eu realmente quero fazer da vida e me faz sentir um passinho mais perto da tela gigante que eu vejo no cinema.

Quem sabe um dia não vou estar vendo um filme meu em uma delas.

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